segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Flu-indo

Eu que preciso tanto de uma morada
De um lugar pra colocar minha bagunça
Tenho sido cigana e sou forte pra caminhada
Nunca imaginei que fosse ser tão abençoada
E ser tão difícil partir...
Já faz tempo que estou por ai
Querendo desenhar girassóis nas costas
Mas não os vejo há meses
A não ser nos sonhos passageiros
Baianos espíritos
Que muitas vezes curam o choro do aflito
Que amortecem o movimento falho
Do giro que pode me derrubar
Mas eu balanço e não caio
Vivo com a pressa de um raio
E o trovão vem me acalmar
Dizer que as vezes respira
Respira menina
E não se põe a falar
Respira e respira
Escuta girassol cantar
Girassol girar
Coração pulsar
Nostalgia bater
Feitiço desfazer
Mandinga acabar

Eu preciso tanto de uma morada
Que me faço na-morada
Da vidinha de feli-CIDADE
talvez eu volte pra morada coletiva
ativa de cultura cinza
e tumultuar de verdades
Eu no meu sonho intenso, de sentimento denso
De secura e bondade
Dou coice e fecho a cara
Minha sinceridade não disfarça
O estrago que eu faço
Eu saio desbaratinada
Aflita e cansada mas eu quero sossego
Também quero chamego
Um beijo bem quente
Um salivar caliente
Mas é que eu tenho MEDO
Medo de ouvir Girassol pulsar
Medo do amor amizade virar
Medo da amizade me apaixonar
Medo da saudade não deixar rumar

E eu vou, querendo falar de flores
Procurando uma morada
Com girassóis na calçada
E eu levo, comigo o meu amor
Meu coração de afeto
Pra espalhar semente
Semente de amizade
Semente de verdade
Semente de impulso
De busca e de luta
Um tanto maluca
De não ficar só

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