Ainda sobre a discussão aceitação/rejeição, fala/escuta, confissão/controle.
Tenho sérios problemas com segredos, aliás, com os meus segredos...
Segredos alheios, são bem guardados, ficam escondidos, quase que apagados, mas segredos meus, que me envolvam diretamente, tem espaço reservado para o cenário daquilo que chamamos pejorativamente de fofocas...
O ato de fofocar não é restrito ao gênero feminino, mas é fomentado nele... e ai que vem a minha ideia, ou a minha constatação de lugar de fala/escuta... o espaço da fofoca é o espaço em que as mulheres se predispõe a trocar entre outras mulheres, porém esses espaços para além de espaços de troca, são espaços de controle moral.
Bom, pensando na super-exposição das pessoas em redes sociais, como por exemplo Twitter e Facebook, tenho pensado ainda na relação fofoca - controle moral, e agora a ideia de afirmação, ou tempos de afirmação... é tão esquizofrênico o nosso contexto contemporâneo acerca das relações sociais, que limitamos nossa sensação de aceitação e rejeição ao recebermos ou não curtidas no facebook.
O cotidiano nos dá a falsa impressão que não há tempos para fofocas, mas inbox chamamos aquele amigo confidente para bater papo furado em momentos de espaço diário, e ainda, soltamos frases sobre o tempo, a chuva, sobre lembranças da infância, nostalgia, sentimentos guardados, poesias digeridas em esquema fast food...
Assim, será que facebook, tem se tornado um espaço de fala/escuta, solitária, e mecânica?
As coisas podem ser digeridas, esquecidas, faladas, escritas, modificadas, e o mais legal: curtidas.
Não consigo descrever ao certo a crítica a essas ações e explicá-las... não acho que é algo restrito a solidão, ou ideia de estar sozinho. Mesmo em companhia queremos ficar em rede, precisamos expor coisas. E nesse sentido que fico pensando que estamos em tempos de se afirmar...
Para além de ter ou ser algo, o FB tensiona essas duas coisas, é um local possível de ostentar coisas que você tem e é, e ainda, criar um universo paralelo, que você pode ser ou ter coisas, e ainda criar uma outra auto-imagem de si...
Claro que os mais suicidas, podem se retalhar, criar imagens negativas, mas até aí, deve ter consultor de marketing pessoal que oriente a pessoa a não cometer gafes no FB...
Bizarro... ? Real...
Precisamos o tempo todo se afirmar? Essa necessidade de afirmação é algo contemporâneo ou se faz presente no ser humano? Estamos num contexto em que temos auto-imagem negativas de nós mesmos?
Somos adultos infantilizados por fenômenos que temos dificuldade de explicar?
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Se há verdades...
De repente aquele olhar que passou,
Realmente passou
De repente aquele aperto no peito
Aquela saudade apertada
Tenha que ser esquecida
A ferida doida
Precisa de um analgésico pra curar a dor
O desconforto, o pranto que cai de repente
De repente se vai
Num sei se é o tempo senhora
Se é a mãe destino
Ou se a rainha paciência
Não sei se é o vomito
Que sobe pelo esôfago
E te diz:
- Apenas sinto muito
Sentir muito, se estamos vivos
Se nos humanizamos
Se não somos de pedra
Sentimos a todo o tempo
Não sentir que é preocupante
De repente aquele olhar que passou
Realmente não passou
Ficou em lembranças
Faz parte de um nó
A ser desatado
A torna-se laço
De repente a ferida aberta
Não cicatriza porque você cutuca
E cutucando fica
De repente o bom pressentimento
Fica na utopia
Porque cruza os braços
E apenas fica...
Assinar:
Postagens (Atom)