quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Anseios poéticos de final de um ano conturbado

Quadrinha I

Eu apenas queria um colo
Para que a sensação de desamparo
Vire suspiro, respiro, e alento
Pra tornar esperança o pressentimento


Solidão palavra

Solidão palavra marcada no coração
Que some vagarosamente
Com uma mensagem
Calorosa
Quem sabe mal intencionada
pra beber uma cerveja gelada



A amizade

Que saudades de ligar pra você
No metrô
E falar besteiras
E você rir
Compartilharmos problemas


Os encontros 

Sinto as vezes que dou pouco e ganho tanto
Mas num outro extremo sinto muito
Que tudo sentido é bem vindo
Sinto tão lindo as pessoas fazerem de tudo
Pra ver um amigo
Pra tomar uma cerveja
Pra trocar um olhar
Isso me aquece
e faz eu não ligar tanto
pra indiferença daqueles que eu amo muito


As desilusões 

Eu já esperava
O descaso anunciado
Numa votação
Em dia de oração
População que paga
Por essa corja
Quadrilha organizada
Que não tá ai pra situação
Explora tudo o que vê
Legisla o que quer
Pra faltar na mesa
e o povo perder a fé


Ansiedade 

Estou em todos os lugares
grito em crise
compartilho pensares
Mas não consigo estar dentro de mim




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conto de dias quentes

Ela pulsava vibrante. Era de um tom vermelho intenso, que suas maçãs do rosto pareciam ter sido pintadas de carmim.
Ela era assim, alegre, mas melancólica, intensa e insegura.
Não se habitou as novas tecnologias e quase sem querer ficava na espera de um recado, uma escrita, uma troca por meio delas, mas não era mais com todos que a procuravam.
Outrora ela sentia muito prazer em trocar coisas de sentimentos e autoconhecimento com quem quisesse trocar.

Sentou em frente ao computador e começou a deixar a mente fluir, não conseguia pensar num filme, vídeo ou coisa que quisesse acessar.
Só pensava em se tranquilizar, mas não conseguia. Pensava em correr, em pular, em dançar, mas não lembrava uma música, canto, ritmo que a motivasse a ouvir e fluir as sincronicidades de sua alma.

Sincronicidades era uma palavra que nesse momento parecia constante e distante. De repente impulsos menos evoluídos a tomavam, e ao mesmo tempo uma prudência e uma coerência de sublimá-los.
Era como se a nostalgia, a saudade e a novidade dessem um sentido obsessivo para sua existência.

Ela não queria sonhar, e quando sonhava era sobre coisas maiores, sobre luta, sobre resistência e sobre espiritualidade.

Sentia-se num inferno, a casa sem ventilador, a cama quente, o corpo em chamas, e a cerveja esquentando a cada golada que ela entornava.

O choro começava a cair devagar, a cada palavra que ela escrevia pra desabafar o que sentia, e ela tentava com todas as forças descrever. Talvez a palavra pudesse assim, fazer tudo o que a mente e corpo num movimento desconexo afligia.

Ela pensava nos seus guias, e quase que imóvel, não conseguia arrumar as malas para partir.

Releu as linhas que escreveu, e ficou a imaginar que se houvesse leitor para seu texto, ele talvez não ia compreender onde ela queria chegar com aquele desabafo. Não era poesia, nem prosa, era uma descrição pouco organizada das coisas que tinha que fazer.

Pensava que o ano passará num vendaval, e que ele não poderia acabar naquele momento, não sem uma despedida, sem um findar de ciclos.

Na ilusão ela sentia, ou mais, sua intuição dizia, que o ciclo não se encerrava com o findar do ano... o ano por meados de setembro, abriu um novo ciclo de questionamentos sobre a vida, desde a segurança em ter meios de se manter viva, até a insegurança de sua própria existência, que rompia, de alguma forma com padrões socialmente colocados.

Ela não teria como voltar... ao começo, ao início dessa jornada, que ela não conseguia datar... sentia que se tornou uma especialista em fazer planos impossíveis, em viver amores mal resolvidos, em findar coisas sem fim.
Era ela dentro de si, brigando consigo e com o mundo de poesia que construiu.

Lembrou-se de como a criança, as crianças cresceram, de como romperam com o escudo da domesticação, e como se colocavam em guerra com os adultos, ora conformando-se as regras estabelecidas, outrora se afirmando hereges do que os adultos traçavam por futuro.

De repente, se encontra, com a criança, mais responsável, e vê que sem querer construiu um espelho, ela era de fato alguém que essa criança admirava. Alguém que essa criança amava, por sua filosofia, por sua luta, por seu empenho em ensinar.

Ela de fato ensinou várias pessoas nessa vida, e nesse ano em especial, se colocou como professora em diferentes momentos, compartilhando o movimento tímido de se jogar na vida.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Declaração de amor-tece-dor

Estou há poucas semanas da part-ida
E querendo simplesmente su-mir
Não quero ficar em nenhum lugar
Ando perdida e pensante
E tento de todas formas acalmar coração e mente

Penso e olho para os andares
E sinto no mais profundo que não sou ingenua
Estou tentando deixar a alma serena
E esperançar expectativa de felicidade

Na FELIZ- Cidade que eu parto
Para uma imensidão sem mato
Eu me despeço com pressa
E fico na querança do bem amor
Estar ao meu lado pra amortecer a dor

No entanto as coisas não são como queremos
Melodias e escolhas as vezes nos fazem passar  veneno
E no meu intimo ingenuo
Penso que esse tempo de ausência
É a prudência paixão querendo ficar mais perto do que longe

Não se trata da perda do encanto
Mas dá água que bate na bunda
E grita: faça renda, cumpra prazos, seja responsável
Porque meu coração irritável
Com a mente racional
Verbalizou que precisa pagar boletos
Precisa ter grana para o sorvete
E te quero mil vezes sem joguete

Na minha vida professora
Eu esqueço que outros trabalhadores
Para dar conta do recado
São de certa forma hiper-explorados
Mesmo sem patrão diário...
E não é se fazer de otário
Nem de mal agradecido
Agradece mas não tem pressa
Porque o amor é correspondido

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Poesia de despedida sentida

Sem ida, com volta
Me envolvo em caracóis reluzentes
Luz que brilha entre os dentes
Sorrisos, e risos de sonhadores indecentes

Eu segui o coração
Quem sabe mais a intuição
Eu chorei um tantão
Porque não queria ir não
Pra cá
E cá estou
Num chororô
Acho que dessa vez fiz e plantei amor
No coração de um mundão de flor

Nessa estadia
Teve luta, teve rebeldia
Combinados com histeria e loucura
Do tédio e do frenesi
Do trabalho e do dormir

Part-ida, parte envolta
Na volta da vida
Estou me sentindo
Sent-indo
Reconstituída
Como se um encontro totalmente
no escuro
Me trouxe parte da luz que eu procuro

Agora sei, como já tinha de hipótese
Que está muito mais em mim
Essa dose
De embriagar meu corpo e alma
De algo que é tortura e calma
Que é ser quem sou
Em qualquer lugar que vou

Sem-ida eu me sinto aflita
Indo e indo como sempre vou
Rodopiando e me enrolando
Com um io-iô
E clamando as minhas yaôs
Que cuidem de sua filha que lhes clama proteção

Apesar da nação estar repartida
Entre amor e ódio
Eu subo ao pódio
De vencer a vida
Pela vida
Na luta entre vida e morte
Agradeço ao invés de pensar na má sorte
E controlando a mania
Os excessos
Eu louvo e peço
Para que em toda a dor
Eu esteja inteira


Balanços balançantes de 30 anos em meses

Aqui cabe uma introdução...

Mas não sei se deixo a fruição da emoção mediar a escrita, torta, e morta, melancólica.

Cai hoje na real que lidar consigo mesma é aceitar com toda a sinceridade, lidando com a impulsividade os sentires e pensares que nos afligem.

Lembrei de um dia, um beijo, uma tarde intensa, um desejo e uma cama quebrada.

Lembrei como transformei tudo isso numa loucura tempestade por eu estar sozinha numa cidade com um filho, e como conversar, falar e pensar sobre isso me causou desconforto, mágoas e perdas.

Depois de passado um tempo, vejo como o diálogo e a sinceridade, além do auto-amor pode possibilitar encontros de almas sem a necessidade que eles acabem nos lençóis ou gere obsessões, e to tentando curar isso com o pensamento, que tenho maturidade para escolher da melhor forma o que fazer da minha vida...

Nesse ano vivi muitas coisas leves e intensas, sem o peso de ser um sofrimento, apesar de me cansar e eu ter tido pouco tempo pra balancear...

Balanceando vou escolhendo quem eu quero ser, e por hora escolho ser o meu maior amor, confiando que as vezes o pensamento vem pra outros entendimentos mais leves.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Rememorando angustias

Agitada com o fechamento de ciclo, mais um ano que acabava, ela ficava a cada segundo olhando o celular para ver se tinha alguma mensagem de alguém. Seu olhar não era para política, nem para amigos, muito menos estudos, ou todas aquelas coisas que a encantam, nem era para afetos, ou pessoas para conhecer, ela agitada simplesmente olhava o celular.
Lembrou de algumas obsessões, de coisas que ela achou que tivesse resolvido, mas de repente se fizeram latentes. A fuga de se relacionar mais profundamente com alguém, a falta de tempo para todos, e inclusive para si mesma, e de como se jogava numa rede de pensamentos viciados, de auto-destruição, engano e ausência de perdão.
Realmente ela vivera uma relação conturbada, e que de repente o luto de perder um grande amor mais uma vez reverberou... ou mais a luta para ganhar o grande amor: de si e para si.

Chorou, chorou, sentiu-se menos, feia, frustrada, péssima profissional, péssima em tudo que se propunha fazer, egoísta, medonhamente egoísta, dramática... e mais, não estava sabendo lidar com a tristeza da amiga que adoecia...

Agora não era só rememorar o pranto de perder um amor vivo, era perder a oportunidade de envelhecer junto com alguém que a história se encontrou, e não ter forças para fortalecer o outro... murchava lentamente...

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sofrimento razinza

Ela envelheceu olhando para aquela tela negra, e pensando no amor que não viveu, se culpava por ser feminista, porque querer fazer as coisas que lhe deixavam felizes...
Chorava pelos filhos que teve e pelos filhos que não teve.
Por não ter sido boa na profissão escolhida... remoía por dentro todo o sentimento que nela continha, e que provavelmente lhe causava esse vazio ferido.
Resmungava e balançando em sua cadeira de balanço como uma velha ranzinza.
Não conseguia alcançar sonhos e nem traçar planos concretos, apesar de cobrar de todos ao redor que tivessem coerência e prudência em como se portavam e nas coisas que almejavam.
No próximo Outono iria completar 33 anos.