quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Poesia de despedida sentida

Sem ida, com volta
Me envolvo em caracóis reluzentes
Luz que brilha entre os dentes
Sorrisos, e risos de sonhadores indecentes

Eu segui o coração
Quem sabe mais a intuição
Eu chorei um tantão
Porque não queria ir não
Pra cá
E cá estou
Num chororô
Acho que dessa vez fiz e plantei amor
No coração de um mundão de flor

Nessa estadia
Teve luta, teve rebeldia
Combinados com histeria e loucura
Do tédio e do frenesi
Do trabalho e do dormir

Part-ida, parte envolta
Na volta da vida
Estou me sentindo
Sent-indo
Reconstituída
Como se um encontro totalmente
no escuro
Me trouxe parte da luz que eu procuro

Agora sei, como já tinha de hipótese
Que está muito mais em mim
Essa dose
De embriagar meu corpo e alma
De algo que é tortura e calma
Que é ser quem sou
Em qualquer lugar que vou

Sem-ida eu me sinto aflita
Indo e indo como sempre vou
Rodopiando e me enrolando
Com um io-iô
E clamando as minhas yaôs
Que cuidem de sua filha que lhes clama proteção

Apesar da nação estar repartida
Entre amor e ódio
Eu subo ao pódio
De vencer a vida
Pela vida
Na luta entre vida e morte
Agradeço ao invés de pensar na má sorte
E controlando a mania
Os excessos
Eu louvo e peço
Para que em toda a dor
Eu esteja inteira


Nenhum comentário:

Postar um comentário