Especialista em planos furados, tentei ser tranquila e sem meus impulsos mais vorazes... para eu casar, ou ter esse desejo momentâneo, mesmo que seja apenas uma história fictícia da minha cabeça, precisa beijar com vontade, amar com vontade, nada essa coisa egoista de querer apenas sentir prazer sem oferecer. Nos últimos tempos, talvez me sentindo rejeitada assumo que encontrei pares péssimos, entre egoismo e falocentrismo, até o descuido de sexo sem preservativo. E me senti como muitas mulheres sentem: como um pedaço de carne. Não é fácil exigir o toque respeitoso do outro quando você não se sente digna de recebê-lo.
A autoestima é a chave do autoamor, quando ela está em frangalhos, sabe-se lá porque, abrimos a porta do inferno para o desamor, de si e do outro...
Neste sentido, anterior a esse sorriso largo e olhar honesto se fazer brilho para meu olhar, eu vinha em um tédio amoroso sem fim. Ficava uma gangorra entre auto-cobrança de ser sensual, sentir-se sensual e ter uma vida sexual, e ao mesmo tempo querer ficar na cama em posição fetal toda vez que eu voltava do trabalho. Eu estava exausta, e aumentava gradativamente minha exaustão em pensar a possibilidade de conhecer alguém. No fundo o medo da rejeição, por diversos dilemas, não somente motivos. Acredito que o fato de ser mulher já me permita pensar na rejeição, mas últimamente tenho me sentido um rejeito... vem um looping de quantas vezes cobrança e negligência familiar me trouxeram esse medo tão latente.
Sugiro que o sorriso largo me trouxe ideias infantis, daqueles que se você um dia conseguir se entregar para esse homem, será amada a vida inteira. Eu tinha essa máxima adolescente, achava que o corpo, por meio do sexo era um prêmio ao meu objeto de desejo, e que ao me entregar seria digna de amor eterno, já que ainda na minha adolescência a virgindade era um valor em transição, e eu romântica que só, vendo mocinhas na globo serem aquelas que se guardam para o grande amor, pensava, que se um dia eu me entregasse a alguém, era para ficar junto para sempre.
Claro que um homem de mais de 30 anos jamais iria imaginar que na minha cabeça surgiria ideia tão antiquada, mas eu não resisto aos clichês, e tenho pensado como fanfics lovers são decadentes e ultrapassadas, realmente essa narrativa parece um filme de terror, a protagonista vulgo eu, tem a ideia obscessiva de casar, não porque não é feliz, mas porque tem isso como uma meta escondida. E claro, um sorriso largo, com covinhas seria um par ideal, pelo menos para o projeto ilusório.
Continua...