segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

e um pouco inútil

Não que minha vida seja um tédio... pelo contrário, esses rios de lágrimas caudalosos que derramo em cada pesar de, o acaso não ter me sido grato. Ingrato acaso, cercado de previsibilidades.
Não se trata de menos amada, menos desejada, quem sabe mais ferida... a ausência de cuidados feriu  o escudo de proteção, ela protegida pelas próprias mãos viu-se sangrar calada... de fato ela sabia que aqueles não eram amigos dela e que aquele cara era pouco confiável.
Ela dizia olhando nos olhos dele "Eu não tenho ninguém." e ele olhava com uma cara de sabichão e dizia: "Você tem a mim."
De fato ela era muito sensata, pensava ela silênciosa "Grande bosta". Não se é proprietário de ninguém, mais ainda por amor, se é proprietário do amor que se tem pelo outro, e ai sente se é grande ou pequeno, forte ou fraco, pra ficar quanto tempo se dispõe a estar... junto.
Porque o tempo passa, e essas pessoas são volúveis... já fui assim... quem sabe quando fui assim minha vida era menos tediosa, mas eu sinto que era infantil... era algo tal qual não pensar que coisas pequenas ou até grandes podem magoar o outro, que essa coisa de ser livre, implica, ao menos, ser responsável...
Não dá pra dizer o que quer, falar o que quer, falar o que quer e...
Não dá pra transar sem camisinha passar doença pro outro e continuar nessa sequência... achando que tá tudo certo essa ausência de cuidado.

Mas dá pra criar uma fantasia...
Dá pra criar uma fantasia...
Colocar as crias no meio, e achar que tudo era destino... mais criança, mais verso, mais arte...
Eles não eram meus amigos, e se fossem, sentiriam falta, e talvez me perguntassem como estou?
Como o acaso foi ingrato, e como esse estranho, porque de fato estranho que forçou a barra de um intimidade ingrata. E como eu fui ingrata... eu virei as costas e sai andando, abrindo mão de fazer qualquer plano.
Ele dizia que eu tinho a ele, penso o que ia ser de mim se eu tivesse acreditado?
Eu não acreditei, mas pedi a Deus que fosse verdade, que não fizesse essa maldade de dizer amar pra sempre, e virar as costas e seguir a vida, sem se preocupar...

Que mal eu fiz?
Que mal eu fiz?
Não me faz feliz, não me faz feliz ter que lidar com a solidão...
Há tempos não a sentia tão dolorida.
Com cores de amor mal resolvido.
Eu quero ser adulta, e to me vendo criança... sem direção e sem foco.

Não que minha vida seja um tédio, mas ela tá faltando robustez de amor, de verdade... to me sentindo vazia e fútil, e um pouco inútil.


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