quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre sinto e cinto

A Maternidade (Juan Miró - 1924)
Fui...
Afrouxando o cinto...
Tava apertando.
Que vontade de evacuar (cagar)!
Fui...
Afrouxando o sinto
Tava explodindo
Que vontade de ...
Não posso dizer (xiiii - de silêncio)
É mais fácil cagar do que fazer uma cagada
Entre sinto e o cinto
O primeiro sente muito
E o segundo as vezes pode segurar o sinto
Apertar aquela coisa de mariposa na barriga...
Fazer lembrar que tudo não se passava de gases

Tomei Ciência

Pensei muito sobre o amor
Ai veio a Ciência
Tomei ciência da razão

Sistematizei
Problematizei
Justifiquei
Fiz um bom trabalho
Me formei

Pensei muito sobre a Ciência
Ai veio a Paixão
Tomei ciência da emoção

Lutei
Gozei
Sonhei
Fiz um bom trabalho

Repeti de ano

Simplifica

Simplifica vai
Simplifica vai
Não complica
Menos...
Mais...
Logo mais

Simplifica vai

Promessa


Vou e venho
Venho e vou
quando quero
e também quando pedes

Vou, as vezes
Com frequência
Quando quero
e também quando pedes

Vou, quase todos os dias
A maioria das vezes é porque quero
Tu não me pedes mais
Mas sabe que pode esperar

Resolvi ficar
Por um tempo
Porque quero
Porque você me olha bem dentro

Essas coisas...

e ele desviava o olho dele do fundo dos olhos dela
essa coisa de se perder no mar
era coisa pra marinheiros...

pre-sen-teia-se

querer-se presente
presentear-se

viver de presente
presenteia-se 

Presen teia si

Mudança


Carregou-se algumas coisas
Deixou outras que se quebraram
E o que ficou? 
Algumas rugas no rosto. 

Possibilidades de diálogos feministas: questionamentos preliminares acerca da fala, escuta e do cotidiano.

Sempre me coloquei em defesa dos direitos da mulher, sem muito saber ao certo quais os direitos eu reivindicava, talvez uma questão das vivências que me faz constituir-me enquanto sujeita. Porém ao longo dos anos, em contato com pessoas, porque não quero me referir de forma binária a homens e mulheres, prefiro pensar em pessoas, porque são tantas as possibilidades de ser ou estar algo. Bom, foram algumas dessas pessoas que me colocaram a problemática da questão do gênero e da sexualidade, e sempre tive muitos dedos para tratar do assunto: 1) Porque considero que estou inserida numa sociedade capitalista, machista e homofóbica, e que vários dos meus valores estão inculcados de ideologia dominante; 2) Pela incipiência da discussão que eu tinha travado acerca do tema. Pois bem, hoje percebo que é impossível ser conivente com práticas de controle da moral e do corpo do outro, sei que tenho meus valores, que foram se constituindo historicamente ao longo dos anos, e que tenho dificuldades. Cresci dentro de uma moral cristã, e durante a gestação fiz a opção de ter uma religião, me aproximei da Umbanda, e tenho muito agradecer a doutrina Umbandista e toda a espiritualidade que me cerca. Pois bem, essa é mais uma contradição: como manter valores que dizem respeito ao caráter e travar uma luta contra todas as formas de opressão? Essa é a ideia dessa publicação, pensar enquanto sujeita, e não sujeitada, como estabelecer relações humanas que visam a emancipação? Quais são os reais valores do feminismo. Tenho pra mim por hipótese que eles partem de um viés da interseccionalidade, para pensar as múltiplas possibilidades do ser e estar. No entanto, outras escolhas no âmbito desse processo de constituição do eu foram sendo tomadas, no sentido de pensar uma ontologia, assim, não consigo não considerar categorias como ideologia, alienação e dominação. Assim pergunto: quais as orientações teóricas, que se desdobram em práticas são as mais coerentes para a vida cotidiana? Como me colocar no cotidiano enquanto mãe, mulher, pesquisadora, dona de casa? O paradigma de classe me cabe num contexto em que vivo de um trabalho intelectual? Me insiro num contexto de exploração? Em relação à quais periferias eu sou centro? E em relação a quais centros sou periferia? Devo reivindicar a marginalidade, ou me colocar enquanto intelectual e traçar algumas linhas de análise? Penso que a partir daí, na cotidianidade há que se valorizar, re-significar a escuta e a fala de espaços tipicamente que remetem ao feminino, explicitá-los como espaço de construção coletiva da identidade de gênero e da sexualidade. Pensar como esses espaços tipicamente femininos estabelecem a reprodução de comportamentos/valores/padrões, mas também se colocam como possibilidade de transcender o que já está estabelecido. Sendo assim, como estabelecer nesses espaços de fala/escuta espaços de inter-locução em que as mulheres se percebam. Primeiramente considerar e explicitar privilégios que podem tornar umas e outras, e quando me refiro ao gênero feminino, também penso a possibilidade do outrxs estar inserido nesse contexto, sendo esse outrx um corpo que se reivindica ser feminino, masculino ou transgênero; Retomando, reconhecer privilégios é reconhecer que classe social, raça, gênero, deficiência, maternidade, entre outras questões nos diferenciam, mas também nos aproximam, porque enquanto construção da identidade buscamos esse local de fala/escuta. Em alusão a Escolástica, podemos pensar que esse local de fala/escuta, enquanto espaços de conversas, fofocas, confidências, se constituí como espaço tipicamente feminino que retoma a ideia do confessionário; temos que confessar a alguém nossas práticas desviantes; a confissão em primeira instância se coloca como espaço de aprovação e redenção. Grupo de pessoas ao se colocarem em diálogos, muitas vezes buscam nesse processo de fala e de escuta, ter seus comportamentos aprovados socialmente e se necessário, a redenção principalmente ao que se possa se considerar comportamentos desviantes. Me pergunto como romper e re-significar esse espaço? Percebo que  há outras condicionantes que apontam possibilidades: tratar problemas/temas do âmbito do que convencionou-se ser privado, de maneira pública, dialogada; racionalizar temáticas que as convenções estabelecem que são do ponto de vista do emocional, dessa forma subjetivas, e de difícil objetivação; elaborar sínteses coletivas das experiências; propor práticas e justificativas alternativas aos problemas vivenciados. No entanto, retomando o ponto de que estamos imersos numa formação social em que o preconceito é constituído como forma de separar, hierarquizar, diferenciar e controlar os seres, as limitações desses espaços de fala e escuta estão em: cientificar um conteúdo que pode ser tratado no âmbito de saberes populares, e dessa forma, dificultar as possibilidades de inter-locução, ou mais, a ação de cientificar a discussão acarreta ainda a valorização de um pensamento etnocêntrico, eurocêntrico, pautados em valores que não contemplam as subjetividades presentes nesse espaço, e reforça valores dominantes; subjetivizar e relativizar os problemas, não indo no cerne da questão, naquilo que é radical, e dessa forma cair numa perspectiva multiculturalista, em que tudo pode, e que não há determinações materiais para as possibilidades desses seres se humanizarem coletivamente; reproduzir a prática da fofoca, da culpabilização do indivíduo, do controle do comportamento, quando nesses espaços prepondera a auto-ajuda, o aconselhamento e não a troca; e em última instância reproduzir práticas de opressão...

Esse texto trata-se de um primeiro esforço teórico-prático da blogueira pensar sobre feminismo. Apontei inicialmente algumas questões acerca de onde falo e quem eu sou, e da minha experiência com o feminismo. Hoje eu reivindico o feminismo como forma orgânica de se pensar ações para além de relações binárias, de dominação e opressão da mulher, mas considerando que o debate feminista transcende o debate de gênero, e permite outras intersecções, como a questão da androgenia, da homofobia, da sexualidade, e outras tantas condicionantes. Penso a limitação que tenho pelo contato recente com textos feministas, mas tenho feito o esforço diário para desconstruir tais práticas de opressão/dominação/coação. No entanto, a prática da confissão como maneira de garantir nas minhas relações sociais o respeito, a construção da minha subjetividade tem me tirado o sono. Tensionar o que é público, o que é privado, a constituição das identidades, a alteridade, processos emancipatórios de autonomia, mas sempre considerando o outro como determinante na construção do eu tem sido constante. Não consigo ainda partir da análise do individual, adentrar profundamente matrizes de discussões existencialistas/estruturalistas, porque pra mim a questão social determina uma série de escolhas.
Por fim, trata-se de um esforço de reflexão, apenas...

domingo, 13 de outubro de 2013

Esperança


E ela o fitava diariamente, com aqueles olhos de malícia, que o incomodavam, o assustava, ela disfarçava dissimulando o sorriso, mexendo no cabelo, esperando que sequer ele reparasse seu interesse, mas era bobagem, porque ela sempre tocava com as pontas dos dedos suas coxas, num gesto de suposta ingenuidade.
De fato ela poderia ser considerava ingênua, por querer tanto se aproximar de alguém como ele, porque bem, na vida em que as relações são de trocas simbólicas, ele pouco poderia oferecer-lhe a não ser as utopias e os sonhos de alguém que quer mudar sua condição de vida;
Blablás acadêmicos, para ela os dele não eram enfadonhos, não eram mesquinhos, eram talvez presunçosos, e talvez ele fosse presunçoso em sempre estabelecer limites entre o corpo dela e o dele.
Mas naquela noite ele sequer se deu ao empenho de repulsa-la, ela com ar de pidona fez com que as mãos e braços dele enlaçassem seu corpo, ele pediu que ela deitasse por cima de seu corpo e lhe oferecesse os beijos que guardara com tanto carinho.
Ele deslocou a boca para os biquinhos do peito ouriçados, e ficava a vasculhar com as mãos os pelos de sua genitália... ela também com as mãos procurava no sexo dele, e ele aos poucos pulsava nas mãos dela, geladas...

E ela o fitava diariamente, e ele fugindo do olhar de lembrança daquele corpo nu em seus braços... ele queria trazer o corpo dela de novo ao corpo dele, mas tinha medo que a ansiedade acabasse com a esperança... 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Notas desonantes

Ruídos...
O mensageiro dos ventos no parapeito da porta me lembra:
Estou sozinha...

Silêncios
Me falam coisas e eu apenas escuto
Sinto a confusão

Barulho
Ocupavam vários espaços da minha casa...
Sala, quarto, sons...
Agora está tudo desocupado

Vazio
O ruído vai preenchendo
Música...
Barulho do coração

reticências

Inconstâncias
Sensações
Perdas
Luto
Relutâncias
Mágoas
Medos
Sentidos aguçados em momentos conturbados...
Apenas sentidos?
Apenas palavras?
Apenas ruídos?
Apenas um encontro?
Fluidos
Trocas
A língua quente
O gosto amargo

Perturbações inconstantes... 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Há casos, acasos, a-casos...

Os acasos acontecem a todo o momento, à surdina da noite, na madrugada, na correria do dia a dia, tenho dificuldades de perceber quando são acasos, quando realmente são casos, premeditados, ocorridos, realizados, e quando não acontecem, só ficam na mente do outro.

Quem seduz primeiro o outro? Ou são uma coincidência duas pessoas que acabaram de sair de um relacionamento se sentirem atraídas? Uma causalidade? É causal estar sozinho, e se interessar por alguém. Isso é fato, estar sozinho, querendo vivenciar novas experiências é condição para que elas aconteçam, estar aberto para as oportunidades.

anseios de noites de luar

Ela se sentia como uma menina, lembrando nostálgica da boca mordiscando o bico dos seus seios... as coisas não aconteceram como ela imaginava... Por vezes ela sonhou com aquela pessoa a tomando, fortemente, arrancando suas vestes, e servindo-se de seu corpo...
Tinha vezes que os sonhos eram vários, e acordava úmida, transtornada, pensando que aquilo não passava de um desejo... porém romântica, se algo acontecesse, independente de ser bom o ruim, poderia nutrir um sentimento. E assim foi. A nostalgia se fazia presente em pensar em permanecer junto... 
O corpo do outro? Corpo de gente, cheiro de gente, gosto de gente... De gente que você quer cuidar, que você fecha os olhos e sente cada toque do lábio... sedenta... de amor...
Por isso se sentia menina... não era a lembrança de um mastro grande, rígido, e forte, a penetrando e a deflorando... pelo contrário, rompia com todos os padrões de virilidade construídos, e que nós mulheres construímos em nosso imaginário a figura desse corpo viril de dar prazer... porém era imensurável o prazer que sentiu-se ao ser abraçada, beijada...
As mãos dele eram quentes,  ásperas, mas a tocavam como plumas delicadas... 
Ela ficava nostálgica lembrando cada sorriso trocado, sentindo o cheiro que ficou em seu lençol que não teve coragem de trocar, para que de alguma forma, pudesse senti-lo por perto... 

Possíveis verdades Parte II

- Me beija! – falou ela colocando as mãos dele sobre seus seios. Ele os apertou
com força e foi descendo o rosto em direção a eles, e os beijou, os chupou, deixando-os
ouriçados. Ela sentiu que estava vermelha, quente, e as pernas foram se abrindo, ela
desceu as próprias mãos na altura de seu sexo, e começou a se tocar.
Ele achou irresistível vê-la tocar-se, e foi beijando seu ventre, até chegar em sua
vulva, e a beijou como quem beija uma boca, que procura todos os gostos e cheiros
naquela boca de mulher. Ela soltou um gemido, puxou o rosto dele em direção ao seu
rosto e o beijou, trocou de posição com ele, o jogou na cama, e aos poucos foi
colocando o preservativo nele.
Após colocar o preservativo, foi descendo devagarinho, se encaixando, querendo
sentir ele dentro de si.
Ele não acreditou que via aquela cena, ela em cima dele o cavalgando. Uma
doçura, e uma quentura, e uma paz. Um pouco de medo, mas um medo de ter o prazer
de vê-la gozar.
Trocaram de posições até fazer muitas das que tinham vontade, e que lhe dariam
prazer, até que em um momento de cumplicidade, troca de horários, beijos e carinhos,
os dois se viram mortos, um em cima do outro.
Ela desfilou nua na frente dele em direção da sala e voltou com um maço de
cigarros. Acendeu um para ela e outro para ele:
- Pegue.
Pegou um cinzeiro e deu na mão dele. Olhou para o cigarro que fumava, mas
evitou olhar no rosto dele.
- O que foi? Você está bem?
- Acho que eu me precipitei.
- Eu não respondi a você, mas eu não tinha medo de me arrepender. Eu não me
arrependi. Deveria ter acontecido antes.
Ela olhou firme pra ele, surpreendida.
- Como assim?
- Você é assim, paixão! E fica se controlando, com medo de magoar as pessoas.
- E isso que fizemos, não poderia magoar alguém?
- Pode magoar alguém sim, mas se não fizéssemos, talvez não iria magoar
alguém? Porque você pode se magoar?
- Eu não estou me magoando...
- Não agora... espero, que esteja feliz agora...
- Como assim? – respirou fundo. – Eu também quis estar com você, porque eu
gosto muito de estar com você.
- Eu também, não sei se é muito, mas é verdade.
Ela respirou firme, abraçou ele, pegou o notebook do chão, colocou uma
camiseta, ele também colocou, se apertaram na cama, e continuaram a assistir o filme.

Possíveis Verdades Parte I

Ele entrou na cozinha, viu que ela se matava em arrumar as coisas, limpá-las
para poder lhe fazer um bolo. Ele riu da cara dela, pegou a vassoura da mão dela e
falou:
- Fique tranquila que irei te ajudar!
Ela apenas sorriu, e começou a limpar a pia, separar ingredientes, ligar o forno, e
ferver uma água para um café.
- E como foi o trabalho? – perguntou ela querendo puxar assunto.
- Suave.
Começou um papo tranquilo em que cada um foi contando do seu dia, das coisas
que fizeram, foram se lembrado dos feitos e rindo.
De repente a cozinha estava limpa e arrumada e o café estava acabando e o bolo
estava quentinho...
Depois da conversa leve sobre o dia que tiveram, ao sentarem para comer o bolo,
a conversa tomou outro rumo...
- O que foi? – perguntou ela.
- Saudade, tristeza, misturado com uma vontade... vontade de não pensar em
nada.
Ela deu um sorriso tímido, enfiou um pedaço de bolo na boca, cobrindo a boca
com um guardanapo para mastigar, ele fez o mesmo, mas sem a sutileza do guardanapo.
Já terminado de mastigar:
- Eu te entendendo. O tempo todo fico sentindo-me assim, com saudade, tristeza,
vontade da vida. Uma enorme vontade da vida que eu sinto, e quando acho que devo
parar de pensar sobre minha vontade, sinto que estou com medo da vida.
Ele pensou que somente ela falaria de coisas simples complicando tanto as
coisas com vários dizeres, mas sabia que de fato ela o entendera.
- Eu queria muito estar aqui com você, sabia?
- Eu também, senti saudades de você, gostei que viesse. – falou ela
demonstrando seu carinho e respeito. – Eu estava curiosa com sua viagem, saber como
você estava, gosto de conversar com você, você é um garoto papo bom!
Agora para ele, ela não havia entendido do que ele queria lhe falar. Eles
comeram mais pedaços de bolo, e ela falou:
-Você está muito quieto. E não tem bolo na boca. O que acontece?
- Esse lance de eu querer estar perto de você.
Ela ao ouvir essa frase, engoliu seco o pedaço de bolo que mastigava, mas
manteve sua pose de desentendida, e respondeu:
- Ou baby, me de um abraço, muito gentil de sua parte. Também gosto de querer
estar perto. – deu um abraço nele. –Não vejo problemas em querer estar perto de quem
se gosta... apesar que acho que suas aventuras o fizeram se concentrar em outras coisas
do que ficar próximo dos seus. – falou ela num tom irônico.
- Eu sei, as vezes acho que não valorizo bem os meus, ou quando estou longe
parece que não sinto saudades, só quando estou perto é que percebo a falta.
- Mas não confunda falta com saudade, pra mim elas são distintas.
Ele ficou quieto pensando, e ela foi levando facas, copos, pratos para a pia, ele
levantou e foi ajuda-la. Ele pegou a louça pra lavar e ela guardava, de vez em quando os
olhares se cruzavam, os braços se encostavam.
- Vamos, continue senhora sabe-sabe, e explique a diferença. Acho que posso
até advinhar... Sentir falta é um costume, e não saudade?
- Pode ser algo do tipo, agora você me pegou... não sei explicar.
- Pois bem, de alguns meus eu não senti saudade, de você eu senti. No entanto
quando cheguei aqui vi o quanto essas pessoas me fazem falta, mas também senti como
queria ficar perto de você.
Ela respirou fundo e falou:
- Vamos pra sala?
Ele lembrou que a sala dela também estava um caos, que os únicos cantos
possíveis de se ficar naquela casa eram a cozinha e um dos quartos...
- Ah, mas lá não tem TV...
- Poderíamos assistir um filme no seu notebook.
- Comprei um filme essa semana, eu não assisti inteiro. Mas para ser no
notebook, temos que assistir juntinhos na cama de solteiro.
- Por mim não tem problemas. – falou ele com uma cara de malícia.
Eles se ajeitaram na cama, pernas sobre pernas do outro, ficaram bem pertinho, e
colocaram o filme. Começaram a assistir silenciosos, ele com a mão no cabelo dela, e
ela com a mão na cintura dele.
- Você apronta muito.
- Eu sei que a tristeza tá passando. – falou ela dando um beijo na nuca dela.
- Não faça assim, você pode se arrepender.
Ele olhou nos olhos dela, tirou o notebook do colo, e colocou de canto no chão,
ela ficou olhando ele sem dizer nada, segurou as mãos dela com as dele. 
- De que? Algo que você queira me dizer?
Ela olhou firme nos olhos dele, olhou para a boca dele, as mãos dele puxando as
suas pra perto dele, solto uma das mãos, e colocou elas no cabelo, bagunçando-o, como
se não entendesse o que estava explicitado. Ele ainda insistiu:
- Algo que queira fazer? 
- Sim, algo que eu quero muito fazer. – ela então colocou suas mãos no pescoço
dele, aproximou o rosto, e tocou os seus lábios na boca dele, ele simplesmente segurou
firme na cintura dela e foi se rendendo ao beijo.
As pernas foram se esticando, e o corpo foi se encaixando, as mãos também
foram escorregando, entre pernas, coxas, bundas, costas, peitos. As roupas foram sendo
arrancadas, um pelo outro, e mesmo com o frio, sentiram uma tremenda vontade de
ficarem nus.
- Você é linda!

De passagem

De repente você acorda e se vê em um pesadelo, para aguentar esse pesadelo você passa a entrar num labirinto, procurando a saída cria um conjunto de regras, ações, objetivos, projeções, entre outras coisas que você nunca imaginou fazer, ou ainda inventando um personagem que está entro de você...
Você passa anos nesse labirinto e percebe simplesmente que o mundo mudou, olha-se no espelho e percebe-se mais velha, cansada, desanimada sem ânimo...
Como retomar esses anos? Você realmente perdeu-se no labirinto, ou entrou inconscientemente para se achar?
Começa a tentar reviver coisas de forma nostálgica, ou realmente todas essas novas ações para se reestruturar no mínimo são novidades?
Como conter a ansiedade das possibilidades que essa vida lhe reserva?

Um bom motivo para viver é aguçar a percepção acerca da vida e do mundo, olhar o mundo com olhos de ver, sentir a vida a flor da pele...

Porém a paciência, idade, maturidade, experiência de vida vai aos poucos te ajudando a matizar, as pessoas também contribuem demais para esse processo que é a vida...

Mas, há momentos em que a solidão é necessária, que há demasiadamente necessidade de estar consigo...
E enfrentar o medo de sair do labirinto, e de repente, entrar em outro, se assim os percalços da vida fizerem...
Trata-se de uma crença em destino? Ou uma valoração do tempo enquanto grandeza que raciona uma série de ações...

Nunca me dediquei a estudos do ser e da alma, mas me sensibilizo com as sensações que a vida e as pessoas podem despertar uma nas outras...

Por fim termino esse post com um poeminha que escrevi pensando em flores:

De passagem

entre várias flores desenhadas no papel
os vários riscos dos desenhos que eu nunca fiz
estão as palavras de uma romântica
que se tranca no quarto e escreve poesias 
porque ainda não conseguia fazer da vida uma 

entre vários caminhos turvos
entre notas desonantes 
aquelas notas que eu nunca aprendi a tocar
aqueles caminhos que com dificuldade eu andei,
tranquei-me no quarto como romântica e outras flores eu desenhei

entre as várias flores que eu vislumbro ter
tatuadas no corpo, ou marcadas na alma
algumas murcharam...
foram presenteadas há tempos
e como não eram de plástico, morreram

entre a razão e sensibilidade
dedilhando sutilezas da vida cotidiana
eu me coloco como humana
e arrisco a errar
a trancar-me no quarto
deixar a vida passar
observando algumas flores pela janela