Eu me fiz ativa
Saracuteando nas ruas e flertando com todos
Na verdade eu não aprendi a flertar direito
Aprendi alguma coisa tosca
De fazer cara de cachorro pidão
E esperar o salva-vidas gostosão
Vir com um olhar e um xaveco bobo
E eu quase me afogar em seus olhos
Essa coisa de sentir muitas coisas...
Eu queria ser atriz atuante do palco
Da mudança, da revolta
E dizer que revolta não é dizer-me mulher da vida
Mas mulher da MINHA vida
Sim a mulher mais cretina e feliz que faz cretinices mil
Pra me deixar perdida
Essa mulher da minha vida que sou eu
Senti muitas coisas
Sente muito pelos atores que atuam papéis
De pessoas sem sangue quente
Uma hora, meu querido amigo,
A máscara cai...
E você grita
E sai, escorre toda aquela tinta
De cinismo
De dissimulação
Você dissimula quase que natural
Que libertação
É não ter preocupação com esse sentir muitas coisas do outro
Senhor falsidade
Pare de incorporar o senhor bondade
E não se trata de moralidade
Ter limites
Respeitar o espaço do outro ser
Algo ao menos especial pra si
Essa coisa de sentir muitas coisas...
Tenho percebido que tenho destruído
Meus avanços estéticos e poéticos
E quase numa obsessão de dizer
A todos que estou revoltosa
Porque o amor não foi aquelas rosas
Que eu sofri com ingratidão
Me sinto uma alienada
Cantando em plena madrugada
Músicas chicletes que ficam tocando várias vezes
E que não saem da minha cabeça
Não me deixam fluir arte
Não me deixam me aprofundar em algo
Me deixam rasa e burra
Como alguém que sente muitas coisas
Que chega a deixar de pensar
De sorrir, de comer, e de rezar
Pra sentir muitas coisas
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