quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Anseios poéticos de final de um ano conturbado

Quadrinha I

Eu apenas queria um colo
Para que a sensação de desamparo
Vire suspiro, respiro, e alento
Pra tornar esperança o pressentimento


Solidão palavra

Solidão palavra marcada no coração
Que some vagarosamente
Com uma mensagem
Calorosa
Quem sabe mal intencionada
pra beber uma cerveja gelada



A amizade

Que saudades de ligar pra você
No metrô
E falar besteiras
E você rir
Compartilharmos problemas


Os encontros 

Sinto as vezes que dou pouco e ganho tanto
Mas num outro extremo sinto muito
Que tudo sentido é bem vindo
Sinto tão lindo as pessoas fazerem de tudo
Pra ver um amigo
Pra tomar uma cerveja
Pra trocar um olhar
Isso me aquece
e faz eu não ligar tanto
pra indiferença daqueles que eu amo muito


As desilusões 

Eu já esperava
O descaso anunciado
Numa votação
Em dia de oração
População que paga
Por essa corja
Quadrilha organizada
Que não tá ai pra situação
Explora tudo o que vê
Legisla o que quer
Pra faltar na mesa
e o povo perder a fé


Ansiedade 

Estou em todos os lugares
grito em crise
compartilho pensares
Mas não consigo estar dentro de mim




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conto de dias quentes

Ela pulsava vibrante. Era de um tom vermelho intenso, que suas maçãs do rosto pareciam ter sido pintadas de carmim.
Ela era assim, alegre, mas melancólica, intensa e insegura.
Não se habitou as novas tecnologias e quase sem querer ficava na espera de um recado, uma escrita, uma troca por meio delas, mas não era mais com todos que a procuravam.
Outrora ela sentia muito prazer em trocar coisas de sentimentos e autoconhecimento com quem quisesse trocar.

Sentou em frente ao computador e começou a deixar a mente fluir, não conseguia pensar num filme, vídeo ou coisa que quisesse acessar.
Só pensava em se tranquilizar, mas não conseguia. Pensava em correr, em pular, em dançar, mas não lembrava uma música, canto, ritmo que a motivasse a ouvir e fluir as sincronicidades de sua alma.

Sincronicidades era uma palavra que nesse momento parecia constante e distante. De repente impulsos menos evoluídos a tomavam, e ao mesmo tempo uma prudência e uma coerência de sublimá-los.
Era como se a nostalgia, a saudade e a novidade dessem um sentido obsessivo para sua existência.

Ela não queria sonhar, e quando sonhava era sobre coisas maiores, sobre luta, sobre resistência e sobre espiritualidade.

Sentia-se num inferno, a casa sem ventilador, a cama quente, o corpo em chamas, e a cerveja esquentando a cada golada que ela entornava.

O choro começava a cair devagar, a cada palavra que ela escrevia pra desabafar o que sentia, e ela tentava com todas as forças descrever. Talvez a palavra pudesse assim, fazer tudo o que a mente e corpo num movimento desconexo afligia.

Ela pensava nos seus guias, e quase que imóvel, não conseguia arrumar as malas para partir.

Releu as linhas que escreveu, e ficou a imaginar que se houvesse leitor para seu texto, ele talvez não ia compreender onde ela queria chegar com aquele desabafo. Não era poesia, nem prosa, era uma descrição pouco organizada das coisas que tinha que fazer.

Pensava que o ano passará num vendaval, e que ele não poderia acabar naquele momento, não sem uma despedida, sem um findar de ciclos.

Na ilusão ela sentia, ou mais, sua intuição dizia, que o ciclo não se encerrava com o findar do ano... o ano por meados de setembro, abriu um novo ciclo de questionamentos sobre a vida, desde a segurança em ter meios de se manter viva, até a insegurança de sua própria existência, que rompia, de alguma forma com padrões socialmente colocados.

Ela não teria como voltar... ao começo, ao início dessa jornada, que ela não conseguia datar... sentia que se tornou uma especialista em fazer planos impossíveis, em viver amores mal resolvidos, em findar coisas sem fim.
Era ela dentro de si, brigando consigo e com o mundo de poesia que construiu.

Lembrou-se de como a criança, as crianças cresceram, de como romperam com o escudo da domesticação, e como se colocavam em guerra com os adultos, ora conformando-se as regras estabelecidas, outrora se afirmando hereges do que os adultos traçavam por futuro.

De repente, se encontra, com a criança, mais responsável, e vê que sem querer construiu um espelho, ela era de fato alguém que essa criança admirava. Alguém que essa criança amava, por sua filosofia, por sua luta, por seu empenho em ensinar.

Ela de fato ensinou várias pessoas nessa vida, e nesse ano em especial, se colocou como professora em diferentes momentos, compartilhando o movimento tímido de se jogar na vida.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Declaração de amor-tece-dor

Estou há poucas semanas da part-ida
E querendo simplesmente su-mir
Não quero ficar em nenhum lugar
Ando perdida e pensante
E tento de todas formas acalmar coração e mente

Penso e olho para os andares
E sinto no mais profundo que não sou ingenua
Estou tentando deixar a alma serena
E esperançar expectativa de felicidade

Na FELIZ- Cidade que eu parto
Para uma imensidão sem mato
Eu me despeço com pressa
E fico na querança do bem amor
Estar ao meu lado pra amortecer a dor

No entanto as coisas não são como queremos
Melodias e escolhas as vezes nos fazem passar  veneno
E no meu intimo ingenuo
Penso que esse tempo de ausência
É a prudência paixão querendo ficar mais perto do que longe

Não se trata da perda do encanto
Mas dá água que bate na bunda
E grita: faça renda, cumpra prazos, seja responsável
Porque meu coração irritável
Com a mente racional
Verbalizou que precisa pagar boletos
Precisa ter grana para o sorvete
E te quero mil vezes sem joguete

Na minha vida professora
Eu esqueço que outros trabalhadores
Para dar conta do recado
São de certa forma hiper-explorados
Mesmo sem patrão diário...
E não é se fazer de otário
Nem de mal agradecido
Agradece mas não tem pressa
Porque o amor é correspondido

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Poesia de despedida sentida

Sem ida, com volta
Me envolvo em caracóis reluzentes
Luz que brilha entre os dentes
Sorrisos, e risos de sonhadores indecentes

Eu segui o coração
Quem sabe mais a intuição
Eu chorei um tantão
Porque não queria ir não
Pra cá
E cá estou
Num chororô
Acho que dessa vez fiz e plantei amor
No coração de um mundão de flor

Nessa estadia
Teve luta, teve rebeldia
Combinados com histeria e loucura
Do tédio e do frenesi
Do trabalho e do dormir

Part-ida, parte envolta
Na volta da vida
Estou me sentindo
Sent-indo
Reconstituída
Como se um encontro totalmente
no escuro
Me trouxe parte da luz que eu procuro

Agora sei, como já tinha de hipótese
Que está muito mais em mim
Essa dose
De embriagar meu corpo e alma
De algo que é tortura e calma
Que é ser quem sou
Em qualquer lugar que vou

Sem-ida eu me sinto aflita
Indo e indo como sempre vou
Rodopiando e me enrolando
Com um io-iô
E clamando as minhas yaôs
Que cuidem de sua filha que lhes clama proteção

Apesar da nação estar repartida
Entre amor e ódio
Eu subo ao pódio
De vencer a vida
Pela vida
Na luta entre vida e morte
Agradeço ao invés de pensar na má sorte
E controlando a mania
Os excessos
Eu louvo e peço
Para que em toda a dor
Eu esteja inteira


Balanços balançantes de 30 anos em meses

Aqui cabe uma introdução...

Mas não sei se deixo a fruição da emoção mediar a escrita, torta, e morta, melancólica.

Cai hoje na real que lidar consigo mesma é aceitar com toda a sinceridade, lidando com a impulsividade os sentires e pensares que nos afligem.

Lembrei de um dia, um beijo, uma tarde intensa, um desejo e uma cama quebrada.

Lembrei como transformei tudo isso numa loucura tempestade por eu estar sozinha numa cidade com um filho, e como conversar, falar e pensar sobre isso me causou desconforto, mágoas e perdas.

Depois de passado um tempo, vejo como o diálogo e a sinceridade, além do auto-amor pode possibilitar encontros de almas sem a necessidade que eles acabem nos lençóis ou gere obsessões, e to tentando curar isso com o pensamento, que tenho maturidade para escolher da melhor forma o que fazer da minha vida...

Nesse ano vivi muitas coisas leves e intensas, sem o peso de ser um sofrimento, apesar de me cansar e eu ter tido pouco tempo pra balancear...

Balanceando vou escolhendo quem eu quero ser, e por hora escolho ser o meu maior amor, confiando que as vezes o pensamento vem pra outros entendimentos mais leves.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Rememorando angustias

Agitada com o fechamento de ciclo, mais um ano que acabava, ela ficava a cada segundo olhando o celular para ver se tinha alguma mensagem de alguém. Seu olhar não era para política, nem para amigos, muito menos estudos, ou todas aquelas coisas que a encantam, nem era para afetos, ou pessoas para conhecer, ela agitada simplesmente olhava o celular.
Lembrou de algumas obsessões, de coisas que ela achou que tivesse resolvido, mas de repente se fizeram latentes. A fuga de se relacionar mais profundamente com alguém, a falta de tempo para todos, e inclusive para si mesma, e de como se jogava numa rede de pensamentos viciados, de auto-destruição, engano e ausência de perdão.
Realmente ela vivera uma relação conturbada, e que de repente o luto de perder um grande amor mais uma vez reverberou... ou mais a luta para ganhar o grande amor: de si e para si.

Chorou, chorou, sentiu-se menos, feia, frustrada, péssima profissional, péssima em tudo que se propunha fazer, egoísta, medonhamente egoísta, dramática... e mais, não estava sabendo lidar com a tristeza da amiga que adoecia...

Agora não era só rememorar o pranto de perder um amor vivo, era perder a oportunidade de envelhecer junto com alguém que a história se encontrou, e não ter forças para fortalecer o outro... murchava lentamente...

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sofrimento razinza

Ela envelheceu olhando para aquela tela negra, e pensando no amor que não viveu, se culpava por ser feminista, porque querer fazer as coisas que lhe deixavam felizes...
Chorava pelos filhos que teve e pelos filhos que não teve.
Por não ter sido boa na profissão escolhida... remoía por dentro todo o sentimento que nela continha, e que provavelmente lhe causava esse vazio ferido.
Resmungava e balançando em sua cadeira de balanço como uma velha ranzinza.
Não conseguia alcançar sonhos e nem traçar planos concretos, apesar de cobrar de todos ao redor que tivessem coerência e prudência em como se portavam e nas coisas que almejavam.
No próximo Outono iria completar 33 anos.

domingo, 25 de novembro de 2018

poesia de menina

Eu só quero ser feliz
E isso eu faço sorrindo
Se o destino fez eu sofrer um pouquinho
Justiça e paixão as vezes pinta no caminho

Essa coisa de ficar agarradinho
Parece segredo de criança
Que ainda guarda na lembrança 
A delicia de amar adolescente 

Se existe razão pra acontecer de repente
Agradeço a paixão brotar no peito novamente
Pra fazer poema não precisa ler mente
Basta abrir o coração e sorrir suavemente 

Mesmo que eu não te conte
Minhas vontades indecentes
Eu acredito que o tempo vai ser eterno
E nosso verão vai aquecer o inverno 

Limeirando em boa companhia

Poderia ser um tropeço?
Seu tamanho eu não meço 
Eu sinto, e como absinto 
Eu já estou embriagada
Seja de tarde, manhã, madrugada
Com ou sem lua iluminada
Na praça, na esquina
Ou na minha cama ocupada 
Eu sinto que dei uma topada 
Com uma pedra bruta
Que a vida já deu uma baita lapidada
A rima fica engraçada 
E o verso sai de repente
E o enrosco do cabelo
Amarrou a gente 
De um modo bem diferente
A tecnologia, que difunde histeria
Também atua no sensível
De trazer o encontro imprevisível
Um tropeço de almas
Almas atropeladas 
Pelas topadas da vida
Se olham decididas
Que rir é o melhor remédio
E o tédio... deu lugar a alegria

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Anseios de inquietude


E eu revisito textos
Revisito fotos
E re-visito votos
Aqueles que eu prometi
No altar
Aqueles votos que eu prometi 
Virar
Aqueles votos que eu tentei
Lhe dar 
Eu revisito lugares
Em posições outras
Que eu tento me encaixar 
e perceber 
Que o tempo que se fez ausente
que se fez presente
Que passou
Mudou 
e me transformou noutra
que não tão absorta
olha e vê 
que tá tudo bem
não ser mais de ninguém
e ser somente ser assim
desiludida
porque votos no altar
votos a virar
não vão adiantar
a democracia
se um dia não foi apenas eufemismo
está a ruir
e eu vou flu-ir
por aí...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Confissão Professoral I


Como confissão escrevo esse texto...
Não sei ao certo o que eu almejo
Talvez pensar apenas que confundo
O uso do S com o Ç
Assim como aquela pequena
Que adquire num processo doloroso
Nos bancos escolares
A perda da infância
Para viver o letramento da vida
[Reprodução não eufêmica de um modo capitalista de viver]
Filas para poder percorrer os espaços
que deveriam ser de criação e liberdade

Crianças, entram cada vez com menos idade
E aprendem cada vez coisas mais complexas
Sem tempo para cantar e sorrir
Para ler e ouvir
Para sonhar e refletir
Tudo é mediado pelo grito

E em alguns momentos de consciência aparece o choro
A professora também queria colo
E poder sorrir e cantar como Maria
No colo de suas companhias diárias

Num momento respiro
Uma criança diz estar cansada
Porque uma colega bateu
A professora, que sou EU
Confessa: “Eu estou muito cansada e quero um abraço”
A criança aperta o adulto contra seu peito
E diz: “Quando chegar em casa eu vou dormir”
Quando eu cheguei em casa eu fui dormir
Eu queria sonhos
De amores,
quem sabe uma nova paixão
Alguém para conter meu tesão
Aliviar a minha tensão

Meu pensamento é que minha liberdade
Perpassa os bancos escolares
Perpassa a sistematização das ideias
Perpassa os estudos sobre a realidade
[e dá mais tesão do que ficar a ver sacanagem]
Dá tesão poder transformar sonhos em realidade
Poder letrar-se do mundo infante
De uma maneira menos torturante
Menos reprodutiva e mais ativa
Mas como a escola de hoje
Com crianças atuais
Crianças do youtube
Crianças dos digitais
Ainda professa, e contem
Os corpos disciplinados em seus bancos
Ainda a loucura do espaço escolar
É vigiar e punir, e talvez ensinar
A heteronomia a partir da tirania
E eu sou algoz e agonia
Sou vítima e vilã
Sou adoecida pelo programa
Programado
Pelo capitalismo financeirizado
Da coisa escola
e ainda a coisa escola pública estatal
Que não dá certo

Ao menos eles se sentem felizes
Ao menos eles conseguem dizer de amar alguém
Ao menos eles declaram seu amor
às professoras
Guerreiras
Cansadas
Batalhadoras
Que vão para casa, sem a sensação de dever cumprido
Pensando o que ficou faltante
Do conteúdo trabalhado
No hospício sala de aula

terça-feira, 18 de setembro de 2018

... carência

Eu sou esquisita
Eu me apaixono por coisa bonita
E por coisa boba
Provocação
Mão na coxa
Expectativa

Eu sou esquisita
Fico toda feliz com um olhar
Sou tão boba que qualquer coisa me faz apaixonar

Então me chama pra real...
As vezes é só um machistinha
Querendo ser legal

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Flu-indo

Eu que preciso tanto de uma morada
De um lugar pra colocar minha bagunça
Tenho sido cigana e sou forte pra caminhada
Nunca imaginei que fosse ser tão abençoada
E ser tão difícil partir...
Já faz tempo que estou por ai
Querendo desenhar girassóis nas costas
Mas não os vejo há meses
A não ser nos sonhos passageiros
Baianos espíritos
Que muitas vezes curam o choro do aflito
Que amortecem o movimento falho
Do giro que pode me derrubar
Mas eu balanço e não caio
Vivo com a pressa de um raio
E o trovão vem me acalmar
Dizer que as vezes respira
Respira menina
E não se põe a falar
Respira e respira
Escuta girassol cantar
Girassol girar
Coração pulsar
Nostalgia bater
Feitiço desfazer
Mandinga acabar

Eu preciso tanto de uma morada
Que me faço na-morada
Da vidinha de feli-CIDADE
talvez eu volte pra morada coletiva
ativa de cultura cinza
e tumultuar de verdades
Eu no meu sonho intenso, de sentimento denso
De secura e bondade
Dou coice e fecho a cara
Minha sinceridade não disfarça
O estrago que eu faço
Eu saio desbaratinada
Aflita e cansada mas eu quero sossego
Também quero chamego
Um beijo bem quente
Um salivar caliente
Mas é que eu tenho MEDO
Medo de ouvir Girassol pulsar
Medo do amor amizade virar
Medo da amizade me apaixonar
Medo da saudade não deixar rumar

E eu vou, querendo falar de flores
Procurando uma morada
Com girassóis na calçada
E eu levo, comigo o meu amor
Meu coração de afeto
Pra espalhar semente
Semente de amizade
Semente de verdade
Semente de impulso
De busca e de luta
Um tanto maluca
De não ficar só

Paixão sempre

Quando me enamoro das coisas
Ai... tudo fica tão intenso
E por mais que pareça denso
De fato é leve
A vida tão breve
Precisar ser levada a sério
Como um mistério
A ser desvendado
É preciso se enamorar dela
Acender vela, fazer oferenda
Pra que a vida seja um eterno poema
Ou uma linda saia de renda

Não é algo tão complicado
Na vida é normal dar errado
E o certo ser algo improvisado
E fugir do esperado
E amar o inusitado
Porque sem expectativa
A vida te ativa
Vários regalos

Eu comi manga
Comi morango
E olhei pro céu
Dia lindo
Tempo quente
Eu vi gente
E me vi no olhar delas
Como uma bailarina
Em um palco coletivo
Em que o canto
O riso é ativo
E a brincadeira
É não desistir de brincar

Eu sempre a me apaixonar
As vezes me perdendo em paixões
Muito mais carência
E medo
Do que o arder da emoção
De ter o sossego
De ausentar-se de si
Fugir e se encontrar
E quando menos espera
Apaixonada novamente
E a vida a me enamorar

Processos de autoconstrução desconstruídos

Disparo o meu respiro raro
E sufoco na saliva quente 
Acordo, estou suada e febril
Encho-me de água
E retomo o sono

As vezes sentimento intenso de abandono
Dama da vida que segue 
Com feridas que 
Estão demorando a cicatrizar 
Ah... o meu lugar?

Que rumo me darão as manhãs?
As vezes eu fico a reclamar
E ultimamente, aprendo
E me lembro 
De agradecer e sonhar 

Havia manga no café 
Houve muito samba no pé
E batuque na mão 
Há anos há muita oração
Pra aprender a cuidar de si
Pra poder doar algo de bom pro outro 

A vida é só um sopro
E eu preciso, de um respiro
Mas talvez minha falta de fôlego
Faz contante meu suspiro
Ou minha pressa pra acontecimento
Faz do suspiro lamento

Disparo em disparate 
Na brisa leve 
Do olhar de lebre 
Que corre vento, corre mato

Disparo e meu disparate 
É negar desejo
Quando houve enlance 
Esquecer de um beijo
Porque a parte que faz agora 
É um novo senso de história
Em que eu em qualquer lugar
Posso ser quem eu quiser 
E não só a mulher
Que vai ser sensualizada
Usada, subjugada e objetificada

A não ser, a não ser meu bem
Que eu lhe peça, que eu queira
Que eu diga, que eu te deseje
Que no encontro
Do meu suor
O seu cheiro se misture ao meu
E o perfume seja irresistível

A não ser meu bem,
Que os dois estejam afim
Porque eu e você podemos dizer não
Eu e você podemos fazer samba canção
E dormir na mesma cama como irmãos. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Exposição facebookiana

A volta das poesias em timeline:
Não é que eu não me exponha
Não é que eu não te exponha
Somente sinto vergonha
Das bolinhas na sua fronha
Sou alérgica, e malha sintética
Não é algodão
Dá um comichão
Na hora de deitar
Também me dá um comichão de tesão
Quando estás a me estressar
Também me faz perder o mesmo Tesão
Quando estas a me censurar
Não é que eu me exponha
Mas as vezes pra lidar com
A sensação de tristonha
O negócio é encher as fronhas
De água de olhar
O problema é que somente em Agosto
Começou a esfriar
Então fronha molhada
Pode ser apenas solução
Para o ar seco umidificar
Não é que eu me exponha
Mas eu perdi as manha
De em texto romantizar
Decidi, não fugi,
Esses dias me mudar
Fui pra um lugarzin perto
Com um destino até que certo
De que irei trabalhar
E o trabalho
Como algo que não admiro
Nesse mundo de capEtalismo sombrio
Está a me desmotivar
Conversamos sobre aplicativos
[não ativos]
De relacionamentos quase que passivos
No horário de confraternizar
Enfim, como a censura
Beira a ditadura
O povim do servicim
Ficou a nos criticar
E eu nem busco me expor
Quero ficar como anônima
Quem sabe na sua crônica
Eu não vá figurar
Talvez eu te exponha
Contando que na sua fronha
Se eu precisar de um pouso
Eu posso babar
[Não resisti - preciso preparar uma aula e estou procrastinando há dias - acontece isso - fragmentos de pensamentos]
[Num texto de Ricardo Azevedo, li que pensamento é algo que voa muito rápido]

Quadrinhas melancólicas


Sobre redes sociais e cultivando a influência

Na minha temida carência
(que busco me autoenganar da sua existência)
Escrevo sem muita prudência:
Sou namoromaniáca
E ao mesmo tempo namorofóbica


Na minha timeline
Busco namoro on line
Nada muito sério
Prefiro a graça da paixão

Na minha busca insconstante
descubro ser a pior amante
Para corresponder
A minha paixão


terça-feira, 24 de julho de 2018

Momentos de ansiedade X

Apenas sinto que há alguma pendência
Lembro dos atrasos
Das promessas
De me desdobrar com pressa
Para ter um encontro
Na escadaria do condomínio
Ai penso... me dava prazer
Ou a angústia ofegante
Da sensação de alerta?

Tornei todas as minhas relações apressadas
Um olhar pro relógio e dizer: há mais 5 minutos
Para aqueles que eu amo
Gostaria de ter muito
Mais pouco me dou
Ou ainda, para aqueles que eu amo
Eu espero muito
E as vezes me sobra a aflição de uma ressaca conjunta

Sinto alarmada na minha cabeça que alguma coisa tá pendente
Talvez seja um dente
Uma gengiva podre
Cigarros e bebidas
Noitadas dessa vida
Sem ver escovas de dentes
Quem sabe é só um canal
Em Portugal

As  vezes o tempo urge e o estomago ruge
Me alimenta!
As vezes dois mil pau
Não te sustenta
E você procura
A cura pra pagar o aluguel
Fica indecisa entre prostituição intelectual
Ou subtrabalho professoral

Pra minha ansiedade
Não sei se sobrou poesia
Não sei se sobrou esperança
Do fim da agonia

sábado, 30 de junho de 2018

Da série cama cheia e alma vazia

Esse estresse pós-traumático de um relacionamento mal-sucedido
Deixam almas endoidecidas

Desfazendo nós, ela rasteja fantasias
Que nunca serão realizadas
Um beijo molhado
Uma história encantada
De ser mulher e fada de um homem só

Parece que pra se viver desejo
Precisa esquecer-se de querer ser endeusada
Sair do lugar de cinderela
Assumir o lugar de amante

Esses traumas pós-fins-de-relações idealizadas
Deixam marcas marcadas
Hipocrisias veladas
Impressões enviesadas
E eu descuidada me descuidei
Fui até a outra margem do rio
E me afoguei

Preciso ficar sozinha
Aquietar a alma
O mantra do já sou inteira
Demorou uma vida
Pra ser compreendido
E do pouco entendido
Sou amadora
Do meu próprio sentimento
De fragilidade...

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Momentos de Ansiedade (perdi as contas)

A cabeça fica fica fica fica fica
Mar-te-lan-do
Eu abraço a amiga, o vizinho e o gato
Eu danço com a parede
E me sinto um largatixa

A cabeça frita fri-ta frita
Eu me irrito com os pensamentos
Os medos
Aquela pulga atrás da orelha
Ele não me ama
Ele NÃO ME ama

Quando vou ter um namoradinho
Gostosinho
Pra me fazer carinho?

Ele não quer fazer sexo comigo
Ele só quer fazer sexo comigo
Ele foi grosso
Ele, ele, ele...

Eu, eu eu ... berrei
Com o meu filho
Com o filho da outra
Eu fui grossa
Eu pisei na poça d'água
E eu fiquei com o pé gelado

Eu eu eu eu quero me esquecer
Não quero pagar boletos
Eu quero ser jovem
Eu to de bode de você...
Mas, me liga por favor!!!

Me liga, que eu quero amô
Eu transei com o amigo da vizinha
Com o ex da prima
Com o amigo do cunhado
Eu transei
E ta tudo errado
Porque você não transa com sua ex-mulher
Porque ela é sua ex!!!
Mas eu fico pensando
Que vocês transam
Enquanto você me liga

Meu coração palpita,
E eu não tomo remédios
Tomo camomila
Tomo banho
E não toma no cu
Porque eu não gosto...


quinta-feira, 17 de maio de 2018

De passagem ( respiros e sussurros de liberdade e crescimento)

Não quero esse lugar de enxaqueca
Que dá dr a todo momento
Quero pular, saltitar, rir e cantar
E com minha criança
Tá difícil acertar
Mas o coração, há de me direcionar

Não quero esse lugar de inquietação sem motivo
Querendo paixão, um amor mais ativo
E a cumplicidade da empatia
As pessoas entenderem que eu decido dia a dia
A rumar e crescer sem rumo

Meu rumo é o amor a mim
Já teve muita dor, quero fim
Essa confusão tem que ser a vida
Tem que ser os desafios naturais
Que implica se entregar

Ausência de coragem, gera tensão
Ausência de desejo, expõe a paixão
E paixão não correspondida
Precisa de desfecho
Vou até a porta, e encaixo a chave no fecho
E tranco meu coração, essa entrada tá fechada

Meu juízo é estar bem comigo
É me ligar que lembrança
É pra sentir página virada
E se der na telha dou uma repaginada
Invento outro príncipe
Beijo um novo sapo
Compro um novo trapo
Mudo de território
Mas nesse contexto
Da história que eu to escolhendo
To mudando de narrativas

Meu limite é o mundo
Com coragem e responsabilidade
Tomo decisões arcando com as consequências
E as vezes quando muita doação
Não gera recompensa
Eu penso que dis-penso
Porque eu sou sincera
Tem busca, e também tem espera
Não tem meia-boca ou mais ou menos

A relação não é binária
Mas a decisão implica ser
Sim ou não, eu não quero saber
De fechar os olhos pensar em você
E você pensar noutra
A narrativa é o agora
Eu quero assim
E não é capricho
É eu gostar de mim...
Pulsante, vibrante, verdadeira...

Se você meu amor tá de brincadeira
Se a sua pílula da felicidade não tá fazendo efeito
Se a minha liberdade
Tá te causando defeito
Eu vou me impor
E não estarei ao seu dispor

Não é hierarquia nem utopia
Aliás tem louça na pia
E eu vou lavar
Eu to amando aprender a não me anular
E permanecer se realmente ficar
A não precisar fugir
E a te encarar
E que só quero você
Se de mim tu gostar

terça-feira, 15 de maio de 2018

Da série cama cheia e alma vazia


Eu não quero garantias
Quero viver como um tropeço
Que a escolha desde o começo
Foi se entregar intensamente
Mas no decorrer dessa escolha
Sinto-te ausente
Querendo habitar outros ninhos
Então, seja bonzinho
E me abandona com coragem
Mesmo que eu seja teu sonho
De passagem, não cheguei nem perto
De ter seu carinho
Eu nua ao seu lado
Fico aflita, me sinto feia, e pouco bonita
Porque minha pele na sua pele excita
Eu tenho sonhos e fantasias
Mas no teu olhar apenas maresia
Se faz ao encontrar o meu
Não queria te dizer adeus
Mas já não tenho tempos pra amor sem paixão
Pouco me importa ter alguém
Que é só pra dizer que eu não to só
No fundo to sozinha
Tentando realizar-me comigo
Quando no fundo tenho um amigo

Que nas horas vagas não posso chamar de desejo

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Pequeno aprendizado materno

Pequeno aprendizado materno
(Epopeia dos encantos de crescer sendo mãe)
Aprendi a ser cuidadosa
Quando olhava uma idosa
Já debilitada e acamada
Olhando-me com olhar de fada
E eu acreditando que seria curada
A vida a curou
Levou lá pra Aruanda,
Fazer renda com outras senhoras
Aprendi a ser cozinheira
Quando diariamente uma guerreira
Ia trabalhar
E ao chegar cansada pra repousar
Necessitava se alimentar
Aprendi a ser mulher
Parindo o mundo
Com ideias e o corpo
Percebendo que as regras que eu queria
Não necessariamente eram as minhas
Tive que escolher
Em alguns momentos gritar
Ser julgada por gemer
E criticada por gozar
Tive que escolher
Vestir-me de bufalo pra lutar
Ter coragem e fé pra mudar
E iniciativa pra recomeçar
E cuidando de mim
Mesmo sem ter o cuidado dos outros
Pra outro ser amamentar
Ver crescer e comigo brincar
E eu ter que aprender que
Em alguns momentos precisava me resignar
Porque a vida é ciranda
E ciranda é pra girar
Tive que crescer, sentir na boca o gosto do fel
Quando ainda menina queria sabor de mel
Amor, esperança, ilusão perdida
Porque a vida bandida foi me roubando o mundo
Foi me levando à fome e a sede de ser
Apenas ser...
Algumas vezes eu chorei
Porque a sociedade machista quis me silenciar
Quis cobrir a minha gana de mostrar
Que eu vim aqui pra chegar,
Desaparecer, e me transformar
Aprendi que às vezes é preciso agressividade
E que o caminhar muitas vezes é só de passagem
Porque a vida é um labirinto
Que exige na andança
Encontrar-se a si mesmo
Sendo brisa, aprendi a ser vento e tempestade
A serenar, e respirar inocência
Controlar a vaidade
E na grandeza das quedas da cachoeira
Respirar tranquilidade
O leito do rio é espelho que ilumina
Te olha sereno, te aumenta a estima
E às vezes o lodo ofusca o reflexo
E o nexo desse olhar
Ao ver o rio que encontra o mar
Está na tensão entre decantar
Ou navegar
Mas em meio ao alto mar
Se no acaso uma mãe sereia te encantar
Cabe uma decisão
De talvez se afogar
E enfim morrer
Pra poder ressucitar

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Daquele grito que eu não percebo mais

Inspiração vem de onde?
Daquele grito que eu nem mais percebo
Me acostumei com tamanha violência
E estou um pouco assustada
Com a atitude cuidadosa do outro
De tentar auxiliar no meu processo de produzir
Produzir o que?
Conceitos, resultados, e índices de produtividade
Em algum setor
No setor
No núcleo de pensamentos estratégicos
Em que a estratégia não é mudar o mundo
E a inspiração vem de onde?
Perco meu tempo contando as horas,
Trabalho, alimentação, filho, transporte
Quando termino a contagem
Passei quase 17 horas do dia estando em função da roda girante
Da vida que não necessáriamente é minha
Sobraram 7 horas... pra tomar banho, comer, dormir
E quem sabe pentear o cabelo
Inspiração vem de onde?
Me olho no espelho
E a pia do banheiro
Entupiu...
Eu fico pensando se devo me pentear menos?
Ele não gritou comigo e eu fiquei tranquila
Eu consegui cumprir as metas do dia
E fiquei calma
Ninguém falou contra comunistas no ônibus hoje
Não havia barulho de pessoas reclamando no ônibus hoje
Eu não peguei ônibus lotado hoje
Eu rezo todas as noites para que eu consiga sentar no ônibus
E que parte do meu percurso de quase 4h de transporte público
Seja cochilando
Eu cantei pontos de umbanda na minha mente hoje
Não tive tempo de ouvir em casa
Ou acender velas pros meus orixás
Eu tenho fé
Eu queria ver o mar
Eu sinto culpa de não estar com vontade de ouvir as histórias dele
E sinto que ele pode gritar comigo...
Não consigo impor minha autoridade
Eu tenho que trabalhar e estou cansada
Eu queria dançar a noite inteira e tomar um porre
Eu sou comunista
E queria mudar o mundo
Mas eu tenho que organizar estratégias de gestão estratégicas
Acho tudo isso um tédio e não sei escrever poesia
Inspiração vem de onde?

Eu sou poesia 

quinta-feira, 22 de março de 2018

Morro de medo de gente que gosta de comer

bichinho charmoso
um tanto guloso
as vezes teimoso
mas muito gostoso

eu fico te olhando
meus olhos mexendo
você me fitando
sorriso aparecendo

você me alimenta
e eu vou te conhecendo
conversa de bobos
que estão aprendendo


Morro de medo de gente, que gosta de comer, gosta de dormir, e gosta de cuidar do outro. 
Esse tipo de gente é muito simples, fala do dia, se ofende com pouco, e comer e beber é a coisa mais louca que fazem, além de flertar e ouvir música boa. 
Morro de medo de gente assim... essas pessoas dá vontade de ficar horas grudada na cama sem nada fazer, só falando, beijando e amando. 

quarta-feira, 21 de março de 2018

Tecendo narrativas


Esse texto é um exercício de narrar uma história simples, de coisas que poderiam ser acontecimentos de nosso cotidiano. 



Ela entrou com seu passo de boneca, sem querer fazer barulho, e eu com o sono leve acordei e fui até a sala recebê-la:
- Boa noite.
Ela me olhou e me sorriu, vi que estava ansiosa, bebia a água trêmula.
- Está tudo bem?
Fomos até a cozinha, e ela narrou o dia, as esperanças, o cansaço, com cara de ressaca da vida. De repente começou uma história menos cotidiana:
- Fui beber com um cara. Um estudante de semiótica da PUC. Ele leu meus textos de revista, puxou assunto na rede social, há alguns dias. Gostei do papo dele. Ele me chamou para uma cerveja.
- E como foi?
- Não sei explicar, lembra aquela coisa de não me envolver rápido demais com as pessoas?
Fiz que sim com a cabeça.
- Fiquei impactada, ele foi uma pessoa que me deu vontade de se envolver. Fiquei com medo e pedi um uber. Não sei o que fazer!
- Como assim?
- Queria fugir com ele pra qualquer outra cidade, e sair dançando sonhos.
- Que coisa linda.
- Também acho, mas achei melhor vir dormir, respirar, pensar com calma... não quero atropelos.
- Eu que o diga! - falei me lembrando dos meus problemas, ou da ausência deles. Pensei em sugerir assistir a um filme ou comédia romântica pra continuarmos as análises sobre relações e início delas, mas ao olhá-la vi que ela ainda tremia, estava cansada, e ruborizada, pelo visto a noite foi fantástica, e mexeu com ela.
- Vou dormir. - disse ela.

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No messenger:
- Ele me convidou pra assistir uma aula na USP, você pode dar janta ao Cris?
- Claro. Vai me avisando o horário que volta.
No retorno da aula, ela veio com um sorriso fantástico. Narrou sobre corpos, sobre opressões, sobre conexões que fez com a própria vida, e com as limitações que temos. Estava motivada, queria voltar a estudar. Ele falou de uma especialização. Ela foi pontuando pra mim que gostaria de fazer um mestrado, mas que a possibilidade de uma especialização poderia ser a porta de entrada.
Cris dormia no quarto um sono profundo, Marcos também dormia. Colocamos um som baixinho, desses gostosos de ouvir, e ficamos profundamente se olhando sorrindo. Disse a ela que havia conseguido escrever um artigo, e que iria submeter a uma revista. Ela disse que em momento oportuno poderia revisá-lo. Falei pra ela escrevermos juntas algo.





Construindo narrativas cotidianas

Poderia ser o início ou final de um conto, pelo momento só uma narrativa viável 


Ele olhou nos meus olhos e disse, como que aliviado:
- Começamos errado as coisas...
Eu respirei, ouvi seus argumentos, e não sabia como me sentir melhor frente ao colocado. Eu de maneira inocente me deixei levar por uma impulsividade. Culpá-lo, e desculpá-lo do impulso leviano de dizer-se apaixonado sem de fato ter certeza?
Não o culpei, porém, o desculpei, não há como ter certezas, a vida é uma "caixinha de surpresas" - um pensamento mecânico e chavão - mas, para aliviar a tensão, melhor se apegar a ditos populares, do que ficar a caraminholar coisas extraordinárias.
Não foi fácil... o impulso pós conversa foi deixar como está, mas após uma noite bem vivida na companhia dele, não me contive.
Me senti em uma situação desconfortável, relutante, em afirmar que eu estava apaixonada, e neste exato momento não saberia fugir da situação, mas fiz o que deveria ser feito dei espaço.
Passado três dias sem nenhum telefonema ou contato, resolvi deixar ir pelo sentimento e mandei uma mensagem:
"E ai? Podemos nos ver hoje?"
Segundos depois, o telefone da sinal de vida, e visualizo uma carinha feliz e: "Fiz lasanha. Quer um pedaço?"
Respondi de pronto: "Quero, vou levar um vinho!"

terça-feira, 20 de março de 2018

momentos de ansiedade III

A culpa não é sua
Se eu fico insegura
Se eu fico calada
E aceito resignada
A sua impulsividade

No entanto, te digo a verdade
Que não gosto
Quando me coloca
Numa posição de amante
Se começamos mais avante
Voltar atrás é um erro


momentos de ansiedade II

De repente
Naturalmente
Você me toma de roupante
Te promovo de namorado a amante
E tudo fica distante

A pele na pele
Não assanha
Estranha
E não atiça
Fico boba e feia
E você não se arrisca

momentos de ansiedade I

Não quero sair, dessa
E ai eu lhe pergunto:
- Pra que a pressa?
Pra desviar o assunto
Ou sair sem destino
Ou se encontrar
E deleitar-se
Construir um ninho?

As vezes tudo antecipado
Fica um tanto bagunçado
E o acerto
Como um tropeço
Fica errado
E o riso da cotovelada
Sem querer
Que foi desculpada
Vira preguiça
De dormir abraçado

segunda-feira, 5 de março de 2018

Das potências em si

É tão bom sair de uma relação por escolha
Curtir sua fossa na bolha
Ficar chorando de quase ficar caolha
E olhar pra trás eu sentir: não preciso de ti

Sair de um lugar pra mudar
Poder viajar e espairecer
E sem medo de mudança
Decidir ficar pra ver o que dá

Escolher de repente ficar parada
Sem estar como barata tonta
E se acaso o impulso dessa dança
Fazer um rodopio sinistro
Poder bambear, quem sabe cair
E tudo ficar bonito

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mudança boa parte II

E saímos pulando como loucas
Já um pouco embriagadas de nós mesmas
Retornando a nosso vilarejo
Com nossas crias

E assim acordamos esbaforidas
Com o bafo de cachaça braba
E a emergência necessária
De uma ducha fria na cara

E hoje, amanhã, ou quem sabe quinta-feira
Saímos pra dançar de forma festeira
E rimos uma da outra
De nossas histórias bárbaras

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A parte boa da mudança

E assim se aprende
A dar a volta por cima com elegância
Sendo e vivendo criança
Que aprende com a dirigência
Que as ocorrências da vida
São fruto das circunstâncias

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Mudança boa parte I

Estou aqui tentando não ficar de bobeira
Tentando passar na prova de língua estrangeira
E não ficar estrangeira na vida urbana
Já que decidi voltar pra cidade de pedra
Vamos mudar as regras
E parar de sofrer atoa,
Não que eu queira vida boa,
Mas quem sabe... pular um pouco de corda
De manhã ou de tarde

domingo, 18 de fevereiro de 2018

fossa que não passa no ritmo da sofrência

Escrevi esse texto pensando nesses sertanejos sofrência, pra minha fossa que não passa...


Eu deveria sair ao seu encontro e gritar
Ter dr com alguém que já passou
Eu terminei mas o sentimento não acabou
E agora me divirto com essa fossa de amor
Amor de corno
Dor de cotovelo que não passa
Eu queria é fazer pirraça
Melar o seu romance novo
Mas sou feminista
Tenho orgulho e vergonha na cara
Mesmo ainda tendo por ti tara
Vou ficar no meu canto quietinha
Esperar passar essa fossa
Quem sabe tomar uma caipirinha
Ter a dignidade que me resta
E passar a madrugada sozinha

Rima tosca

Não consigo parar de pensar
O coração ta doente
Estima ta no chinelo
O corpo tá no veneno
No sentimento te quero
Eu to tentando esquecer
Ficar feliz na saudade
Mas você tentou me convencer
Que era minha metade
Ficou fugindo de mim
Negando o jeito que sou
Será que é assim
Que demonstrou seu amor?
Eu to numa fossa sem fim
Tento achar meu valor
Mas é difícil dizer pra mim
Que tudo mesmo acabou
Não tem essa história de amar pra sempre
Da terceira vez que eu fico com você
De novo é indiferente
Eu não sei o que eu fiz pra
Nossa história não ir pra frente
To escrevendo rima tosca
Lembrando da gente

Samba de esperança II

Louca, ela era ciganinha
Tocava pandeiro nas esquinas
E no bar se embriagava
Louca, já se apaixonou um dia
Mas o amor deixou vazia
A cama que ela dormia

Louca, ela ficou muito contente
Sobrou espaço pra mais gente
Se embrenhar em vosso ninho
Louca, ela que muito almejava
Andar, dançar na noite enluarada
Saiu com as amigas de madrugada

Louca, fez samba até o dia raiar
Pegou estrada, foi ver o mar
E até encontrou água doce pra sereiar
Louca, sereia iara envolvente
Percebeu que de amor ficaria doente
E resolveu foi é estravazar

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sambinha sem vergonha

Eu saio na rua quase seminua
E você safado, me comeu com o olho
Me chamou na chincha
Me pegou de jeito
Não sei se foi sonho
Ou mero devaneio
Eu toda sem graça
Ouvi sua cantada
E sai andando
Com meu shortinho encabulada

Samba de esperança I

Minha alma pede calma
Da paciência eu não passei na fila
Eu ando sempre angustiada
E me enfio em armadilhas

Quero um pouco de sossego
Mas tenho medo do correto
Eu sempre me embrenho nas esquerdas
E meu futuro sempre incerto

O presente eu já não vivo
Nunca sei, quando ele tá por perto
Talvez pra ter calma e paciência
Eu precise ir pra um lugar deserto


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Samba de mudança VII

Eu fico cantando uns sambinhas
Acalmando meu coração
Levando a minha vida vagabunda
Tomando caipirinha com limão

Pra que tentar se aproximar
Das coisas que já findaram
É melhor reconhecer
Que entre eu e você as coisas acabaram

Pra que chorar, melhor esquecer
Seguir em frente, esquecer o passado
Eu cantando esse sambinha
Fico reproduzindo o que já foi rimado
É que essa coisa de amar e sofrer
Tá parecendo pra mim
Tempo revisitado

Samba de mudança VI

Eu ouvindo um samba de amargura
Tentei encaixotar minha solidão
Ou talvez jogá-la num saco preto
E parar de fazer rima de paixão

Eu mulher de trinta e poucos anos
Com os pés nos chão pra fugir dos enganos
Pra quem saber traçar planos
Que ficaram pra trás

Estou a procura de tranquilidade
O samba afaga a dor e trás saudade
Desmontando os móveis
Perdendo algumas lembranças

No saco de lixo ficou foto de criança
Eu odeio fazer mudança
Mas lá no final há sempre um pouco de esperança

Eu ouvindo samba de saudade
Tentei levar comigo algumas saudades
O porta retrato
Deixei o meu gato
E organizei os meus sapatos

Rimei alguns versos
Chorei alguns litros
De saudades do que fiz e do que vivi

Estou a procura de uma alegria
O samba liberta e afasta a nostalgia
Doei alguns móveis e me vi perdendo coisas
As vezes são más e as vezes coisas boas

Na mala da filosofia
Levo comigo a experiência
Que amor de verdade
É amor que acalma e que compensa



Samba de mudança V

Comprando o vício da ilusão
Eu fiquei me afogando na fossa então
Com um monte de malas e roupas espalhadas pelo chão
Sem entender como organizar tudo

Eu fiquei recordando meus tropeços
Caminhadas na noite pra ser jovem
Destilando olhares sutis
Pra encontrar talvez os meus pares

Silêncio virou lamento de saudade
Nostalgia das ruas escuras da vila
Conforme cada momento eu te encontrava
Mas sentia que a mim eu me perdia

Sentimento esquecido no peito
Revivido de forma esquisita
Me fez sentir menina
E ao mesmo tempo ao seu lado aflita

Comprando vício da ilusão
Gastei os centavos de esperança
E me escondo atrás de um balcão
De botequim, me sentindo criança

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Samba de mudança IV

Eu com ressentimento
Guardei a lembrança
E o lamento
Esperança se foi
E se foi nostalgia
Agora tendo seguir
Nessa vida vazia

Vazio é desesperança
É sem preencher
A bagagem de andança
Caminhar
E não olhar para trás
Recomeçar
E buscar a paz

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Samba de mudança III

Eu desapeguei de toda a tralha
E recusei sair pra batalha
Pra que lutar por desamor
Se aquele amor era fingidor
Se aquele falso amor foi um impostor

Eu desapeguei de toda a tralha
Carro velho amor, só atrapalha
Dá perdido, dá pt, dá peito partido
E pode até bater
Pra que o acidente da ilusão
Vou correr o risco de sofrer
Vou desapegar do velho amor
Pra algo novo nascer

Samba de mudança II

Eu sai pulando na chuva
Voltei pra casa e lavei minh'alma em banho quente
Pra que mentir pra mim mesma
Não te esquecerei de repente
Mas eu vou encontrar um jeito pra não ficar doente

Que não seja me afogar nessa tristeza
Que a chuva sirva pra me acalmar
Que minha mãe Oyá me proteja
Pra que novos ventos eu ei te tempestar

Eu sai pulando na chuva
E coube como uma luva a alma que cai do céu
Corpo frio alma quente
E mesmo com o peito doente
Minha mãe Oyá fez de suas águas seu véu
Pra secar o pranto errante
Porque nem sempre é amor ter um amante
Se é pra eu solitária seguir adiante
Sigo pulando na chuva saltitante

Samba de mudança

Mais uma tarde de carnaval
Joguei fantasias fora
Botei o orgulho na porta
Será ele meu escudo guardião
Pra me livrar da alegoria
Não me render a ilusão

Eu sou foliã apaixonada
Que em outro carnaval
Permiti você entrar
Falei a você meu desatino
Mas você como um menino
Com meu destino quis brincar

Você não sabe o que é amar
Sua vida é de frases prontas declamar
E quando em seu caminho essa foliã passar
Você há de me ignorar

Ignora que fui eu quem te amou
Te ensinou a caminhar e para arte te levou
Você diz ter muita gratidão
Mas a mim só gerou sofreguidão

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fossa que não acaba

Novamente me perco
Em minhas bagunças
Eu querendo me encontrar
Desencontro de ideias
Desencontro de esperanças
E me encontro na lembrança

Novamente me perco
Nas suas bagunças
Você me provoca
Me olha nos olhos
Me põe em seu colo
E me ignora

Me sinto uma ignorante amadora
Que sonha em ser doutora
E quem sabe menos sofredora


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

passei o carro velho para frente

Desastrosamente
Passei o carro velho para frente
Eu apegada
Queria dirigir ele de madrugada
Embriagada
Desesperada
Na aventura da estrada
Mas as vezes
Ele dava uns trancos
Dava mancada
Enfim consegui
Achar alguém que se interessasse por ele
E pagasse um ótimo valor
Fiz um bom negócio
E apesar das saudades que sinto
Das aventuras que vivemos juntos
Sei que ia me dar muito trabalho
Ia preferir usar o transporte público
E ele ficaria na garagem...
E agora de passagem
Ele tem um novo motorista

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Hipo -crise -ias

Não consigo administrar
Esse excesso de romantismo
Com uma irresponsabilidade em amar
Quero seguran-ÇA
Quero esperan-ÇA
De ser de fato princesa
Já que constrói castelos

Não consigo administrar
Amar sem se engarrafar
Sem se perder e se enveredar
Parece que é pela metade

Amar não tem que ser culpa
Muito menos prisão
Mas quando passamos do ponto na paixão
A coisa de lembrar de ti
Deixa de ser pensa-AÇÃO
E vira obsessão
E gera frustra-AÇÃO

Não tem engano não
Minha incapacidade de administrar
Coisas complexas
Faz com que eu tome atitudes as pressas
Pra me proteger de mim mesma
Para que eu consiga curar a tristeza
Com sensatez e leveza

Se tem a chama acesa
Eu vou fazer ela brilhar e irradiar alegria
Porque a nostalgia passou
E vamos largar de hipocrisia
E olhar com olhos de magia
Que se teve amor
Em algum lugar ele faltou

Nada me deve
Porque se o amor foi breve
Abrir mão é de leve
Uma liberdade sem fim
Se você com seu linguajar principesco
Fez da nossa relação um AR-fresco
Para você respirar possibilidades
Fico segura que abusou de minha bondade
E eu me fiz só vaidade

Não consigo ainda administrar multiplicidades
E nas Multiplas CIDADES que estive
Fui buscando um sonho que nunca alcanço
Um sonho que nunca canso
De sonhar
Sonho infinitamente
Ser mais prudente
E adulto me tornar
Mesmo que para tanto
Seja necessário
Que eu me torne criança
E seja reprovada várias vezes
Em dar conta
De ser sincera
É essa apenas minha espera
Da verdade
Sem maldade

Provocações III

Declaração ao amante desaparecido 

Te conto segredos diariamente 
Com o poder da minha mente
Sinto profundamente que você estava certo
De alguma forma não era machismo
Era algo próximo do achismo
De que você era o homem da minha vida
Como eu sou a mulher da minha
Quem sabe posso te lograr esse espaço

Sinto muito por nos nossos caminhos
Ter existido um certo descompasso
Sinto muito das incertezas
E oscilações
Da minha dissimulação e do meu cinismo
Não queria esse abismo entre nós
No entanto, acredito que todo nosso pranto
Fez que o tempo curasse as feridas
E infelizmente as mágoas 
E as diferentes toadas
Faz com nossas vidas
De alguma forma estejam separadas

De alguma forma há várias formas pra se interpretar
Há várias maneiras para se amar
E há muita coisa a se experienciar
Quem sabe ainda seja tempo de perdoar
Mas difícil estar com o coração aberto
Para rememorar uma paixão

É tempo de trabalho, trânsito e confusão
É tempo de investir em si, renovação
É tempo de rever atitudes e partir pra ação
E de com calmaria cuidar do coração

Meu coração é meu
E lá você tem um espaço imenso
E o ciúmes, que foi combustível intenso
Desmedido e sem proporção
Hoje se transforma em admiração

Sou possessiva, e mesmo indecisa
Quis você só meu, fui egoísta
E agora, pés no chão e altruísta
Qualquer encontro nosso é para seguir
E construir
Algo que está porvir

Ao amante desaparecido
Homem da minha vida
Que eu causei tantas feridas
E poucos sorrisos descomprometidos
Eu olho, eu penso, e reflito
Que lhe desejo tudo de mais bonito
E que o amor que tive por você
Mora no infinito 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Aceitações no mundo do sonho e da bondade

No mundo do sonho e da bondade
Não ficamos bravos com a sacanagem
Não ficamos bravos com a leviandade
E olhamos para o mundo agradecidos
Por encontrar em nossas vidas
Pessoas calhordas
Que pintam e bordam
Com nossa vocação para ser trouxas

Um exemplo possível
De como agradeço imensamente
Ser feita de besta:
As coisas acabam
As coisas findam
E eu choro
E depois brindo

Aproveito o tempo e me deleito com ele
Na praia
Por não saber nadar
Fico na areia
E engano meu ser sereia
Eu é que tenho caído no canto dela
Vem o moço
Me mostra a lua
E eu fico com a cabeça lá

E agora pra me acalmar
Me resta o céu e o mar
E uns goles de cerveja
A companhia de uma amiga
E um pouco de queimadura
Pra mostrar que sou cascadura
E aguento qualquer lambada

No mundo dos sonho e da bondade
Quem ama de verdade
Fica agradecido em ficar sozinho
Olha pro vizinho e da bom dia
E vida que segue sem muita ousadia
Sem se render a mania
E nada de sair vivendo de euforia

Vou seguindo minha calmaria
De agradecer a boa companhia
De agradecer as boas ajudas
De agradecer a lasanha na cantina
Comida, boas noites de sonho e um bom banho
Quem sabe um violeiro fazendo uma seresta
Quem sabe um bloco de carnaval
Para brincar e fazer festa
Quem sabe mudar de casa
Quem sabe conhecer gente menos rasa

E se alguém aparecer pra atrapalhar minha aceitação
Gritarei: - Vaza!
To com preguiça de ser superficial
Não to empolgada e coisa e tal
A esperança
A expectativa baixou
Se é pra viver e sonhar com um amor
Que esse amor seja o meu
Por mim
Aceitar que sou assim
Poeta que sou
Distraída olhando o tempo
E correndo com ele pra não perder nenhum segundo
Roda vida, gira o mundo
E o caminho fica aberto
Para que sonhos mais corretos
Adentrem minha bondade

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Superando a dor de cotovelo

Havia chegado em um momento que eu gostava dos meus escritos, ai chegou um amor e roubou minha inspiração...

Mas as vezes há que se chegou o momento de colocar movimento nas palavras e procurar um outro lugar ausente de lamento.

É findar o ciclo de escritos de solidão e ver brilhar o olhar para o agora...

E o agora não é a história que não foi... é a história simples e bonita, e talvez pouco confusa...

Ou pouco exagerada?

Deixar os exageros e falsidades de lado, olhar pra esses escritos, e entender, que se não houve sonhos construídos e concretizados, é porque tinha algo de ouro de tolo naquele tesouro presenteado.

Ou haviam outras projeções para outras estações...

Chegou um dia que eu parei de ter medo de mudar de planos, e abri espaços para outros espaços... me enjoei do seu traço e também não fiz questão de espetacularizar a vida...

Assumo ainda carente e sofrida, mas disposta a movimentar as palavras...

Não correrei atrás do nada, e quando passar a mágoa, talvez busque algum encontro pra assinalar melhor nossos pontos, de ausência ou presença de textos melhores.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Provocações II

Essa coisa de sentir muitas coisas... de languida a lasciva 
Eu me fiz ativa
Saracuteando nas ruas e flertando com todos
Na verdade eu não aprendi a flertar direito
Aprendi alguma coisa tosca
De fazer cara de cachorro pidão
E esperar o salva-vidas gostosão
Vir com um olhar e um xaveco bobo
E eu quase me afogar em seus olhos

Essa coisa de sentir muitas coisas...
Eu queria ser atriz atuante do palco
Da mudança, da revolta
E dizer que revolta não é dizer-me mulher da vida
Mas mulher da MINHA vida
Sim a mulher mais cretina e feliz que faz cretinices mil
Pra me deixar perdida

Essa mulher da minha vida que sou eu
Senti muitas coisas
Sente muito pelos atores que atuam papéis 
De pessoas sem sangue quente
Uma hora, meu querido amigo,
A máscara cai...
E você grita
E sai, escorre toda aquela tinta
De cinismo
De dissimulação
Você dissimula quase que natural
Que libertação
É não ter preocupação com esse sentir muitas coisas do outro

Senhor falsidade
Pare de incorporar o senhor bondade
E não se trata de moralidade
Ter limites
Respeitar o espaço do outro ser
Algo ao menos especial pra si

Essa coisa de sentir muitas coisas...
Tenho percebido que tenho destruído 
Meus avanços estéticos e poéticos
E quase numa obsessão de dizer 
A todos que estou revoltosa 
Porque o amor não foi aquelas rosas
Que eu sofri com ingratidão

Me sinto uma alienada
Cantando em plena madrugada
Músicas chicletes que ficam tocando várias vezes
E que não saem da minha cabeça
Não me deixam fluir arte
Não me deixam me aprofundar em algo
Me deixam rasa e burra
Como alguém que sente muitas coisas
Que chega a deixar de pensar
De sorrir, de comer, e de rezar
Pra sentir muitas coisas 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

e um pouco inútil

Não que minha vida seja um tédio... pelo contrário, esses rios de lágrimas caudalosos que derramo em cada pesar de, o acaso não ter me sido grato. Ingrato acaso, cercado de previsibilidades.
Não se trata de menos amada, menos desejada, quem sabe mais ferida... a ausência de cuidados feriu  o escudo de proteção, ela protegida pelas próprias mãos viu-se sangrar calada... de fato ela sabia que aqueles não eram amigos dela e que aquele cara era pouco confiável.
Ela dizia olhando nos olhos dele "Eu não tenho ninguém." e ele olhava com uma cara de sabichão e dizia: "Você tem a mim."
De fato ela era muito sensata, pensava ela silênciosa "Grande bosta". Não se é proprietário de ninguém, mais ainda por amor, se é proprietário do amor que se tem pelo outro, e ai sente se é grande ou pequeno, forte ou fraco, pra ficar quanto tempo se dispõe a estar... junto.
Porque o tempo passa, e essas pessoas são volúveis... já fui assim... quem sabe quando fui assim minha vida era menos tediosa, mas eu sinto que era infantil... era algo tal qual não pensar que coisas pequenas ou até grandes podem magoar o outro, que essa coisa de ser livre, implica, ao menos, ser responsável...
Não dá pra dizer o que quer, falar o que quer, falar o que quer e...
Não dá pra transar sem camisinha passar doença pro outro e continuar nessa sequência... achando que tá tudo certo essa ausência de cuidado.

Mas dá pra criar uma fantasia...
Dá pra criar uma fantasia...
Colocar as crias no meio, e achar que tudo era destino... mais criança, mais verso, mais arte...
Eles não eram meus amigos, e se fossem, sentiriam falta, e talvez me perguntassem como estou?
Como o acaso foi ingrato, e como esse estranho, porque de fato estranho que forçou a barra de um intimidade ingrata. E como eu fui ingrata... eu virei as costas e sai andando, abrindo mão de fazer qualquer plano.
Ele dizia que eu tinho a ele, penso o que ia ser de mim se eu tivesse acreditado?
Eu não acreditei, mas pedi a Deus que fosse verdade, que não fizesse essa maldade de dizer amar pra sempre, e virar as costas e seguir a vida, sem se preocupar...

Que mal eu fiz?
Que mal eu fiz?
Não me faz feliz, não me faz feliz ter que lidar com a solidão...
Há tempos não a sentia tão dolorida.
Com cores de amor mal resolvido.
Eu quero ser adulta, e to me vendo criança... sem direção e sem foco.

Não que minha vida seja um tédio, mas ela tá faltando robustez de amor, de verdade... to me sentindo vazia e fútil, e um pouco inútil.


resquícios de saudades

Ficar presente no espaço agora é algo que parece que vem de fora
O dentro tá ali no passado instante
Em que era eu sentada de frente pra sua cara
E dizendo com o olhar que você era joia rara
Que batalha interna
Abrir mão de algo que na cabeça era sonho
Mas na ação era embrolho
Sentimento de que tava tudo errado

Ficar presente, viver o agora, e o que é agora?
É estar no escritório e o dia chuvoso
Lembrar o repouso
De corpos que se amaram outrora
Outra hora você lembra de mim
Me resgata do peito
E diz que quer tudo comigo novamente

E eu fico aqui nessa ilusão indecente
De ver roupas jogadas no chão
Corpos rolando de paixão
E as batidas do coração
Com a respiração ofegante
O olhar lascivante
Mas o amor vacilante
Foi algo volúvel

Como um lustre que caiu do teto e quebrou
Esse foi nosso amor
Substituído por alguma coisa menos rebuscada
Talvez mais simples de ser administrada
Ou talvez mais utopia
Mais conto de fadas

A coisa de amar um adulto
De não ter tempo de ficar caçando assunto
Perde o encanto da paixão
Será que fui eu que não fez manutenção?

Eu querendo ficar agora
Ver a lua, o céu, aproveitar da companhia das amigas
Fico perdida nas lembranças
Do teu cheiro, mãos e devaneios
Fico perdida na minha esperança emoção
Do tempo passar e o olhar esbarrar
Quem sabe eu tropeçar
E de fato me entregar

Ai passado, tolo, que se tivesse dito e feito algo
Mais impetuoso e ardente
Eu teria certamente
Sendo refém de teu amor
Sentindo o seu sabor
Por querer estar contigo agora