quarta-feira, 21 de março de 2018

Tecendo narrativas


Esse texto é um exercício de narrar uma história simples, de coisas que poderiam ser acontecimentos de nosso cotidiano. 



Ela entrou com seu passo de boneca, sem querer fazer barulho, e eu com o sono leve acordei e fui até a sala recebê-la:
- Boa noite.
Ela me olhou e me sorriu, vi que estava ansiosa, bebia a água trêmula.
- Está tudo bem?
Fomos até a cozinha, e ela narrou o dia, as esperanças, o cansaço, com cara de ressaca da vida. De repente começou uma história menos cotidiana:
- Fui beber com um cara. Um estudante de semiótica da PUC. Ele leu meus textos de revista, puxou assunto na rede social, há alguns dias. Gostei do papo dele. Ele me chamou para uma cerveja.
- E como foi?
- Não sei explicar, lembra aquela coisa de não me envolver rápido demais com as pessoas?
Fiz que sim com a cabeça.
- Fiquei impactada, ele foi uma pessoa que me deu vontade de se envolver. Fiquei com medo e pedi um uber. Não sei o que fazer!
- Como assim?
- Queria fugir com ele pra qualquer outra cidade, e sair dançando sonhos.
- Que coisa linda.
- Também acho, mas achei melhor vir dormir, respirar, pensar com calma... não quero atropelos.
- Eu que o diga! - falei me lembrando dos meus problemas, ou da ausência deles. Pensei em sugerir assistir a um filme ou comédia romântica pra continuarmos as análises sobre relações e início delas, mas ao olhá-la vi que ela ainda tremia, estava cansada, e ruborizada, pelo visto a noite foi fantástica, e mexeu com ela.
- Vou dormir. - disse ela.

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No messenger:
- Ele me convidou pra assistir uma aula na USP, você pode dar janta ao Cris?
- Claro. Vai me avisando o horário que volta.
No retorno da aula, ela veio com um sorriso fantástico. Narrou sobre corpos, sobre opressões, sobre conexões que fez com a própria vida, e com as limitações que temos. Estava motivada, queria voltar a estudar. Ele falou de uma especialização. Ela foi pontuando pra mim que gostaria de fazer um mestrado, mas que a possibilidade de uma especialização poderia ser a porta de entrada.
Cris dormia no quarto um sono profundo, Marcos também dormia. Colocamos um som baixinho, desses gostosos de ouvir, e ficamos profundamente se olhando sorrindo. Disse a ela que havia conseguido escrever um artigo, e que iria submeter a uma revista. Ela disse que em momento oportuno poderia revisá-lo. Falei pra ela escrevermos juntas algo.





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