segunda-feira, 21 de maio de 2018

Momentos de Ansiedade (perdi as contas)

A cabeça fica fica fica fica fica
Mar-te-lan-do
Eu abraço a amiga, o vizinho e o gato
Eu danço com a parede
E me sinto um largatixa

A cabeça frita fri-ta frita
Eu me irrito com os pensamentos
Os medos
Aquela pulga atrás da orelha
Ele não me ama
Ele NÃO ME ama

Quando vou ter um namoradinho
Gostosinho
Pra me fazer carinho?

Ele não quer fazer sexo comigo
Ele só quer fazer sexo comigo
Ele foi grosso
Ele, ele, ele...

Eu, eu eu ... berrei
Com o meu filho
Com o filho da outra
Eu fui grossa
Eu pisei na poça d'água
E eu fiquei com o pé gelado

Eu eu eu eu quero me esquecer
Não quero pagar boletos
Eu quero ser jovem
Eu to de bode de você...
Mas, me liga por favor!!!

Me liga, que eu quero amô
Eu transei com o amigo da vizinha
Com o ex da prima
Com o amigo do cunhado
Eu transei
E ta tudo errado
Porque você não transa com sua ex-mulher
Porque ela é sua ex!!!
Mas eu fico pensando
Que vocês transam
Enquanto você me liga

Meu coração palpita,
E eu não tomo remédios
Tomo camomila
Tomo banho
E não toma no cu
Porque eu não gosto...


quinta-feira, 17 de maio de 2018

De passagem ( respiros e sussurros de liberdade e crescimento)

Não quero esse lugar de enxaqueca
Que dá dr a todo momento
Quero pular, saltitar, rir e cantar
E com minha criança
Tá difícil acertar
Mas o coração, há de me direcionar

Não quero esse lugar de inquietação sem motivo
Querendo paixão, um amor mais ativo
E a cumplicidade da empatia
As pessoas entenderem que eu decido dia a dia
A rumar e crescer sem rumo

Meu rumo é o amor a mim
Já teve muita dor, quero fim
Essa confusão tem que ser a vida
Tem que ser os desafios naturais
Que implica se entregar

Ausência de coragem, gera tensão
Ausência de desejo, expõe a paixão
E paixão não correspondida
Precisa de desfecho
Vou até a porta, e encaixo a chave no fecho
E tranco meu coração, essa entrada tá fechada

Meu juízo é estar bem comigo
É me ligar que lembrança
É pra sentir página virada
E se der na telha dou uma repaginada
Invento outro príncipe
Beijo um novo sapo
Compro um novo trapo
Mudo de território
Mas nesse contexto
Da história que eu to escolhendo
To mudando de narrativas

Meu limite é o mundo
Com coragem e responsabilidade
Tomo decisões arcando com as consequências
E as vezes quando muita doação
Não gera recompensa
Eu penso que dis-penso
Porque eu sou sincera
Tem busca, e também tem espera
Não tem meia-boca ou mais ou menos

A relação não é binária
Mas a decisão implica ser
Sim ou não, eu não quero saber
De fechar os olhos pensar em você
E você pensar noutra
A narrativa é o agora
Eu quero assim
E não é capricho
É eu gostar de mim...
Pulsante, vibrante, verdadeira...

Se você meu amor tá de brincadeira
Se a sua pílula da felicidade não tá fazendo efeito
Se a minha liberdade
Tá te causando defeito
Eu vou me impor
E não estarei ao seu dispor

Não é hierarquia nem utopia
Aliás tem louça na pia
E eu vou lavar
Eu to amando aprender a não me anular
E permanecer se realmente ficar
A não precisar fugir
E a te encarar
E que só quero você
Se de mim tu gostar

terça-feira, 15 de maio de 2018

Da série cama cheia e alma vazia


Eu não quero garantias
Quero viver como um tropeço
Que a escolha desde o começo
Foi se entregar intensamente
Mas no decorrer dessa escolha
Sinto-te ausente
Querendo habitar outros ninhos
Então, seja bonzinho
E me abandona com coragem
Mesmo que eu seja teu sonho
De passagem, não cheguei nem perto
De ter seu carinho
Eu nua ao seu lado
Fico aflita, me sinto feia, e pouco bonita
Porque minha pele na sua pele excita
Eu tenho sonhos e fantasias
Mas no teu olhar apenas maresia
Se faz ao encontrar o meu
Não queria te dizer adeus
Mas já não tenho tempos pra amor sem paixão
Pouco me importa ter alguém
Que é só pra dizer que eu não to só
No fundo to sozinha
Tentando realizar-me comigo
Quando no fundo tenho um amigo

Que nas horas vagas não posso chamar de desejo

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Pequeno aprendizado materno

Pequeno aprendizado materno
(Epopeia dos encantos de crescer sendo mãe)
Aprendi a ser cuidadosa
Quando olhava uma idosa
Já debilitada e acamada
Olhando-me com olhar de fada
E eu acreditando que seria curada
A vida a curou
Levou lá pra Aruanda,
Fazer renda com outras senhoras
Aprendi a ser cozinheira
Quando diariamente uma guerreira
Ia trabalhar
E ao chegar cansada pra repousar
Necessitava se alimentar
Aprendi a ser mulher
Parindo o mundo
Com ideias e o corpo
Percebendo que as regras que eu queria
Não necessariamente eram as minhas
Tive que escolher
Em alguns momentos gritar
Ser julgada por gemer
E criticada por gozar
Tive que escolher
Vestir-me de bufalo pra lutar
Ter coragem e fé pra mudar
E iniciativa pra recomeçar
E cuidando de mim
Mesmo sem ter o cuidado dos outros
Pra outro ser amamentar
Ver crescer e comigo brincar
E eu ter que aprender que
Em alguns momentos precisava me resignar
Porque a vida é ciranda
E ciranda é pra girar
Tive que crescer, sentir na boca o gosto do fel
Quando ainda menina queria sabor de mel
Amor, esperança, ilusão perdida
Porque a vida bandida foi me roubando o mundo
Foi me levando à fome e a sede de ser
Apenas ser...
Algumas vezes eu chorei
Porque a sociedade machista quis me silenciar
Quis cobrir a minha gana de mostrar
Que eu vim aqui pra chegar,
Desaparecer, e me transformar
Aprendi que às vezes é preciso agressividade
E que o caminhar muitas vezes é só de passagem
Porque a vida é um labirinto
Que exige na andança
Encontrar-se a si mesmo
Sendo brisa, aprendi a ser vento e tempestade
A serenar, e respirar inocência
Controlar a vaidade
E na grandeza das quedas da cachoeira
Respirar tranquilidade
O leito do rio é espelho que ilumina
Te olha sereno, te aumenta a estima
E às vezes o lodo ofusca o reflexo
E o nexo desse olhar
Ao ver o rio que encontra o mar
Está na tensão entre decantar
Ou navegar
Mas em meio ao alto mar
Se no acaso uma mãe sereia te encantar
Cabe uma decisão
De talvez se afogar
E enfim morrer
Pra poder ressucitar