sábado, 27 de fevereiro de 2016

Curtas

Falaria
Ousaria
Usaria

Iguaria

ANGUSTIAS PERMANENTES II



ENCANTO DOS PÁSSAROS QUE HABITAM A MENTE???

Encantos e prantos
Confeccionam mantos
Recitam mantras ao vento
Soltam suspiros constantemente
E hesitam levemente
Encantos  e tantos
Olhares perdidos
Sorrisos selvagens
Histórias aflitas
Não quero fazer dos versos  flores mortas
Ou pétalas caídas
Não quero jogar belas palavras ao vento
E não sentir ao lê-las o respirar da vida
Quero fazer versos saborosos
Com gosto e cheiro de malícia
Confeccionar alguns mantos
Ao ouvir vozes
Que as vozes me levem para o além
O além-sofreguidão
O além prantos
Tecer uma colcha de encantos
A partir dos mosaicos
Transfigurados de gente
Encantos e santos
Banhados de fé
Criados no cotidiano
Transformados em mito
Seus sorrisos
De tristeza
Seus olhares de sal
Seu sabor de sangue
Recitam prosa, filosofia, estética
A estética do devir
A poética do não dito
Os encantos daquilo quisto
Os pássaros que habitam a mente


ANGUSTIAS PERMANENTES I

Desabafos

Ensaiar palavras a serem ditas
Esboçar versos a serem rimados

Esperar encanto entre os leitores
Que se sintam contemplados com meus dizeres
Que se sintam encantados em meio à desabores
Que entendam que sou amadora e não poeta

Rascunhar sentimentos em corpos
Desenhar com dedos dizeres

Esperar amor do amado
Que se sinta tocado pelos meus dizeres desenhados
Que se sinta tocado com os sentimentos em rascunho
Que entenda que sou amadora e não poeta

Desabar em lagrimas no papel
Criar ideias a serem escandalizadas

Esperar o acolhimento do papel
Que ele não se escandalize com meus versos
Que ele me auxilie na falta de rima

Que entenda que sou amadora e não poeta

Da espera e da busca: poéticas experimentadas


Acredito que textos sempre podem ser editados. Pelo menos, não me proponho escrever de forma estática, com a ideia de que acabou impossível mexer nesse texto. Pelo contrário, me sinto muitas vezes num processo de experimentação da escrita similar a uma criança, que conhece a estrutura do texto, planeja uma ideia, mas começa a ficar difícil de desenvolver e desiste.
Sinto a muitos anos que tenho buscado algo dentro de mim, e em alguns momentos tento descrever essa busca interna... esse texto é algo começado sobre essa busca...

Da espera e da busca

Fiquei quase vinte anos,
Procurava, olhava para os cantos
Havia um pouco de poeira
A estante era arrumada frequentemente
Mas a poeira...  assim como as cinzas de um passado permaneciam
Passaram tantos [...] tantos...
E foram apenas paixões,
Daquelas que se esquecem com um novo verso,
E a procura se fazia, diariamente...
Levou vinte anos para perceber
Como aquilo que eu esperava
Aparentemente distante
Fazia-se presente,
Em todos os dias de minha vida
A sensação que eu tive
É que tanto esperei
Que não vivenciei intensamente

Aquilo que tinha de mais precioso [...]

(TEXTO ESCRITO ORIGINALMENTE EM AGOSTO/2013)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Anseios poéticas de uma noite suja

Era madrugada de um dia qualquer... talvez dias próximos ao carnaval.

Eu imaginava que com os anos as madrugadas se tornariam mais curtas, quase que inexistentes, no entanto, veio a idade, os filhos, as rugas, e as madrugadas se tornaram mais frequentes e longas, com menos emoção e um grau maior de ressaca.

Nas madrugadas não há encontros, não há fantasias... há muita sujeira.

No carnaval talvez mais fantasias, físicas?

Os bailes de carnaval são banais... nada de estonteante em serpentinas e confetes...

Ensaio várias vezes algumas palavras de flerte, mas elas tem se resumido em "Eu tenho escolha" e "Não quero isso pra mim".

Não consigo paquerar, muito menos me colocar numa situação de presa, aliás tenho tido preguiça de sair pra caça.

As madrugadas longas tem se resumido em boas risadas com amigas da mesma idade... que outrora eu acharia velhas, e agora acredito serem as pessoas mais joviais e espirituosas que conheço.

Assim como eu se revoltam com a sujeira das ruas e dos olhares... e quando o desejo é intenso, estão preparadas para um beijo e nada mais, e quem sabe uma boa trepada com uso de preservativo, aliás dois preservativos: não pegarem doenças sexualmente transmissíveis e não contrair nenhuma doença emocionalmente sofrível.

Paixões de carnaval são para acabar na quarta-feira de cinzas.

Aliás, a maioria das paixões que não são de carnaval acabam na segunda-feira, depois do final de semana empolgante.

Na real, paixões, concebidas com requintes cruéis de fogo e malícia estão raras.

Assim, como relações mais sólidas e duradouras, também são raras. Essas estão cada vez mais presente nas amizades, e ausentes naquela coisa afetuosa de coração palpitando, mãos geladas, e barriga cheia de mariposas.

As noites estão sujas, de olhares que nem trazem a limpeza da malícia... até na malícia havia pureza, agora a conversa mecânica, o olhar bem objetivo, se despiu de malícia e deixou espaço para o oportunismo.

Na malícia havia fantasias. Nas fantasias, de carnaval, cada vez menos criativas, há vazios... ocupados por sujeira?