quinta-feira, 26 de março de 2020
trechos de um livro em pensAção
A sereia que não sabia nadar ( corte transversal de ideias de conteúdo)
De repente havia um oceano de possibilidades, seus gatilhos de vítima deram passagem a um olhar marinheiro fazendo de seu ventre porto:
- Não precisa preocupar-se em voltar só.
- Já não vou até determinado lugar porque sei de onde e como posso voltar sozinha!
- Vem e vai comigo!
Ela olho emismecida, mas com coragem pra permitir sair de si por um momento. Deu a mão ao viajante que parecia passageiro querer fazer morada em suas águas, não cristalinas, de choro e de tormenta.
Pausa para elucidar:
As noites e luares não foram de sonho e tranquilidade, de repente, mesmo na calmaria de conseguir nadar em alto mar, agora alto mar da periferia cheia de contradições, em que ela se via útil, remando contra a maré de preconceitos, esse novo marinheiro que se colocava parceiro na navegação, a perturbava. Queria confiar num amor doado de graça, mas sentia perturbação, sonhos persecutórios, uma sensação de falsidade naquilo que vivia. Querer ser sereia sem nadar, parecia farsa, mas farsa maior era agora o abandono do sereio, dar lugar a um marinheiro que mal sabia conduzir o próprio remo...
Ela calma tentou paciente conduzir esse marinheiro a algum lugar de sensatez... talvez fazê-lo entender que amor é mais do que dizer Eu te amo, é se fazer presente num oceano de complexidades que demanda ao menos cuidado.
quarta-feira, 25 de março de 2020
Falsidade
Amor... dizer de amar é algo tão simples
Uma oração resumida em três palavras
Me parece amarração pra ocupar solidão
Ou quem sabe opressão
De machista inseguro que não sabe o que quer
Dizer namorado
Cercar aquela mulher
Esperar na porta da escola pra definir pra onde ela vai
Mas quando não tá com ela ele trai
Mas quando não tá com ela sua insegurança o domina
Ele querendo sair do esteriótipo machista
Do cara que sai jogando beijo pra todo olhar
Diz a ela : não vou te magoar
Diz a ela: agora tem companhia pro seu caminhar
Mas não tem responsabilidade
Apenas o seu amor é sinônimo de vaidade
Caminhar com a moça
Inteligente, sensata, liberta, emancipada
Que não quer jaula
quer camaradagem
Finge entender feminismo
Pra não perder a sacanagem
Que faz com ela, faz com a outra
Faz com todas que te dão moral
E quando é pego
Se faz de bom moço
E some colocando ponto final
Se faz de bom moço
Oferece o desgosto
Da moça ter tido uma relação banal
Uma oração resumida em três palavras
Me parece amarração pra ocupar solidão
Ou quem sabe opressão
De machista inseguro que não sabe o que quer
Dizer namorado
Cercar aquela mulher
Esperar na porta da escola pra definir pra onde ela vai
Mas quando não tá com ela ele trai
Mas quando não tá com ela sua insegurança o domina
Ele querendo sair do esteriótipo machista
Do cara que sai jogando beijo pra todo olhar
Diz a ela : não vou te magoar
Diz a ela: agora tem companhia pro seu caminhar
Mas não tem responsabilidade
Apenas o seu amor é sinônimo de vaidade
Caminhar com a moça
Inteligente, sensata, liberta, emancipada
Que não quer jaula
quer camaradagem
Finge entender feminismo
Pra não perder a sacanagem
Que faz com ela, faz com a outra
Faz com todas que te dão moral
E quando é pego
Se faz de bom moço
E some colocando ponto final
Se faz de bom moço
Oferece o desgosto
Da moça ter tido uma relação banal
Presente em forma de concha
Era algo sorrindo faceiro,
De repente olhou nos olhos e disse querer ficar
Mas presente do mar
No corpo de gente
Retorna pro mar na forma de peixe
Delírio, suspiro, incerteza, impulso
Nos braços da terra
Encostado na alma de carvalho
Sorriu sorriso de melancolia
E percebeu que toda rigidez e segurança
Frente a demandas maiores
Do tempo, acaso, destino
[talvez farsa]
Pudesse quem sabe quebrar
Rendeu-se a sinceridade
Sensatez de querer se fazer de passagem
E apenas lhe doou
Não como migalha
Mas como presente na forma de concha
Um longo silêncio.
De repente olhou nos olhos e disse querer ficar
Mas presente do mar
No corpo de gente
Retorna pro mar na forma de peixe
Delírio, suspiro, incerteza, impulso
Nos braços da terra
Encostado na alma de carvalho
Sorriu sorriso de melancolia
E percebeu que toda rigidez e segurança
Frente a demandas maiores
Do tempo, acaso, destino
[talvez farsa]
Pudesse quem sabe quebrar
Rendeu-se a sinceridade
Sensatez de querer se fazer de passagem
E apenas lhe doou
Não como migalha
Mas como presente na forma de concha
Um longo silêncio.
segunda-feira, 23 de março de 2020
Da série anseios poéticos em tempos de isolamento
Paragrafia poética
Literatura da madrugada
A bailarina em seu arabesco
fascinava o soldadinho perneta. Para ele pareciam iguais. Sendo assim a paixão
correspondida era uma certeza. De fato a jornada de ambos pelo amor
correspondido dizia muito mais de conhecer a si próprios. O final, seus restos
brinquedais juntos numa lareira me refazem a percepção do que está por vir quem
sabe, sonhos de uma humanidade purificados no fogo.
Da série anseios poéticos de isolamento
Paragrafia poética em tempos de
coronavirus
Desfocado, opaco, translúcido,
neurose e necrose coletiva, a falta de irradiação solar me rendeu uma espécie
de brotoeja ou algo que poderia chamar de urticária. O prurido na pele me
lembrou a ausência do penumbre noturno, do tiquetatear dos passos apressados e
ritmados dos sequestros para os leitos. Os leitos de presença e ausência, de
paixão, luxúria e um pouco de hesitação. A ausência da adrenalina dos encontros
furtivos me incidiu essa translucidez dos pensares e sentires. Não há
desespero, apenas uma espera sem prognóstico do que estar por vir. O alumiar do
arco-íris me traz esperança, mas à ausência de tempestade me traz medo. Alguém
vê relâmpagos no céu? O barulho do trovão me acalmaria. As roupas todas
arrumadas aguardam saídas... as famílias desconsoladas aguardam saídas...
faltam abrigos e a opacidade mergulha o imaginário coletivo. Avisto cores pela
janela.
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