segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Anseios poéticos de renovação VI


Oxumaré, serpente encantada
Inflamou o corpo
Da mulher apaixonada
Ansiosa esperava há anos
Esse reencontro...

E como algo mágico
Fez poesias com rimas pobres
Algo muito clichê
Para um ser nada nobre

Maltrapilho, mal amado e confuso
Transformou a moça em musa
E ela achou que ele era muso
Mas só um material pra reuso
Que foi mal aproveitado nesses tempos de amar de novo

Essa coisa de reciclagem
Você joga fora o traste
E ele vem repaginado
Ai você tenta reutilizá-lo
Mas fica tudo meio demodê

Aí vem o Arco-íris, Oxumaré
Pra espairecer
Vem a água cristalina de Oxum
E dá um resplandecer de calmaria

E a poesia de rimas pobres
Quem sabe possa ser um renascer
De sentimentos nobres
E um re-encontrar daquilo que se perdeu
Encontrando a si mesmo

Em silêncio, em grito
Em olhar, bonito
No olhar a si

E pra amar e refletir
Pra se lavar e se nutrir
Basta sonhar e sorrir
Não falo de sonho impossível
Falo e escrevo causos previsíveis
Quem sabe apenas escrever um release
De uma obra artístico-poético
Coletiva

Talvez Oxumaré junto com a mãe da vida
Ajude a achar um uso
Justo e de bom trato
Pro traste recém descartado
Quem sabe o trato mutável
Dos amantes notáveis
Seja estabelecer enlances
De platonismo consciente
E como parentes se tolerem
E renovados pelo encontro de si mesmo
Se amem
Não mais como amantes

Mas como parceiros de muitas prosas




Anseios poéticos de renovação V

Escrito de paciência

Compartilhei sonhos meus
Ensinei coisas com o prazer de ensinar
Amei sem nada esperar
Cansei de me angustiar
Só ensina se tem aprendizado
Caso o contrário,
Atividade de compartilhar
Apenas foi mecânica
Banal, e superficial
Se não há aprendizagem
Aluno resistiu ao saber
Ou foi passivo
E nada se apropriou
Compartilhar sonhos meus
Pode ser ideológico
Pode ser contra ideológico
Se esses sonhos são utopias
Se esses sonhos são nostalgias
Não tem propósito de síntese
É apenas antítese
De uma realidade
A qual o aluno
Prefere a superficialidade
Do saber pronto
Ideológico
Pré-fábricado
De fábrica
Morreu a fábrica
Porque hoje o homem é máquina
E professores
Quem sabe?
Sonhadores
Ou lunáticos?
Quem critica
São críticos dos críticos?
Ou são apenas
Solitários ?
Sonhei sonhos meus
Que pode quem sabe
Co-construídos
Sonhos coletivos

De superação e luta

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Rascunho de violência editado após dois meses

Eu tenho pensado muito sobre relações abusivas, e percebendo que nunca trata-se de uma escolha consciente vivenciar uma. 
O amor, o famigerado amor romântico, justifica o falar alto, o minorizar o outro, o se auto-afirmar. 
E isso não desaparece em meio a pessoas que tem um discurso mais democrático e inclusivo, pelo contrário, as pessoas muitas vezes usam de um discurso ideal, para escamotear um comportamento punitivo, narcisista, indiferente. 

Palavras doces também se referem a controle, insegurança, egoismo, excesso de vaidades. 

E violências estão sendo cometidas a todo momento, contra os negros, indígenas, crianças, idosos, pessoas com deficiência, e contra a mulher... 

Mas contra a mulher os dados são alarmantes, são pessoas que odeiam mulheres, é uma sociedade que odeia a mulher, e que se aproveita de toda essa circunstância, para esquentar o mercado, colocar polêmicas, mas muitas estão pouco preocupadas em combater a violência, seja ela física, psicológica, patrimonial, moral e sexual... mulheres morrem todos os dias por serem mulheres... 



Não tem volta
Não tem volta a palavra estranha dita mesmo que ao pé do ouvido pra magoar
Não adianta ficar se desculpando
E a todo tempo errando sem se vigiar
Quem se pretende evoluído ser
Tem ao menos, humildade ter
Pra poder caminhar
Num caminho reto, direto e certo de saber amar

Não tem volta o tapa na cara
A cara de marra de quem gosta mais de bater do que de levar
Que não aceita crítica
Que não escuta o outro
Ou interpela a fala, de quem não consegue gritar
Vai minando o caminho
Deixando o outro sozinho
Se sentindo fraco sem nada poder
Será que o opressor não percebe
Que está aos pouquinhos manipulando outro ser?

Não tem volta a marca de bituca de cigarro apagada no braço
O corte que o obstetra fez na vagina sem necessidade
A lembrança do arder da brasa queimando a pele
A lembrança do andar desengonçada quando tem que dar de mamar
Não tem volta, não tem E SE?
E o aqui agora dói
Não dá pra pedir pra o individuo esquecer seu trauma
Quando um falar grosso aciona os gatilhos da violência

Não tem volta se libertar de uma relação abusiva
Se olhar no espelho e recuperar a auto-estima
E deixar que outra relação
Faça a mesma violação
Você se defende com tudo pra não entrar em outra
E se entra, você deixa a culpa de lado
E enfia o foda-se na cara do camarada
Chora, come, grita, se rasga
Mas quando você se liberta
Fica mais difícil aceitar ser violentada

E daí que eu falei o que você não queria ouvir?
E porque eu tenho que com você dormir?
E de repente se eu não to mais nem ai?
Não use como desculpa o seu amor
O seu amor é teu
E o meu amor próprio é meu
Bem maior do que qualquer promessa que você me faça
Eu posso até achar graça, achar fofo
Mas eu prometi pra mim mesmo que não ia ter volta
Não ia ter volta
Não ia viver mais um tapa
Não ia mais viver mais um desaforo
E se eu te aceitar de volta
É pra você dizer que errou
E que tá aprendendo a não fazer mais
Que não justifica o seu sentir ciúmes
Não justifica qualquer sentimento nobre
Você me xingar e me chamar de vaca
Ou você abusar de mim enquanto eu queria descansar

Não tem volta o tapa na cara que você me deu
Porque se eu silenciei naquele momento e você achou que eu estava concordando
Quando por dentro eu estava sem ação
Ninguém espera ser agredida do nada
A não ser quando provoca
E mesmo quando a raiva é excitada
Não justifica seu tapa
Seu puxão de cabelo
As coisas horríveis que você fez pra mim
Não vão voltar...


Esse texto teve um rascunho escrito em setembro desse ano, após passar por uma situação de discussão sobre violência doméstica, medo de sofrer violência com uma pessoa que eu me relacionava. Após essa discussão, em que foi um gatilho para eu me desestabilizar emocionalmente, houve uma nova discussão, em que o sujeito propôs romper a relação porque não conseguia manter um relacionamento com uma mulher que se dizia feminista. 

Uma pena...

Uma pena que nessa data, mesmo sabendo da situação em que eu estava inserida não consegui terminar a relação. 

Esse sujeito acredita que as mulheres passam por violência porque não conseguem resistir. Certamente ele está correto, se não há apoio, de alguma forma, fica difícil perceber situações de abuso e violência, mesmo que muito sutis. Entendemos tudo como assuntos de casal, e que uma hora eles se acertam... que bom que hoje temos avançado, se acertar diz muito mais respeito a se separar, romper a relação, do que insistir em algo que não está dando certo.

E foi assim o desfecho. Um final feliz!!!

A relação terminou, e entendo que muitas relações devem terminar com mulheres podendo escrever textos e publicar coisas sobre elas. Inclusive sem o penar de se sentirem culpadas pelo término da relação, ou ainda, impotentes de poder seguir em frente.

Sim a culpa é minha de estar sozinha. Eu que quis assim e estou muito bem!!! 







segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Anula-ação

Anula-ação

Eramos um par de sapatos separados pelo destino. Assim eu pensava com meus sonhos borboleteados de estrelas-cadentes ao luar. 
Ansiosa, esperava o dia de encontrar o meu outro pé de sapatos e caminharmos juntos por ai, como se um belo sapateiro tivesse nos criado, para andar infinitamente lado a lado como um par. 
Eu estava desacostumada a andar junto, às vezes meus passos eram mais lentos, às vezes mais acelerados, às vezes um descompasso sem fim. Porém, nada disso era indiferença, era um pouco de costume de andar de Saci-Pererê por aí, borboleteando sonhos, sozinha buscava um dia me tornar estrela com brilho próprio.
De inicio esse sapato velho, ao compasso do meu sapato surrado não ofuscava meu brilho estrelar, pelo contrário, andava em compasso satélite, orbitando em minha vida, de forma estratégica se aproximando lentamente de meu cotidiano.
O sapato velho furado, vulgo meu par ideal, repetia o mantra de não fazer planos, mas plantava a semente de sonhos, como morar juntos, ter casa, ter filhos. Mas para tanto eu precisava me entregar à paixão. Isso me parecia algo terno e oportuno, paraquem há anos não tinha um companheiro de caminhada, mas me parecia com um pé de sapatos asas, que se recusava a por os pés no chão, quando atrelado a uma constelação de sonhos, estava o mantrado não criar expectativas.
Como fazer esse malabarismo?
Estar numa relação não estando?
Requeria ao menos um pouco de indiferença, de frieza no afeto, de meticulosidade. Algo quase que psicótico, estar com alguém e não sonhar ser ao menos habitante de seus afetos era algo de dificil mediação com o romantismo latente.
Eu então me nutria de concretude, e colocava limites para poder me valer de estrutura emocional. Um pé de sapato velho furado, não era algo tão sedutor a ponto de me fazer anular os caminhos que eu perneta saltitava.
Fazia-me forte, borboleteando nos meus sambas, em meus estudos, meus planos, minhas aberturas de caminho, e se sobrasse tempo me colocava a disposição para caminhadas parceiras.
Isso começou a ser um problema para o caminhar em par, o excesso de carência do sapato velho furado, sem planos ou concretudes de escolhas, me fazia sentir culpada de não estar sempre disponível, sempre sorrindo, sedutora, animada.
Eu ficava muito cansada, além de caminhar perneta por estradas que me seduziam, me faziam apaixonada pela vida, eu também perneteava no mercado de trabalho, nos afazeres domésticos, familiares e maternos.
Era muita energia que eu implementava em  todos esses projetos, projetos de uma pessoa real, perneta, mas, real. E me sentia muitas vezes impotente por não conseguir acompanhar as loucuras, ou disgreções do outro perneta.
O outro perneta foi ficando menos perneta que eu, foi encontrando pares de sapatos solos, que poderiam caminhar com ele em períodos de minha ausência, ou até começou a mantrar sem expectativas com relação a nossas caminhadas parceiras.
Tornou-se um pesar caminhar junto, algo como uma cobrança. Mas eu não era um pé de sapato possessivo, mimado, eu era apenas sensível a silêncios e ausências intencionais.
Minhas ausências não eram frequentes, ou algo egoista ou individualista, eram ausências necessárias para eu ser um pé de sapato único, antes de ser cópia identica ao outro pé, e comecei a me ver bem diferente daquele pé de sapato surrado. Comecei a me ver tão surrada quanto, um pouco fosca, e pouco ocupada, como se meu excesso de ócio fosse algo inconsciente pra ficar disponível para caso o pé de sapato quisesse estar comigo eu estar próximo.
Comecei a me sentir sozinha, sem caminhadas em parceria. A parceria só seria certeira e correta, se fosse proposta do pé de sapato surrado. Se eu escolhesse um percurso próprio, o pé de sapato se perdia, se escondia, ou me ofendia, coisas que me assustaram.
Comecei a ver que não foi fruto do acaso termos sido separados, o período que fiquei distante, fizemos escolhas e percursos próprios, que dificultavam nosso caminhar parceiro. Também percebi que os motivos que nos levaram a não estar juntos durante um longo período não se relacionava ao afeto construído, mas a dificuldade de consolidar vinculos mais sólidos entre os dois.
O meu pé de sapato estava no chão, e caminhava na nuvem tentando concretizar sonhos. O outro pé sonhava o tempo todo, que não era nada ruim sonhar, mas sonhava individualmente, e tinha uma facilidade de empreender coisas individuais, ou de liderar o outro, de maneira autoritária. Qualquer coisa que não fosse ideia inicial dele parecia algo incompreensivel ou impensavel de empreender junto. Era como se permitir que o outro empreendesse escolhas próprias carecia dele se anular.
Será?
Eu caminhando perneta, refletia, e comecei a me ver obscecada. Comecei a me perceber uma perneta sem rumo, sem apoio, sem outras estradas pra rumar, todas as estradas tinham sido abandonadas e encaminhadas para um único lugar: o sapato surrado, sujo que gozava de uma vida individualmente boa. Comecei a me sentir um fardo a ser acompanhado pelo outro sapato. Algo mais sujo que ele, mais surrado, e mais desnorteado. Um sapato perneta sem lustre, sem brilho...




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ironia II


Era pra ela parar de chorar enquanto bebia água
Era pra ela parar de soluçar de chorar enquanto sua amiga contava:
- Matilde, as pessoas não se telefonam não se ligam, não comem juntas, não contam coisas do cotidiano. Não compartilham o café da manhã.
Ela soluçava!
A amiga com uma frieza entornava um gole de conhaque, velho, barato, escuro, e voltava a dizer:
- Matilde, não adianta soluçar. Para nós, nós não somos alguém para ser levadas pra jantar. Não somos alguém que se namora no sofá, ou frequenta almoços de família. Somos apenas lanchinhos. Algo passageiro que dá um sopro de esperança para a freguesia.
Ela se olhou no espelho, e pegou a garrafa de conhaque servindo um trago a si. Olhando no espelho, tomou seu primeiro gole, e se olhou bem confiante, parando de soluçar:
- Não somos prostitutas sua louca! Somos pobres professoras, com nível superior, pós-graduação. Como as coisas ficaram loucas! Mulheres estudadas na solidão.

Era pra ela ser feliz! Estudou, com muito esforço, terminou sua graduação numa universidade pública, realizou sua pós, iniciou seu mestrado e logo conseguiu um concurso de professora, assim como amiga que dividia a casa. Mas sentiam-se, ambas solitárias. Cada semana começavam coisas novas. A amiga uma série nova, ela um esporte, atividade física, artistica, cultural... e o vazio... sem fim...

Ironia

Ironia romântica

Ele me olho nos olhos
E eu fechava olhos pra olhar para dentro.
Dava-me algo forte, similar a um pânico
Querendo fugir daquele encontro romântico
Mistura de achar ser alguém dentro de si
Com não valer nada para alguém que está a sua frente
Ele teria certeza do que queria comigo?
Ou numa infantilidade apenas brincava de me amar

Respiro
E ao olhar pra dentro pensei:
“Talvez eu encontre algo que valha!!”
“Talvez eu encontre algo que valha a pena!!!”
[Dentro de mim]

Ele me dizia:
-Linda!!
Me soava ingenuo, ele acreditar que
suas palavras
Curariam minha depressão
Mais ingenua era eu, que achava que ele pensasse assim
No fundo
Algo vaidade
Queria que eu pensasse
Que esse linda
Era misto de entrega com paixão

Eu olhava pra dentro
E sentada em seu colo
Com seus olhos em meus olhos
Sentia-me tola e boba
Por acreditar que aquilo poderia ser amor
Um bafo de tabaco
Um caralho nas mãos
Uma boca colada na minha
E um olhar de pidão
Eu mantinha com os olhos fechados
E com um sorriso discreto
Que fazia escorrer uma saliva na boca
Tinha vontade de gargalhar
Ao olhar pra dentro e pensar:
- Que caralho de amor?
Amor é eu sozinha
Entre quatro paredes
Sem bafo nem caralho
Apenas eu

Me amando loucamente 


sábado, 30 de setembro de 2017

Discussões cotidianas I


Acho que nos acostumamos a reclamar da vida, e isso vira um hábito. 
Acho que aprendemos a desistir das coisas, não porque elas são difíceis, mas porque são complexas...






E há tempos eles discutiam

Como se fossem um casal de velhos rabugentos 
E há tempos evitavam olhar no fundo dos olhos
Evitavam comer macarrão aos domingos
Ou cozinhar para os amigos 
Eram totais desconhecidos?
Ou de conhecidos passaram a amantes momentâneos?
Essas efemeridades da vida
Essas ousadias no olhar
Essa preguiça que tem a pretensão de desistir
Da discussão?
Do mau humor, fardo do dia a dia?
Fardo da fadiga corpórea
Disfarçada de preguiça de olhar no olhar do outro?
Ou olhar no olhar do olhar do outro
Tornou-se tão banal
Que ao invés de olhar nos olhos
Arrancamos as vestes
E olhamos apenas pras partes?
Ou olhar no outro é algo tão desnecessário
Que olhamos pro nosso umbigo
E decidimos por escolha
Que olhar pra si
E ao menos generoso,
Consequente
E dá menos preguiça?

Em meio a vazios, vou encontrando o cheio...

Kandinsky - Circles in a Circle
As vezes olhamos pro nada 
E nos perguntamos:
- O que eu faço aqui? 
Ai olhamos pra dentro de si 
E vem uma resposta
Cabisbaixa sem graça:
- Se perdendo.
Então você de novo mira o nada 
E do nada toma consciência. 
E grita:
- Não tenho nada a fazer aqui...
E segue seu caminho
A procura do tudo.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Subsumido

Visão terrena do animal terra
(resposta a um poeta da imagem)

Indispensável e notável
Ao mesmo tempo substituível
Um animal terreno
Se tornando desprezível

Agindo como máquina
Sem justificativas plausíveis
A não ser a irracionalidade
Do lucro concreto
Cifrões no teto
E o teto do salário
Mal dá pra alimentar
Mal dá pra se alimentar

Quanto vale?
Mais valia dormir
Pra poder se vestir
Pra poder se despir
De máscaras

Não tem sorriso na lata de sardinha
Não tem sorriso na minhoca de aço
Não tem sorriso
Só o amargor ácido
Do suor


Indispensável e até notavel
O trabalho flexível
O trabalho fragmentado
Que torna o trabalhador
Um pedaço de animal terra
A ser pisoteado
Chutado
Zombado
Subsumido
E jamais melhorado

Pra melhorar precisava refletir
Precisava se ver
Precisava sentir
Mas é necessário?
Qual o significado
De dar vida a terra
De ser vida terra
De ter vida na Terra?



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Anseios Poéticos de Renovação IV

Mistura insana de amor e de brasas

As vezes o corpo esfria
A mente viaja
Pra fazer novos planos
Concentrar outras energias
Mas na cama cheia
E o olhar de amante
Mesmo hesitante
Meu sexo se excita
Minha vulva molha
E fica sedenta
De deixar de estar vazia...

Essa coisa de se apaixonar por sereias
Elas jogam a água sagrada do rio e do mar
E levam os pescadores para se afogar
Em seus corpos...
Mergulho insano, em águas quentes...

Quase fontes vulcânicas de luxúria
De queimar o corpo
De esvaziar a mente

De ferver a alma

Poema de algumas linhas entre-linhas


Esses homens são estranhos
Dizem não se apaixone
E se você faz o que eles pedem
Somem

Esses homens são estranhos
Você chama de cafajeste
Ao invés de irem embora
Ficam atrás

Esses homens são estranhos
Quando você diz eu te amo
Eles dizem
Agora não quero mais


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Desenhar o cotidiano, a partir do auto-conhecer

As vezes precisamos ficar tristes pra ficarmos fortes. Chorar rios de lágrimas, e entender que está tudo bem porque quando alguém nos ofende nós choramos e sentimos. Mais complexo e problemático é não sentir nada. É não se revoltar com nada.
As vezes mesmo tristonhos, podemos trocar nossa tristeza por pingos de esperança, reconhecer no cuidar de si e no cuidar do outro sua fortaleza, perceber-se altruísta e querer ser esperançoso.
Não falo de ilusão, mas de inspiração? A inspiração vem de onde?
Escrevi esse texto pensando em tantas coisas que me inspiram que podem inspirar o outro a desenhar, dançar, cantar, ou tomar uma atitude de escolher coisas novas pra si e pra vida, sem medo de que elas dêem errado. Sair do lugar do canto escuro da sala, e ir pra um canto onde entra mais luz... afinal precisamos de um pouco de calor, de luz natural... pra não ficarmos mofados. Assim, segue um poema, uma produção, em processo... vejo que decai um tanto o texto, ele tá um pouco óbvio, mas a inspiração vem de onde?

Desenhar o cotidiano

Fecha os olhos e pensa o tempo...
O que tem acontecido com o teu tempo que a cidade comeu
O que tem acontecido com seu dia que se passou
O que tem acontecido com você que se magoou
Envelhecemos com o tempo...
Mesmo quando ele para ao olhar o outro
Mesmo quando ele para com o olhar do louco
Mesmo quando ele some
Nesse mundo louco

Fecha os olhos e pensa nas flores
No  que seu olhar grafa na memória
Nas cores que tem sua história
No seu sorrir e no seu pesar
Pensa a filha que você foi
Pensa na mãe que você é
Pensa no presente instante
Que de forma cativante
Você se vê mulher

Olha pro seu cotidiano
E segure uma xícara de café
Será dura?
Será macia?
Será liquida?
Líquido quente se desfazendo na nossa garganta
Sedenta de estímulo
Estimulante tomar café
Delirante litros de café
Entornados diariamente
Co-ti-di-a-namente

Que imagens te formam ao ler essas linhas?
Que imagens lhe vem ao contornar as ruas?
Quais imagens têm em você quando te sangra a pele?
Quando te sangram sua pele?
Quando você fica indecisa?
Quando você fica calada?
Quando uma ofensa te deixa muda?
Porque violência silencia
Abuso silencia
E de fato ninguém quer ser silenciado
Que imagens vem quando você saca que o silêncio existente
Não é meditativo, e contemplativo
Não vem com ondas de gratidão
Isso é fruto de discriminação?
Que imagens vêm?

O que você desenha quando tem fé?
O que você desenha quando ama?
O que você desenha quando em silêncio você se vê?
Enquanto você canta, pula, chora ri?
Que imagens guarda em si?
Que imagens imagina desenhar?
Que coisa você vai fazer desenho e me inspirar?
Também quero poder te olhar
Por meio da sua arte...


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Anseios poéticos de maldição


Trata-se de uma confusão de sentidos, de escolhas, de esperas, de desejos...
Desejar algo, ou apenas se iludir com algo possivelmente desejável?
Até que ponto caráter e desejos são coisas que podem estar conexas?
Até que ponto nostalgias relembradas podem ser benéficas?
Temo estar querendo revisitar uma menina perdida, num casarão abandonado...
Nas ruas de um bairro arborizado
Habitado por um cara drogado...
Não reconheço essa menina, hoje mulher forte, me envergonho das mentiras
Dos enganos e dos calhordas...
As pessoas crescem... eu penso...

Ando perdida, pelada em um sonho
Acordo a sustada, e temo fazer planos
Compreendida apenas, por gente, que comete enganos
Sozinha, acuada, tranquila, cigana
Ela, que sou eu vivia em ruas de uma cidade grande
Sem muito poder dizer:
-Aqui é meu lar.
Procurava árvores, mas também gostava de praças sujas
Mulher e menina, andava com homens e crianças

Encontro fugido, de medo e querer
Ficou quase dez anos sem nada entender
E agora, de novo quer fugir de você
Cansada de gente, querendo morrer
As pessoas morrem, morrem porque não conseguem lidar
O caos da cidade, o caos da vida, o caos de ser
A desordem transvestida de ordem
A certeza e a prudência, em meio a inconsequência
Ser grande é ser delicado pra não ferir,
A si mesmo...

Ela não fumava cigarros, não bebia, não se entorpecia
E mesmo assim naquelas ruas daquele bairro
Sentia o cheiro do sangue das pessoas na forma de éter
Ela sentia cheiro de champagne
De prazer, de dor de choro, tudo isso ficava nela
Era ela e muita gente junto...

Era ela acuada dentro de um casarão
Com dúvidas, escolhas e muita indecisão
Ela adorava sua solidão





Anseios poéticos de renovação III

Rascunho de terra e ar

Leve e forte
Fértil e intensa
Pensativa e úmida
De maneira densa
O fogo a consome
A chuva cadê?
Precisa de vento
Pra lhe envolver
Vento, água
Rio e mar
Se nutrida, molhada
Fogo incendeia
E a faz secar?
Excesso de vento
Faz brasa apagar?
Ou é combustível certeiro
Pra tudo inflamar?


Anseios poéticos de renovação II

Rascunho de uma noite mal dormida e bem vivida

Suas pernas trêmulas sobre minhas pernas
Seu corpo quente sobre meu corpo
Minha boca pousando em teu pelo
Meu cheiro forte em seu cabelo
E assim vivemos...
E assim fomos...
E crescemos...
Talvez não tenha sido um sobre o outro
Talvez nenhum pousar de mãos sobre meu corpo
Talvez nenhuma noite de sono perdida

Suas pernas trêmulas sobre minhas pernas
Me fizeram perder o sono essa noite
Seu corpo quente sobre meu corpo
Aqueceram meu coração
Minha boca sobre seu pelo
Salivou de desejo
Seu cabelo no meu sexo
Se fez beijo e paixão
E assim vivemos
E assim somos
E assim olhamos
Pra talvez um novo encontro
Pra talvez um pousar de mãos sobre o corpo
Pra talvez várias noites de sono perdidas
Se tornem várias noites dormidas,  juntos

vida namorar ela de um jeito mais sereno

Menos bandido

Sem sair roubando amor e deixando vazio no peito dela 

Anseios poéticos de renovação

Fragmentos de histórias parte I

Escrevi poemas sobre vestes rasgadas no chão
Sobre flores mortas em outra estação
Sobre partidas e chegadas
Mas nunca sobre pernas peladas
Sobre curtas caminhadas
Sobre ficar de calças curtas
Perante a um outono que se aproxima
Quente e frio
Paisagem de flores e folhas secas na beira de um rio
Rio que é correnteza e vai pro mar...
Pra refletir e meditar...

Ele calmo e sereno mirou aqueles olhos de soluço e melancolia
Ela assim sentia, mas ele olhava calmo e sereno observando paz
Aquela menina, mulher representava paz e calmaria
Como fênix se metamorfoseava de forte
Porque de fato era...
Travestia-se de noite pra enfrentar o dia
E de búfalo pra correr pelas savanas
Era chuva, era vento, e era arco-íris
Reflexo de cores na lente do óculos do outro
Que calmo mirava aquele olhar marejado de ressaca da vida
A vida andou dando muitos caldos nessa menina
E ela fica flertando com a vida
Pra vida namorar ela de um jeito mais sereno
Menos bandido

Sem sair roubando amor e deixando vazio no peito dela