quarta-feira, 17 de julho de 2019

Anseios poéticos de insônia - o retorno


Poesia assassina

Essa madrugada matei um amor
Fui assaltar a geladeira horas depois
E o encontrei no congela-DOR





Pensa-ação de despedida

Se tu fores
Pra onde quiserdes
Sinto que me sobrará muito tempo
Para eu fazer coisas novas
E caso fique entediada dessas
Ou sufocada de compromissos
Posso me vestir da saudades
E visitar-lhe, caso convidada



Rememorações de invernos amados

No olhar a gente não se falava
Cada olho no olho era um tema estranho
Sempre uma conversa doida
(Doída)
De provar o outro a incerteza certa
O incerto de certezas
Como se houvesse um único modo de viver
Quem sabe sim, o único modo de viver
Não era a dois
Pois bem, sua fala era de fúria
E a minha de precipitação
Caminhando e lembrando
Numa manhã gelada
Desses tempos (nostalgia?)
Me sinto afortunada
De sentir o vento gelado
Bem diferente de nossos anúncios cotidianos
De tempestade


Come-dor de paixão

Era alucinadamente perturbador
O jeito que a gente se pegava
Era um brinde
Um samba
Uma cerveja
E pumba!
Nós dois nus
As vezes semi-nus
As vezes que nem avestruz
Me tirou o fôlego
A roupa
E o medo
Me encontrava meio bêbado
Nas esquinas do bairro
E eu apenas sorria
E fingia dançar seu samba-reggae
E dizia me pegue
E as vezes ele me dizia me deixa
E as vezes eu dizia me come





quinta-feira, 4 de julho de 2019

Rascunho poético de constatações artísticas

Introdução: 

Eu alheia aos ditames das plataformas digitais, além de não saber utilizar o blog como forma de divulgação de um pseudo-trabalho que eu nomeio de anseios poéticos, porque apenas anseio ser poetiza, tenho convicção de que não o faço com esmero, nem faço disso local de estudo, é muito mais um vir a ser e dizer coisas que eu penso de maneira a manifestar meu livre pensar.

Assim, no último período venho publicando alguns textos, escritos por imediatismo do tempo, pensamentos que me acometem em meio ao trânsito, junto com minha ansiedade crônica.

As coisas não andam boas para quem quer ser livre, no entanto também assumo que tenho vivido intensamente bons momentos com os amigos e assim sigo, sorrindo e chorando em diferentes momentos.


Constatação:

Em 2018 eu fiz uma escolha, já pensada em muitos momentos, de sair da área da educação corporativa em saúde e retomar para a educação formal.
Essa escolha implicou em mudanças de cidade, mudanças de rotina, e ausências em outra função que desempenho socialmente há quase 12 anos, a maternidade.
Me vi uma mãe de final de semana, com a possibilidade de aprender a cuidar de mim, e mesmo assim cuidando de outros tantos, ministrando aulas para um 2o ano do Ensino Fundamental, e aulas de reforço para diferentes idades.

Percebi minha potência em adaptar-me a diferentes realidades e lidar com situações limites, principalmente a ausência de experiência e o excesso de expectativas.

Naquele momento uma cidade do interior tornava um sonho real, porém o conservadorismo e a iminência de ter no governo federal um grupo de extrema-direita, fez eu repensar minha vida no interior, e entender que fazia mais sentido cuidar do meu interior e revoltar-me ao meu local de fuga constante: São Paulo.


Po-éticas 

Não estou tranquila
Mas minha inquietude me aquieta
Estou cansada
Fico com a mente dispersa
Meu sono não vence
Minha realidade é variada
Sinto falta da estrada
Mas sinceramente
Me coloco diariamente em caminhada
Tenho tudo que queria
Mas não tenho nada
Liberdade é mais-valia
Em solo de alma aprisionada
Se me mantenho ausente
É porque estou desmotivada
E quando presente
Me vejo embriagada

Pausa

A narrativa desse texto que teço em forma de explicação, confissão de minhas escolhas perpassa uma série de acontecimentos que mexeram com algumas certezas. Não as tenho, rumo novamente para constatações que penso naquilo que sou boa em exercer, e vejo que disciplina, apego e dedicação fazem parte desse narrar de fatos.

Não existe uma maternidade humanamente realizável sem apego e ao mesmo tempo negação, a negação auxilia no processo de síntese do possível, e o apego, nos torna humanos pra amar aquilo que se demos vida.

É necessário, com muita humanidade, pensar que nem todo é nossa responsabilidade, mas tomar decisões acerca do que está em nossas mãos, e não estou querendo ser pedante e colocar toda a responsabilidade no individuo, me entendo também como sujeita.


Constat - ação

Ela partiu e voltou, e onde está o seu amor?
Quero que ela cuide do meu machucado.
Não quero que ela tenha namorado
Sinto sua ausência, e invento mil desculpas
Pra poder controlar sua conduta
Sei que ela me ama, mas preciso ouvir
Sofro e choro se ela não está a me assistir

Onde jogo a raiva, e minha tristeza
Não consigo falar a ela com clareza
Ela não tem culpa
Se eu peço demais
Que ela viva para mim e nada mais

Invento coisas novas, que são do meu interesse
Ela não percebe, e se ausenta, está cansada
Ela é sincera, vive embriagada
Sinto vergonha dela, dançando na madrugada

Eu quero seu colo
Quero seu acalanto
Fico emburrado, me desabo em pranto
Ela voltou, está aqui ao meu lado
Mas trabalha o dia inteiro
Tem o tempo ocupado

Eu já cresci, e por isso tudo é novo
Sou o seu silêncio, seu carinho e seu consolo
Ela me acolhe, faz comida e mima muito
Mas ainda assim, eu a culpo

A Artista 

Minha vontade é escrever uma lista de coisas que me fazem ser mais feliz, como música, dança e sexo, mas nesse momento penso em como uma criança pode ser o chamado para a felicidade, como ela pode de alguma forma nos levar pra estados de consciência, que perpassam a escrita fluída, a ida, a volta e a revolta.
A maternidade me liberta e sufoca, e quero acabar esse texto.
Quero orar e agradecer, e tecer perspectivas... fico as vezes sem caminho porque o contexto implica ausência de futuro, como oferecer algo bom, sendo que olho pro todo, e vejo só maldade?
Como fluir nossa verdade, como fazer arte ?
A melancolia me toma, e várias lágrimas derramo ao escrever essas linhas, não sei se de fato trata-se de anseios, ou uma confissão que sei que não tenho tido perspicácia pra poder ser o que devo ser...
E o que eu devo ser?

Estou orgulhosa de algumas escolhas...
Engraçado como as vezes cai no colo histórias pra viver e contar, que são grandes surpresas, tentativas do destino de te fazer louca, e você quase cai nessa, e enlouquece dançando.