Ensaios para viver de prosa
Eu gosto muito de conversar, mas nem todos os assuntos que eu domino são interessantes, e nem sempre o assunto que o outro domina me faz interessada.
Mas tem pessoas que quando não pedantes e vaidosas, marcam sua vida pelas trocas discursivas estabelecidas... chega a ser poesia a profundidade da conversa e o prazer que se dá em conversar.
As vezes chega a ser tedioso... e esses ensaios de dedo de prosa tem me feito rever algumas elaborações de vida amorosa.
Talvez eu esteja em um momento que prosear de maneira leve seja mais interessante e menos ansioso do que encontros amorosos...
Talvez, a profundidade em se relacionar esteja, em trocar coisas, secretas ou abertas, hobbies e ideias, escolhas e hesitações.
(ensaios para viver de prosa)
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
escritos desconexos
(sem data certa do escrito, apenas algumas ideias)
Eles homens justificam muitas vezes seus atos mais violentos como fruto do amor e do desejo.
Violenta é uma mulher que na opção de não correr riscos, corre o risco da mentira.
Sophia, apaixonada pela vida queria viver todos os seus desejos em harmonia, mas sem utopia.
Queria ser menos sincera, e nessa história entre se proteger e se precaver descobriu a dissimulação... ficava em voltas com a deusa da fertilidade e a deusa da vida, conversando as fofocas de ser maternalmente fértil, e necessitar maternalmente cuidar do outro...
Nessa história relacionamentos anárquicos e libertos, seu ideal acabava se reduzindo a um casal. Ela queria casar, ser amada, mas sentia desejo. Mesmo assim tentava ser justa.
No entanto via tanta mulher, morta, abusada, assediada... que ficava confusa que ser amada não correspondesse, necessariamente a ser livre.
Para tanto, para ser de si, talvez sua maior violência fosse constantemente dissimular seus sentimentos e ceder-se...
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Poesia espontânea de tempo de procura
Cotidianamente me busco
Ao mirar o espelho
No olhar da cria
No olhar da criança
No escrito na timeline
No escrito na cabeça que nunca foi escrito no papel
me busco
E me sinto desencontrada
Quando me deparo
Com coisas que de improvisadas
Não tem nada
Me sinto incomodada
Com a amizade forçada
Com a bebedeira interesseira
Com relação ao riso comprometido
Me parece um tanto bandido
Querer roubar poemas de amor
De quem ama amar o outro
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Anseios poéticos de insônia - o retorno
Poesia assassina
Essa madrugada matei um amor
Fui assaltar a geladeira horas depois
E o encontrei no congela-DOR
Pensa-ação de
despedida
Se tu fores
Pra onde quiserdes
Sinto que me sobrará muito tempo
Para eu fazer coisas novas
E caso fique entediada dessas
Ou sufocada de compromissos
Posso me vestir da saudades
E visitar-lhe, caso convidada
Rememorações de
invernos amados
No olhar a gente não se falava
Cada olho no olho era um tema estranho
Sempre uma conversa doida
(Doída)
De provar o outro a incerteza certa
O incerto de certezas
Como se houvesse um único modo de viver
Quem sabe sim, o único modo de viver
Não era a dois
Pois bem, sua fala era de fúria
E a minha de precipitação
Caminhando e lembrando
Numa manhã gelada
Desses tempos (nostalgia?)
Me sinto afortunada
De sentir o vento gelado
Bem diferente de nossos anúncios cotidianos
De tempestade
Come-dor de paixão
Era alucinadamente perturbador
O jeito que a gente se pegava
Era um brinde
Um samba
Uma cerveja
E pumba!
Nós dois nus
As vezes semi-nus
As vezes que nem avestruz
Me tirou o fôlego
A roupa
E o medo
Me encontrava meio bêbado
Nas esquinas do bairro
E eu apenas sorria
E fingia dançar seu samba-reggae
E dizia me pegue
E as vezes ele me dizia me deixa
E as vezes eu dizia me come
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Rascunho poético de constatações artísticas
Introdução:
Eu alheia aos ditames das plataformas digitais, além de não saber utilizar o blog como forma de divulgação de um pseudo-trabalho que eu nomeio de anseios poéticos, porque apenas anseio ser poetiza, tenho convicção de que não o faço com esmero, nem faço disso local de estudo, é muito mais um vir a ser e dizer coisas que eu penso de maneira a manifestar meu livre pensar.
Assim, no último período venho publicando alguns textos, escritos por imediatismo do tempo, pensamentos que me acometem em meio ao trânsito, junto com minha ansiedade crônica.
As coisas não andam boas para quem quer ser livre, no entanto também assumo que tenho vivido intensamente bons momentos com os amigos e assim sigo, sorrindo e chorando em diferentes momentos.
Constatação:
Em 2018 eu fiz uma escolha, já pensada em muitos momentos, de sair da área da educação corporativa em saúde e retomar para a educação formal.
Essa escolha implicou em mudanças de cidade, mudanças de rotina, e ausências em outra função que desempenho socialmente há quase 12 anos, a maternidade.
Me vi uma mãe de final de semana, com a possibilidade de aprender a cuidar de mim, e mesmo assim cuidando de outros tantos, ministrando aulas para um 2o ano do Ensino Fundamental, e aulas de reforço para diferentes idades.
Percebi minha potência em adaptar-me a diferentes realidades e lidar com situações limites, principalmente a ausência de experiência e o excesso de expectativas.
Naquele momento uma cidade do interior tornava um sonho real, porém o conservadorismo e a iminência de ter no governo federal um grupo de extrema-direita, fez eu repensar minha vida no interior, e entender que fazia mais sentido cuidar do meu interior e revoltar-me ao meu local de fuga constante: São Paulo.
Po-éticas
Não estou tranquila
Mas minha inquietude me aquieta
Estou cansada
Fico com a mente dispersa
Meu sono não vence
Minha realidade é variada
Sinto falta da estrada
Mas sinceramente
Me coloco diariamente em caminhada
Tenho tudo que queria
Mas não tenho nada
Liberdade é mais-valia
Em solo de alma aprisionada
Se me mantenho ausente
É porque estou desmotivada
E quando presente
Me vejo embriagada
Pausa
A narrativa desse texto que teço em forma de explicação, confissão de minhas escolhas perpassa uma série de acontecimentos que mexeram com algumas certezas. Não as tenho, rumo novamente para constatações que penso naquilo que sou boa em exercer, e vejo que disciplina, apego e dedicação fazem parte desse narrar de fatos.
Não existe uma maternidade humanamente realizável sem apego e ao mesmo tempo negação, a negação auxilia no processo de síntese do possível, e o apego, nos torna humanos pra amar aquilo que se demos vida.
É necessário, com muita humanidade, pensar que nem todo é nossa responsabilidade, mas tomar decisões acerca do que está em nossas mãos, e não estou querendo ser pedante e colocar toda a responsabilidade no individuo, me entendo também como sujeita.
Constat - ação
Ela partiu e voltou, e onde está o seu amor?
Quero que ela cuide do meu machucado.
Não quero que ela tenha namorado
Sinto sua ausência, e invento mil desculpas
Pra poder controlar sua conduta
Sei que ela me ama, mas preciso ouvir
Sofro e choro se ela não está a me assistir
Onde jogo a raiva, e minha tristeza
Não consigo falar a ela com clareza
Ela não tem culpa
Se eu peço demais
Que ela viva para mim e nada mais
Invento coisas novas, que são do meu interesse
Ela não percebe, e se ausenta, está cansada
Ela é sincera, vive embriagada
Sinto vergonha dela, dançando na madrugada
Eu quero seu colo
Quero seu acalanto
Fico emburrado, me desabo em pranto
Ela voltou, está aqui ao meu lado
Mas trabalha o dia inteiro
Tem o tempo ocupado
Eu já cresci, e por isso tudo é novo
Sou o seu silêncio, seu carinho e seu consolo
Ela me acolhe, faz comida e mima muito
Mas ainda assim, eu a culpo
A Artista
Minha vontade é escrever uma lista de coisas que me fazem ser mais feliz, como música, dança e sexo, mas nesse momento penso em como uma criança pode ser o chamado para a felicidade, como ela pode de alguma forma nos levar pra estados de consciência, que perpassam a escrita fluída, a ida, a volta e a revolta.
A maternidade me liberta e sufoca, e quero acabar esse texto.
Quero orar e agradecer, e tecer perspectivas... fico as vezes sem caminho porque o contexto implica ausência de futuro, como oferecer algo bom, sendo que olho pro todo, e vejo só maldade?
Como fluir nossa verdade, como fazer arte ?
A melancolia me toma, e várias lágrimas derramo ao escrever essas linhas, não sei se de fato trata-se de anseios, ou uma confissão que sei que não tenho tido perspicácia pra poder ser o que devo ser...
E o que eu devo ser?
Estou orgulhosa de algumas escolhas...
Engraçado como as vezes cai no colo histórias pra viver e contar, que são grandes surpresas, tentativas do destino de te fazer louca, e você quase cai nessa, e enlouquece dançando.
Eu alheia aos ditames das plataformas digitais, além de não saber utilizar o blog como forma de divulgação de um pseudo-trabalho que eu nomeio de anseios poéticos, porque apenas anseio ser poetiza, tenho convicção de que não o faço com esmero, nem faço disso local de estudo, é muito mais um vir a ser e dizer coisas que eu penso de maneira a manifestar meu livre pensar.
Assim, no último período venho publicando alguns textos, escritos por imediatismo do tempo, pensamentos que me acometem em meio ao trânsito, junto com minha ansiedade crônica.
As coisas não andam boas para quem quer ser livre, no entanto também assumo que tenho vivido intensamente bons momentos com os amigos e assim sigo, sorrindo e chorando em diferentes momentos.
Constatação:
Em 2018 eu fiz uma escolha, já pensada em muitos momentos, de sair da área da educação corporativa em saúde e retomar para a educação formal.
Essa escolha implicou em mudanças de cidade, mudanças de rotina, e ausências em outra função que desempenho socialmente há quase 12 anos, a maternidade.
Me vi uma mãe de final de semana, com a possibilidade de aprender a cuidar de mim, e mesmo assim cuidando de outros tantos, ministrando aulas para um 2o ano do Ensino Fundamental, e aulas de reforço para diferentes idades.
Percebi minha potência em adaptar-me a diferentes realidades e lidar com situações limites, principalmente a ausência de experiência e o excesso de expectativas.
Naquele momento uma cidade do interior tornava um sonho real, porém o conservadorismo e a iminência de ter no governo federal um grupo de extrema-direita, fez eu repensar minha vida no interior, e entender que fazia mais sentido cuidar do meu interior e revoltar-me ao meu local de fuga constante: São Paulo.
Po-éticas
Não estou tranquila
Mas minha inquietude me aquieta
Estou cansada
Fico com a mente dispersa
Meu sono não vence
Minha realidade é variada
Sinto falta da estrada
Mas sinceramente
Me coloco diariamente em caminhada
Tenho tudo que queria
Mas não tenho nada
Liberdade é mais-valia
Em solo de alma aprisionada
Se me mantenho ausente
É porque estou desmotivada
E quando presente
Me vejo embriagada
Pausa
A narrativa desse texto que teço em forma de explicação, confissão de minhas escolhas perpassa uma série de acontecimentos que mexeram com algumas certezas. Não as tenho, rumo novamente para constatações que penso naquilo que sou boa em exercer, e vejo que disciplina, apego e dedicação fazem parte desse narrar de fatos.
Não existe uma maternidade humanamente realizável sem apego e ao mesmo tempo negação, a negação auxilia no processo de síntese do possível, e o apego, nos torna humanos pra amar aquilo que se demos vida.
É necessário, com muita humanidade, pensar que nem todo é nossa responsabilidade, mas tomar decisões acerca do que está em nossas mãos, e não estou querendo ser pedante e colocar toda a responsabilidade no individuo, me entendo também como sujeita.
Constat - ação
Ela partiu e voltou, e onde está o seu amor?
Quero que ela cuide do meu machucado.
Não quero que ela tenha namorado
Sinto sua ausência, e invento mil desculpas
Pra poder controlar sua conduta
Sei que ela me ama, mas preciso ouvir
Sofro e choro se ela não está a me assistir
Onde jogo a raiva, e minha tristeza
Não consigo falar a ela com clareza
Ela não tem culpa
Se eu peço demais
Que ela viva para mim e nada mais
Invento coisas novas, que são do meu interesse
Ela não percebe, e se ausenta, está cansada
Ela é sincera, vive embriagada
Sinto vergonha dela, dançando na madrugada
Eu quero seu colo
Quero seu acalanto
Fico emburrado, me desabo em pranto
Ela voltou, está aqui ao meu lado
Mas trabalha o dia inteiro
Tem o tempo ocupado
Eu já cresci, e por isso tudo é novo
Sou o seu silêncio, seu carinho e seu consolo
Ela me acolhe, faz comida e mima muito
Mas ainda assim, eu a culpo
A Artista
Minha vontade é escrever uma lista de coisas que me fazem ser mais feliz, como música, dança e sexo, mas nesse momento penso em como uma criança pode ser o chamado para a felicidade, como ela pode de alguma forma nos levar pra estados de consciência, que perpassam a escrita fluída, a ida, a volta e a revolta.
A maternidade me liberta e sufoca, e quero acabar esse texto.
Quero orar e agradecer, e tecer perspectivas... fico as vezes sem caminho porque o contexto implica ausência de futuro, como oferecer algo bom, sendo que olho pro todo, e vejo só maldade?
Como fluir nossa verdade, como fazer arte ?
A melancolia me toma, e várias lágrimas derramo ao escrever essas linhas, não sei se de fato trata-se de anseios, ou uma confissão que sei que não tenho tido perspicácia pra poder ser o que devo ser...
E o que eu devo ser?
Estou orgulhosa de algumas escolhas...
Engraçado como as vezes cai no colo histórias pra viver e contar, que são grandes surpresas, tentativas do destino de te fazer louca, e você quase cai nessa, e enlouquece dançando.
sábado, 6 de abril de 2019
Imergindo no nada
Nada é um lugar de não
acontecimento
De dizer não para algo que está
vindo
E decidir em cinco minutos
Se realmente é desse nada que
precisamos
De repente paramos estupefatos
Admirados com o olhar do outro
E nada fazemos
Não há toque
Mensagens
Fica a prece do não se apresse
Para que se algo
Além de nada acontecer
Fiquemos preenchidos de cheios
De anseios
E não vazios
Cenas fortes de tesão
Ela queria praticidade... o andar solitário na cidade causa ansiedade.
É bom caminhar em parceria... mas também da medo quando se matam mulheres, simplesmente pelo fato delas serem mulheres.
Após um flerte no bar, alguns goles de cachaça, estava ela lá aos beijos e sem roupa com um desconhecido.
Não era a primeira vez que isso acontecia, mas era a primeira vez desde a eleição.
Ela sentia-se potente por ter tido a coragem de ceder ao tesão e deixar rolar, mas se deparava com angustia e o medo do que poderia acontecer nos momentos sequentes.
Ele a mordia, apertava, e de repente veio um tapa na cara... a feição dela mudou, ela só lembrou das imagens da internet.
Ela por cima dele numa cavalgada de prazer conseguiu descer os braços dele e imobilizá-lo. Era ela na horizontal e por cima, exercendo seu poder e se defendendo. Na horizontal, como deveriam ser as relações humanas, sem hierarquias de força e gênero.
Quando ele percebeu que ela se incomodara com o tapa, ele foi acolhendo ela, olhando bem em seus olhos e pedindo com carinho desculpas...
No momento ela ficou embasbacada, não sabia o que falar, agir ou pensar, se tinha sido desproporcional a força que usou pra parar as batidinhas de leve, mas sentiu que estamos num momento que podemos exercer num ato, a força pra romper com construções históricas que são violentas e não só simbólicas...
É bom caminhar em parceria... mas também da medo quando se matam mulheres, simplesmente pelo fato delas serem mulheres.
Após um flerte no bar, alguns goles de cachaça, estava ela lá aos beijos e sem roupa com um desconhecido.
Não era a primeira vez que isso acontecia, mas era a primeira vez desde a eleição.
Ela sentia-se potente por ter tido a coragem de ceder ao tesão e deixar rolar, mas se deparava com angustia e o medo do que poderia acontecer nos momentos sequentes.
Ele a mordia, apertava, e de repente veio um tapa na cara... a feição dela mudou, ela só lembrou das imagens da internet.
Ela por cima dele numa cavalgada de prazer conseguiu descer os braços dele e imobilizá-lo. Era ela na horizontal e por cima, exercendo seu poder e se defendendo. Na horizontal, como deveriam ser as relações humanas, sem hierarquias de força e gênero.
Quando ele percebeu que ela se incomodara com o tapa, ele foi acolhendo ela, olhando bem em seus olhos e pedindo com carinho desculpas...
No momento ela ficou embasbacada, não sabia o que falar, agir ou pensar, se tinha sido desproporcional a força que usou pra parar as batidinhas de leve, mas sentiu que estamos num momento que podemos exercer num ato, a força pra romper com construções históricas que são violentas e não só simbólicas...
sábado, 23 de março de 2019
Fique calada menina
Texto escrito originalmente em 2013
Fique calada menina
Não se exponha
Não se dispa
Se mantenha menina
Você é inteligente
Você é sábia
Mas não pode falar
Não pode se despir
Menina venha cá
Me namora
Me ame
Mas fique quieta
Não se exponha
Seja discreta
Seja honesta
Seja justa
Mas lembre-se
Você é insegura
Menina, comporte-se
Você tem que ser aceita
Discreta
Limpa
Casta
Fique calada menina
Não se exponha
Não se dispa
Se mantenha menina
Você é inteligente
Você é sábia
Mas não pode falar
Não pode se despir
Menina venha cá
Me namora
Me ame
Mas fique quieta
Não se exponha
Seja discreta
Seja honesta
Seja justa
Mas lembre-se
Você é insegura
Menina, comporte-se
Você tem que ser aceita
Discreta
Limpa
Casta
domingo, 17 de março de 2019
Escrevo poesia todo o dia
Me faltam referências
As vezes é a curva em movimento
Subindo escadarias
Para embarcar na minhoca de metal
É essa a poesia que sei fazer
Acordar sem pensar
Meditar para me proteger
E me por a trabalhar
Questionando se a escolha que vivencio
É a verdade do meu coração
Ou apenas instinto de sobrevivência
Faço poesia
Todo dia
Dos diálogos que teço
Mesmo que sejam monotemáticos
E monossilábicos
Ou monocromáticos
Se pudesse escolher
Eu seria só vermelho
De sangue
De amor
de pulsar
A vida
em parte
tecendo arte
no caminhar obrero
As vezes é a curva em movimento
Subindo escadarias
Para embarcar na minhoca de metal
É essa a poesia que sei fazer
Acordar sem pensar
Meditar para me proteger
E me por a trabalhar
Questionando se a escolha que vivencio
É a verdade do meu coração
Ou apenas instinto de sobrevivência
Faço poesia
Todo dia
Dos diálogos que teço
Mesmo que sejam monotemáticos
E monossilábicos
Ou monocromáticos
Se pudesse escolher
Eu seria só vermelho
De sangue
De amor
de pulsar
A vida
em parte
tecendo arte
no caminhar obrero
Sobre futuros
Exercício atividade momentânea de pensar sobre o presente a partir de gatilhos sobre dinheiro e mercadoria...
O que eu tenho para viver ??
Apenas minha ideologia, que a pouco foi proibida de ser disseminada... Quem proíbe? Eu mesma ? O presidente, ou os meus semelhantes que me colocam como não falante... o mito da caverna se faz presente em a cada momento cotidiano... buscar a luz, e parar de conviver com as sombras é um exercício conflituoso de descobrir o novo, que já ali estava.
Se a ideologia é uma visão social de mundo, é complicado me obrigarem a ter aquela dos dominantes... aliás de um grupo dominante pouco coeso, que nega o conhecimento, a arte, a livre expressão do pensar... e o que fazemos...
Fico refletindo, e exprimindo aquilo que me aflige, fico constantemente revendo e revisitando minha história.
Olho para os objetos, ativo sonhos e angustias, e me encontro, mesmo que aparentemente parada, em luta.
Acomodar nas minhas caixinhas de referência aquilo que aprendo no cotidiano é tarefa para mais de anos.
Sou social, sou política, sou emoção, sou eu... e soul várias...
Sou um querer ser e ter empatia por alguém que não tem os mesmos privilégios que eu. Sou um lutar constante contra o tédio, sou refletir aquilo que me movimenta.
O que eu tenho para viver?
A minha força de trabalho, potencial criativo que quando não alienado pode transformar... potencial criativo que pode superar o estado atual das coisas. Será??
Será que se trata de uma poética retrô usar a palavra REVOLUÇÃO para plantar o amor??
Amor não é romance, intriga, posse, conduta que aprisiona, doutrina, e proclama a morte.
Amor é estado de alegria e sorte, e sorte é um buscar de escolhas que lhe tragam bem estar da alma. Por isso soul.
Por isso caminho errante, pensando que o futuro é agora... plantei diferentes sementes em diferentes frentes na história, e fazer a síntese, é como co-habitar, momentos, espaços e ideias, num mesmo tempo da história.
Esses dias caminhava entre multidões e pensava na multiplicidade das coisas... ao mesmo tempo caminhava pensante com minhas memórias... soul mais que uma mãe militante da creche universitária. Sou mais que uma estudante de educação libertária, sou um caminhar constante em uma fé revolucionária.
Sou samba... e por isso misturo... por isso misturo meu fazer pensante, que rotulam-me de intelectual... no entanto não vendo ideias... volto o texto no começo, e minha ideologia, aquilo que me move e me faz ser e estar no mundo, não pode ser usada... nesse sentido ela é utopia que busca transformar aquilo que a mim foi condicionado, e construir novas condições que vão além das determinações.
Determina -Ação... busco me auto-determinar num fluir e pensar confuso e pós-moderno... a crise existencial está posta, e disposta nas conversas de bar, nas conversas no celular, nos encontros fortuitos na penumbra da noite.
O luar é testemunha daquilo que sonhamos, o povo é agremiação da luta/luto que cantamos.
E esse fluir de pensamento escrito, descrito, talvez ainda na égide de uma miss romântica, que leu pequeno príncipe, não é apenas terapia virtual, é virtude de alguém que ainda se acalma escrevendo algumas linhas para dialogar de forma horizontal com aqueles que querem fazer isso.
Aqui não troco trabalho, apesar de entender que assim o é...
Aqui não troco coisas, apesar de serem coisas os objetos e sentimentos que nossa mente produz.
Aqui não imponho regras, apesar que organizar o texto dentro de palavras numa lingua específica exige algumas regras para ser compreendida...
Acredito que uso de ferramentas que posso acessar para contextualizar meus anseios...
Exercício atividade momentânea de pensar sobre o presente a partir de gatilhos sobre dinheiro e mercadoria...
O que eu tenho para viver ??
Apenas minha ideologia, que a pouco foi proibida de ser disseminada... Quem proíbe? Eu mesma ? O presidente, ou os meus semelhantes que me colocam como não falante... o mito da caverna se faz presente em a cada momento cotidiano... buscar a luz, e parar de conviver com as sombras é um exercício conflituoso de descobrir o novo, que já ali estava.
Se a ideologia é uma visão social de mundo, é complicado me obrigarem a ter aquela dos dominantes... aliás de um grupo dominante pouco coeso, que nega o conhecimento, a arte, a livre expressão do pensar... e o que fazemos...
Fico refletindo, e exprimindo aquilo que me aflige, fico constantemente revendo e revisitando minha história.
Olho para os objetos, ativo sonhos e angustias, e me encontro, mesmo que aparentemente parada, em luta.
Acomodar nas minhas caixinhas de referência aquilo que aprendo no cotidiano é tarefa para mais de anos.
Sou social, sou política, sou emoção, sou eu... e soul várias...
Sou um querer ser e ter empatia por alguém que não tem os mesmos privilégios que eu. Sou um lutar constante contra o tédio, sou refletir aquilo que me movimenta.
O que eu tenho para viver?
A minha força de trabalho, potencial criativo que quando não alienado pode transformar... potencial criativo que pode superar o estado atual das coisas. Será??
Será que se trata de uma poética retrô usar a palavra REVOLUÇÃO para plantar o amor??
Amor não é romance, intriga, posse, conduta que aprisiona, doutrina, e proclama a morte.
Amor é estado de alegria e sorte, e sorte é um buscar de escolhas que lhe tragam bem estar da alma. Por isso soul.
Por isso caminho errante, pensando que o futuro é agora... plantei diferentes sementes em diferentes frentes na história, e fazer a síntese, é como co-habitar, momentos, espaços e ideias, num mesmo tempo da história.
Esses dias caminhava entre multidões e pensava na multiplicidade das coisas... ao mesmo tempo caminhava pensante com minhas memórias... soul mais que uma mãe militante da creche universitária. Sou mais que uma estudante de educação libertária, sou um caminhar constante em uma fé revolucionária.
Sou samba... e por isso misturo... por isso misturo meu fazer pensante, que rotulam-me de intelectual... no entanto não vendo ideias... volto o texto no começo, e minha ideologia, aquilo que me move e me faz ser e estar no mundo, não pode ser usada... nesse sentido ela é utopia que busca transformar aquilo que a mim foi condicionado, e construir novas condições que vão além das determinações.
Determina -Ação... busco me auto-determinar num fluir e pensar confuso e pós-moderno... a crise existencial está posta, e disposta nas conversas de bar, nas conversas no celular, nos encontros fortuitos na penumbra da noite.
O luar é testemunha daquilo que sonhamos, o povo é agremiação da luta/luto que cantamos.
E esse fluir de pensamento escrito, descrito, talvez ainda na égide de uma miss romântica, que leu pequeno príncipe, não é apenas terapia virtual, é virtude de alguém que ainda se acalma escrevendo algumas linhas para dialogar de forma horizontal com aqueles que querem fazer isso.
Aqui não troco trabalho, apesar de entender que assim o é...
Aqui não troco coisas, apesar de serem coisas os objetos e sentimentos que nossa mente produz.
Aqui não imponho regras, apesar que organizar o texto dentro de palavras numa lingua específica exige algumas regras para ser compreendida...
Acredito que uso de ferramentas que posso acessar para contextualizar meus anseios...
Exercício atividade momentânea de pensar sobre o presente a partir de gatilhos sobre dinheiro e mercadoria...
Sobre o amor e outras histórias
Na insistência de entender porque aquela lembrança martelava minha cabeça, cheguei a conclusão que ao invés de falar sobre a lembrança, era falar com a lembrança.
Dei um jeito malicioso de conseguir acessar a lembrança, vaidoso que era, foi preciso mobilizar essa esfera do elogio e da curiosidade.
A interação cotidiana com aquilo que se lembra, poderia transformar, do esquema confuso e nostálgico do ato de lembrar, em algo concreto e movimentador, que poderia dar sentido ao sentir.
As frustrações foram várias... ser humano, sentimento humano é dotado de inúmeras falhas... como se houvesse algo universal no bem querer, [ pensava eu que deveria bem querer alguém sem nada querer com essa pessoa].
Muito confuso quando a lembrança não é uma holografia, e sim alguém de carne e osso... a carne pulsa, o cheiro transmite mensagens, olhar também...
Mas a fala também é uma forma de comunicação, e pode atrapalhar muito, as vezes o tom da fala, o jeito, os entremeios, as provocações não são um jogo de sentir-agir, são um jogo de sentir-ferir, sentir-proteger, sentir-repelir.
Pois bem, na insistência de entender o porque daquela lembrança a reverberar na minha cabeça, precisei escutar, e assumo que muito bom escutar do outro algo que pode parecer óbvio. Esse exercício lembra e clareia os pensares.
Chamo exercicio, porque é bem similar as crianças que repetem várias vezes a mesma ação para elaborar com maior habilidade aquele esquema.
Escutei que fantasmas vem e vão, e são nostalgias adolescentes, [reciprocidade] menos confusa olhei para mim e para o que sinto, e na minha confusão ainda de amar infinito, sinto que preciso, me dar o direito de compartilhar sorrisos... não se trata de superação mas, entender que os fantasmas que buscamos nos outros tem que parar de nos assombrar...
As sombras são complemento de uma luz que nos guia, algo necessário para visualizar o todo, para dar movimento àquilo que se mira.
As sombras são verdades daquilo que temos por imaginação e que podemos imaginar de outra forma...
Ainda lidando com novas e verdadeiras frustrações... na minha romantização cheguei a conclusão que busco um elfo com pensamentos cientistas experienciais, com a humildade de manter-se anonimo sem doutrinar ou impor nada a ninguém...
O elfo não faz parte da lembrança... o lado sombrio da lembrança tem muito orgulho, sexo, sacanagem, cobiça, desejo e vontade de aproveitar... com o discurso de que se alguém se machucar a responsabilidade é unicamente do outro... ou com uma ingenuidade cretina de que não era minha intenção... não me importa mais a intenção, a ação e o observar a se me importa muito mais quando nos relacionamos...
Não julgo mais, não... eu como responsável de mim mesma olho pra mim e penso:
"Não direi que quem manda no meu sentimento sou eu." Sinceramente eu posso até mandar nos meus sentimentos e decisões, mas se alguém me olhar com o olhar de ver, e me dizer coisas que quero ouvir, a malícia no viver, vira um tanto de bem querer, e de ousadia, que tudo mistura, vira samba, dança, alegria... e quem sabe um vazio na cama.
Não mando nos meus sentires, mas sei o que me movimenta e motiva... acredito que frustrações vão fazer parte da rima ativa, e que essa coisa de reverberar sentires é algo que terei que lidar como doença crônica de quem amou.
Sobre procurar fantasmas nos outros??
Me organizo autonomamente conversando comigo mesma sobre aquilo que perturba-pensar ou pensa perturbar, respiro e vejo se é pertinente compartilhar, e jogo para o texto o que eu tento organizar.
As taças estão todas em seu lugar, não transbordam, e por não transbordar acredito estarem em equilíbrio.
O que coloco é que : não quero controlar sentimentos, sendo assim, independente de julgamentos e frustrações, se for pra viver uma noite e nada mais... não olho com olhar de vítima, mas com olhar de quem insiste agora em viver mais do que lembrar do que não foi.
Dei um jeito malicioso de conseguir acessar a lembrança, vaidoso que era, foi preciso mobilizar essa esfera do elogio e da curiosidade.
A interação cotidiana com aquilo que se lembra, poderia transformar, do esquema confuso e nostálgico do ato de lembrar, em algo concreto e movimentador, que poderia dar sentido ao sentir.
As frustrações foram várias... ser humano, sentimento humano é dotado de inúmeras falhas... como se houvesse algo universal no bem querer, [ pensava eu que deveria bem querer alguém sem nada querer com essa pessoa].
Muito confuso quando a lembrança não é uma holografia, e sim alguém de carne e osso... a carne pulsa, o cheiro transmite mensagens, olhar também...
Mas a fala também é uma forma de comunicação, e pode atrapalhar muito, as vezes o tom da fala, o jeito, os entremeios, as provocações não são um jogo de sentir-agir, são um jogo de sentir-ferir, sentir-proteger, sentir-repelir.
Pois bem, na insistência de entender o porque daquela lembrança a reverberar na minha cabeça, precisei escutar, e assumo que muito bom escutar do outro algo que pode parecer óbvio. Esse exercício lembra e clareia os pensares.
Chamo exercicio, porque é bem similar as crianças que repetem várias vezes a mesma ação para elaborar com maior habilidade aquele esquema.
Escutei que fantasmas vem e vão, e são nostalgias adolescentes, [reciprocidade] menos confusa olhei para mim e para o que sinto, e na minha confusão ainda de amar infinito, sinto que preciso, me dar o direito de compartilhar sorrisos... não se trata de superação mas, entender que os fantasmas que buscamos nos outros tem que parar de nos assombrar...
As sombras são complemento de uma luz que nos guia, algo necessário para visualizar o todo, para dar movimento àquilo que se mira.
As sombras são verdades daquilo que temos por imaginação e que podemos imaginar de outra forma...
Ainda lidando com novas e verdadeiras frustrações... na minha romantização cheguei a conclusão que busco um elfo com pensamentos cientistas experienciais, com a humildade de manter-se anonimo sem doutrinar ou impor nada a ninguém...
O elfo não faz parte da lembrança... o lado sombrio da lembrança tem muito orgulho, sexo, sacanagem, cobiça, desejo e vontade de aproveitar... com o discurso de que se alguém se machucar a responsabilidade é unicamente do outro... ou com uma ingenuidade cretina de que não era minha intenção... não me importa mais a intenção, a ação e o observar a se me importa muito mais quando nos relacionamos...
Não julgo mais, não... eu como responsável de mim mesma olho pra mim e penso:
"Não direi que quem manda no meu sentimento sou eu." Sinceramente eu posso até mandar nos meus sentimentos e decisões, mas se alguém me olhar com o olhar de ver, e me dizer coisas que quero ouvir, a malícia no viver, vira um tanto de bem querer, e de ousadia, que tudo mistura, vira samba, dança, alegria... e quem sabe um vazio na cama.
Não mando nos meus sentires, mas sei o que me movimenta e motiva... acredito que frustrações vão fazer parte da rima ativa, e que essa coisa de reverberar sentires é algo que terei que lidar como doença crônica de quem amou.
Sobre procurar fantasmas nos outros??
Me organizo autonomamente conversando comigo mesma sobre aquilo que perturba-pensar ou pensa perturbar, respiro e vejo se é pertinente compartilhar, e jogo para o texto o que eu tento organizar.
As taças estão todas em seu lugar, não transbordam, e por não transbordar acredito estarem em equilíbrio.
O que coloco é que : não quero controlar sentimentos, sendo assim, independente de julgamentos e frustrações, se for pra viver uma noite e nada mais... não olho com olhar de vítima, mas com olhar de quem insiste agora em viver mais do que lembrar do que não foi.
terça-feira, 5 de março de 2019
Anseios Poéticos da Madalena
Sintonias
Te encontro outra vez
Mais triste
Mais lutador
Desprovido de privilégios
A não ser a cor
Agora frágil
E com sonhos
Com medo
E certeza de enganos
Olhar manso
E o coração aberto
Esconde na calmaria
Seu tédio
Na geometria
Sua crença
Transmutar a essência
Questionar a ciência
E ensinar ao outro
Paciência
Sintonia
Nostalgia
Ou novamente você
Vem ao meu encontro mais completo?
Agora faltam pedaços
De perna e de mão
Menos impulsividade
Mais cumplicidade
Paixão acelera
Sem espaço pra vaidade
Sintonia
Agora eu que sonho
E você brisa
Meu coração derrete
Desliza
A procura do seu encontro
Sintonia
Poesia brega
Alma cega
Sente com o cheiro e tato
Te encontro outra vez
Mais triste
Mais lutador
Desprovido de privilégios
A não ser a cor
Agora frágil
E com sonhos
Com medo
E certeza de enganos
Olhar manso
E o coração aberto
Esconde na calmaria
Seu tédio
Na geometria
Sua crença
Transmutar a essência
Questionar a ciência
E ensinar ao outro
Paciência
Sintonia
Nostalgia
Ou novamente você
Vem ao meu encontro mais completo?
Agora faltam pedaços
De perna e de mão
Menos impulsividade
Mais cumplicidade
Paixão acelera
Sem espaço pra vaidade
Sintonia
Agora eu que sonho
E você brisa
Meu coração derrete
Desliza
A procura do seu encontro
Sintonia
Poesia brega
Alma cega
Sente com o cheiro e tato
Revoltar-se
Revoltar-se
As voltas para o local de origem
Não precisam ser revoltosas tormentas
Mas nem sempre o que nos sustenta
São sonhos...
Eu privilegiada
Recém empregada
Com as contas quitadas
Encontro pelo em faca
E sinto tudo bagunçado
Acordar e atravessar
Parte da cidade
Deixando a vida em trilhos
Me faz revoltar
A vida com mais qualidade
Não é a vida com mais dinheiro
É a vida com mais sonhos
Perder a vida numa caminhada sem rumo
Em que o rumo é ir e vir
É perder o sentido
De algo tão lindo
Que poderia só fluir
As voltas para o local de origem
Não precisam ser revoltosas tormentas
Mas nem sempre o que nos sustenta
São sonhos...
Eu privilegiada
Recém empregada
Com as contas quitadas
Encontro pelo em faca
E sinto tudo bagunçado
Acordar e atravessar
Parte da cidade
Deixando a vida em trilhos
Me faz revoltar
A vida com mais qualidade
Não é a vida com mais dinheiro
É a vida com mais sonhos
Perder a vida numa caminhada sem rumo
Em que o rumo é ir e vir
É perder o sentido
De algo tão lindo
Que poderia só fluir
Confissão professoral II
Se o rosto pode dizer de algo
Morei sempre bem?
Acessando cultura, arte e saúde
Morei sempre zen
Meditação, moda, paz
Mas a cidade é muito além
Se esbarra porque não tem espaço
No trem se encontra cansaço
No Angela há muito vale
E você pergunta quanto custa?
A cidade é rica
E o povo é pobre
Não miserável
Um cômodo lá é o mesmo preço
De um quarto na Oeste
Lá na Sul tem tudo,
Mercado, hospital, terminal
Tem entulho no meio da Avenida
Feijão brotando no terreno baldio
É o pouco espaço vazio
De cheios que encontro
Trem cheio
Cheios de cara de cansaço
A educação substitui a briga por espaço
E como meus educandos
As pessoas se empurram
Universidade saia de seus muros
E vá conhecer os rincões do mundo
Cansada ensaio esses riscos
De desabafos
Porque não quero que meu cansaço
Vire tédio
E nem que minha reivindicação
De um olhar
Para esse transitar
De pessoas
Vire birra
Morei sempre bem?
Acessando cultura, arte e saúde
Morei sempre zen
Meditação, moda, paz
Mas a cidade é muito além
Se esbarra porque não tem espaço
No trem se encontra cansaço
No Angela há muito vale
E você pergunta quanto custa?
A cidade é rica
E o povo é pobre
Não miserável
Um cômodo lá é o mesmo preço
De um quarto na Oeste
Lá na Sul tem tudo,
Mercado, hospital, terminal
Tem entulho no meio da Avenida
Feijão brotando no terreno baldio
É o pouco espaço vazio
De cheios que encontro
Trem cheio
Cheios de cara de cansaço
A educação substitui a briga por espaço
E como meus educandos
As pessoas se empurram
Universidade saia de seus muros
E vá conhecer os rincões do mundo
Cansada ensaio esses riscos
De desabafos
Porque não quero que meu cansaço
Vire tédio
E nem que minha reivindicação
De um olhar
Para esse transitar
De pessoas
Vire birra
Anseios poéticos de Carnaval
Meu corpo é lúdico
Mas é lúcido
É para o meu carnaval
Para fazer morada
Dos sonhos e utopias
De uma mente vadia
Mas cheia
De um esperançar
Que chuva é vida
E que de confete e purpurina
A ousadia
Está na alegria
Cama cheia
De um repouso esperado
De dias cansados
De brincar de ser
O que quiser
E pra não acabar a fé
O meu axé
Guardo no peito
Transbordando defeitos
Para quem vier
Mas é lúcido
É para o meu carnaval
Para fazer morada
Dos sonhos e utopias
De uma mente vadia
Mas cheia
De um esperançar
Que chuva é vida
E que de confete e purpurina
A ousadia
Está na alegria
Cama cheia
De um repouso esperado
De dias cansados
De brincar de ser
O que quiser
E pra não acabar a fé
O meu axé
Guardo no peito
Transbordando defeitos
Para quem vier
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Melancolia lugar comum de existência
Não acredito que só pensar que tudo dará certo
Que simplesmente assim será
Tento pensar nos passarinhos
Nas árvores
Nos ninhos
Em espaços bonitos
Na natureza e no ser humano em harmonia
Mas quando olho a periferia
Num extremo concreto
E cultura
Distâncias a percorrer
O trem lotado
O chão asfaltado
O pai cansado
Em outro extremo
O cara noiado
E o filho negligenciado
O periférico, por mais belo e singelo
Guarda em si melancolia
Não é tão poético
Seres entorpecidos pelo álcool
Fazendo sua caminhada matutina
Mãe solteira se prostituindo na esquina
Não é charmoso ser criminoso
Bandido
Ou ainda assassinado
Sem ser culpado
Eu quero meditar e emanar toda a luz que guardo no peito
Como educadora ensinar seu direito
Mas sua família votou na perda dele
Não consigo fazer poesia de superação
Não consigo buscar auto-afirmação
Na ilusão de que dias melhores virão
Meu filho pergunta: mãe o que você mais quer??
Pode parecer suicida
Mas quero sair dessa ilusão
Essa ideia de que tudo pode ser bom
Me causa azia
E a impotência de lutar pela minha existência
Causa agonia
Existem cristãos umbandistas
Existem mulçumanas feministas
Existem engenheiros artistas
Existem crentes progressistas
E meu coração altruísta
Guarda profunda melancolia
Eu choro e me sinto infante
Boba
Tendo que aceitar o momento da tecnologia
Onde a empatia
Não passa de ideologia
Que simplesmente assim será
Tento pensar nos passarinhos
Nas árvores
Nos ninhos
Em espaços bonitos
Na natureza e no ser humano em harmonia
Mas quando olho a periferia
Num extremo concreto
E cultura
Distâncias a percorrer
O trem lotado
O chão asfaltado
O pai cansado
Em outro extremo
O cara noiado
E o filho negligenciado
O periférico, por mais belo e singelo
Guarda em si melancolia
Não é tão poético
Seres entorpecidos pelo álcool
Fazendo sua caminhada matutina
Mãe solteira se prostituindo na esquina
Não é charmoso ser criminoso
Bandido
Ou ainda assassinado
Sem ser culpado
Eu quero meditar e emanar toda a luz que guardo no peito
Como educadora ensinar seu direito
Mas sua família votou na perda dele
Não consigo fazer poesia de superação
Não consigo buscar auto-afirmação
Na ilusão de que dias melhores virão
Meu filho pergunta: mãe o que você mais quer??
Pode parecer suicida
Mas quero sair dessa ilusão
Essa ideia de que tudo pode ser bom
Me causa azia
E a impotência de lutar pela minha existência
Causa agonia
Existem cristãos umbandistas
Existem mulçumanas feministas
Existem engenheiros artistas
Existem crentes progressistas
E meu coração altruísta
Guarda profunda melancolia
Eu choro e me sinto infante
Boba
Tendo que aceitar o momento da tecnologia
Onde a empatia
Não passa de ideologia
Ensaio poético de uma mente com lembranças
Não é tão tranquilo escrever sobre si. Provavelmente aqueles que se dedicam algumas horas como interlocutores pensam: porque essa pessoa se expõe tanto. Outros devem sentir-se com empatia ao ler anseios de alguém que vive constantemente rodando em círculos tentando achar o centro de tudo, que é conhecer a si mesmo.
Ao mesmo tempo deve parecer um exercício egocêntrico falar de si, mas eu asseguro que venho muitas vezes tentando construir a alteridade, ou seja, entender o que se passa aqui dentro pra poder me relacionar melhor com o externo.
Após essa breve introdução do ensaio desse texto, o que eu quero dizer é que as lembranças perpassam muitas vezes sofrimento e nostalgia. A nostalgia para mim não tem um significado ruim, é a vontade de viver de novo alguma lembrança, buscar ter de novo aquela sensação. Muitas vezes ela é confundida com saudades, e saudades é algo mais complexo, porque envolve o sentir falta, mas não necessariamente reviver uma sensação.
O mais complicado das saudades, é quando não se pode construir novas memórias, ou porque houve um rompimento intenso com aquilo que nos faz falta, ou porque houve uma perda, então, sentimos saudades, e eu pelo menos tento fazer o exercício de encher o peito de tranquilidade e confortar-me, para que a nostalgia não me consuma.
Eu não terei de novo 20 anos, não posso voltar no tempo para salvar alguém que morreu, ou refazer um percurso, eu posso novamente fazer um percurso, mas esse percurso será uma nova experiência...
Nesse texto não busco dialogar com teóricos que falaram sobre isso, simplesmente de forma muito amadora e até vulgar somente quero falar de lembranças...
Há pouco tempo perdi uma amiga querida, e que sinceramente acho que não temos nada que ficou ausente, a não ser uma viagem pra praia, e ver nossos filhos crescerem juntos, mas sei que era o que deveria acontecer... sei que era o que deveria acontecer mas sinto saudades, nostalgia do tempo de faculdade, e tristeza pela perda... acho hipocrisia falar que tá tudo bem quando alguém que gostamos tanto fica no nunca mais... nunca mais ver, nunca mais abraçar, nunca mais ter conversas longas no telefone...
Ao mesmo tempo penso esse lugar do nunca mais nos amores, nas partidas, nas chegadas, nas idas e vindas e nas conquistas... e isso tem me sido perturbador...
Nunca mais democracia??
Nunca mais direitos humanos??
Há coisas que não são apenas nostálgicas, são trágicas e arrasadoras... após alguns crimes ambientais esse nunca mais vem como um soco na boca do estômago, e penso com meus botões: não foi algo que teria que acontecer, poderia ter sido evitado e não foi. Como lidar com isso??
Sinceramente, meu exercício diário de me conhecer para conhecer o outro, faz com que minha alteridade não fique ausente da revolta.
A revolta se faz presente não como saudade, ou nostalgia, mas como rebeldia.
Ao mesmo tempo deve parecer um exercício egocêntrico falar de si, mas eu asseguro que venho muitas vezes tentando construir a alteridade, ou seja, entender o que se passa aqui dentro pra poder me relacionar melhor com o externo.
Após essa breve introdução do ensaio desse texto, o que eu quero dizer é que as lembranças perpassam muitas vezes sofrimento e nostalgia. A nostalgia para mim não tem um significado ruim, é a vontade de viver de novo alguma lembrança, buscar ter de novo aquela sensação. Muitas vezes ela é confundida com saudades, e saudades é algo mais complexo, porque envolve o sentir falta, mas não necessariamente reviver uma sensação.
O mais complicado das saudades, é quando não se pode construir novas memórias, ou porque houve um rompimento intenso com aquilo que nos faz falta, ou porque houve uma perda, então, sentimos saudades, e eu pelo menos tento fazer o exercício de encher o peito de tranquilidade e confortar-me, para que a nostalgia não me consuma.
Eu não terei de novo 20 anos, não posso voltar no tempo para salvar alguém que morreu, ou refazer um percurso, eu posso novamente fazer um percurso, mas esse percurso será uma nova experiência...
Nesse texto não busco dialogar com teóricos que falaram sobre isso, simplesmente de forma muito amadora e até vulgar somente quero falar de lembranças...
Há pouco tempo perdi uma amiga querida, e que sinceramente acho que não temos nada que ficou ausente, a não ser uma viagem pra praia, e ver nossos filhos crescerem juntos, mas sei que era o que deveria acontecer... sei que era o que deveria acontecer mas sinto saudades, nostalgia do tempo de faculdade, e tristeza pela perda... acho hipocrisia falar que tá tudo bem quando alguém que gostamos tanto fica no nunca mais... nunca mais ver, nunca mais abraçar, nunca mais ter conversas longas no telefone...
Ao mesmo tempo penso esse lugar do nunca mais nos amores, nas partidas, nas chegadas, nas idas e vindas e nas conquistas... e isso tem me sido perturbador...
Nunca mais democracia??
Nunca mais direitos humanos??
Há coisas que não são apenas nostálgicas, são trágicas e arrasadoras... após alguns crimes ambientais esse nunca mais vem como um soco na boca do estômago, e penso com meus botões: não foi algo que teria que acontecer, poderia ter sido evitado e não foi. Como lidar com isso??
Sinceramente, meu exercício diário de me conhecer para conhecer o outro, faz com que minha alteridade não fique ausente da revolta.
A revolta se faz presente não como saudade, ou nostalgia, mas como rebeldia.
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