segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mudança boa parte II

E saímos pulando como loucas
Já um pouco embriagadas de nós mesmas
Retornando a nosso vilarejo
Com nossas crias

E assim acordamos esbaforidas
Com o bafo de cachaça braba
E a emergência necessária
De uma ducha fria na cara

E hoje, amanhã, ou quem sabe quinta-feira
Saímos pra dançar de forma festeira
E rimos uma da outra
De nossas histórias bárbaras

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A parte boa da mudança

E assim se aprende
A dar a volta por cima com elegância
Sendo e vivendo criança
Que aprende com a dirigência
Que as ocorrências da vida
São fruto das circunstâncias

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Mudança boa parte I

Estou aqui tentando não ficar de bobeira
Tentando passar na prova de língua estrangeira
E não ficar estrangeira na vida urbana
Já que decidi voltar pra cidade de pedra
Vamos mudar as regras
E parar de sofrer atoa,
Não que eu queira vida boa,
Mas quem sabe... pular um pouco de corda
De manhã ou de tarde

domingo, 18 de fevereiro de 2018

fossa que não passa no ritmo da sofrência

Escrevi esse texto pensando nesses sertanejos sofrência, pra minha fossa que não passa...


Eu deveria sair ao seu encontro e gritar
Ter dr com alguém que já passou
Eu terminei mas o sentimento não acabou
E agora me divirto com essa fossa de amor
Amor de corno
Dor de cotovelo que não passa
Eu queria é fazer pirraça
Melar o seu romance novo
Mas sou feminista
Tenho orgulho e vergonha na cara
Mesmo ainda tendo por ti tara
Vou ficar no meu canto quietinha
Esperar passar essa fossa
Quem sabe tomar uma caipirinha
Ter a dignidade que me resta
E passar a madrugada sozinha

Rima tosca

Não consigo parar de pensar
O coração ta doente
Estima ta no chinelo
O corpo tá no veneno
No sentimento te quero
Eu to tentando esquecer
Ficar feliz na saudade
Mas você tentou me convencer
Que era minha metade
Ficou fugindo de mim
Negando o jeito que sou
Será que é assim
Que demonstrou seu amor?
Eu to numa fossa sem fim
Tento achar meu valor
Mas é difícil dizer pra mim
Que tudo mesmo acabou
Não tem essa história de amar pra sempre
Da terceira vez que eu fico com você
De novo é indiferente
Eu não sei o que eu fiz pra
Nossa história não ir pra frente
To escrevendo rima tosca
Lembrando da gente

Samba de esperança II

Louca, ela era ciganinha
Tocava pandeiro nas esquinas
E no bar se embriagava
Louca, já se apaixonou um dia
Mas o amor deixou vazia
A cama que ela dormia

Louca, ela ficou muito contente
Sobrou espaço pra mais gente
Se embrenhar em vosso ninho
Louca, ela que muito almejava
Andar, dançar na noite enluarada
Saiu com as amigas de madrugada

Louca, fez samba até o dia raiar
Pegou estrada, foi ver o mar
E até encontrou água doce pra sereiar
Louca, sereia iara envolvente
Percebeu que de amor ficaria doente
E resolveu foi é estravazar

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sambinha sem vergonha

Eu saio na rua quase seminua
E você safado, me comeu com o olho
Me chamou na chincha
Me pegou de jeito
Não sei se foi sonho
Ou mero devaneio
Eu toda sem graça
Ouvi sua cantada
E sai andando
Com meu shortinho encabulada

Samba de esperança I

Minha alma pede calma
Da paciência eu não passei na fila
Eu ando sempre angustiada
E me enfio em armadilhas

Quero um pouco de sossego
Mas tenho medo do correto
Eu sempre me embrenho nas esquerdas
E meu futuro sempre incerto

O presente eu já não vivo
Nunca sei, quando ele tá por perto
Talvez pra ter calma e paciência
Eu precise ir pra um lugar deserto


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Samba de mudança VII

Eu fico cantando uns sambinhas
Acalmando meu coração
Levando a minha vida vagabunda
Tomando caipirinha com limão

Pra que tentar se aproximar
Das coisas que já findaram
É melhor reconhecer
Que entre eu e você as coisas acabaram

Pra que chorar, melhor esquecer
Seguir em frente, esquecer o passado
Eu cantando esse sambinha
Fico reproduzindo o que já foi rimado
É que essa coisa de amar e sofrer
Tá parecendo pra mim
Tempo revisitado

Samba de mudança VI

Eu ouvindo um samba de amargura
Tentei encaixotar minha solidão
Ou talvez jogá-la num saco preto
E parar de fazer rima de paixão

Eu mulher de trinta e poucos anos
Com os pés nos chão pra fugir dos enganos
Pra quem saber traçar planos
Que ficaram pra trás

Estou a procura de tranquilidade
O samba afaga a dor e trás saudade
Desmontando os móveis
Perdendo algumas lembranças

No saco de lixo ficou foto de criança
Eu odeio fazer mudança
Mas lá no final há sempre um pouco de esperança

Eu ouvindo samba de saudade
Tentei levar comigo algumas saudades
O porta retrato
Deixei o meu gato
E organizei os meus sapatos

Rimei alguns versos
Chorei alguns litros
De saudades do que fiz e do que vivi

Estou a procura de uma alegria
O samba liberta e afasta a nostalgia
Doei alguns móveis e me vi perdendo coisas
As vezes são más e as vezes coisas boas

Na mala da filosofia
Levo comigo a experiência
Que amor de verdade
É amor que acalma e que compensa



Samba de mudança V

Comprando o vício da ilusão
Eu fiquei me afogando na fossa então
Com um monte de malas e roupas espalhadas pelo chão
Sem entender como organizar tudo

Eu fiquei recordando meus tropeços
Caminhadas na noite pra ser jovem
Destilando olhares sutis
Pra encontrar talvez os meus pares

Silêncio virou lamento de saudade
Nostalgia das ruas escuras da vila
Conforme cada momento eu te encontrava
Mas sentia que a mim eu me perdia

Sentimento esquecido no peito
Revivido de forma esquisita
Me fez sentir menina
E ao mesmo tempo ao seu lado aflita

Comprando vício da ilusão
Gastei os centavos de esperança
E me escondo atrás de um balcão
De botequim, me sentindo criança

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Samba de mudança IV

Eu com ressentimento
Guardei a lembrança
E o lamento
Esperança se foi
E se foi nostalgia
Agora tendo seguir
Nessa vida vazia

Vazio é desesperança
É sem preencher
A bagagem de andança
Caminhar
E não olhar para trás
Recomeçar
E buscar a paz

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Samba de mudança III

Eu desapeguei de toda a tralha
E recusei sair pra batalha
Pra que lutar por desamor
Se aquele amor era fingidor
Se aquele falso amor foi um impostor

Eu desapeguei de toda a tralha
Carro velho amor, só atrapalha
Dá perdido, dá pt, dá peito partido
E pode até bater
Pra que o acidente da ilusão
Vou correr o risco de sofrer
Vou desapegar do velho amor
Pra algo novo nascer

Samba de mudança II

Eu sai pulando na chuva
Voltei pra casa e lavei minh'alma em banho quente
Pra que mentir pra mim mesma
Não te esquecerei de repente
Mas eu vou encontrar um jeito pra não ficar doente

Que não seja me afogar nessa tristeza
Que a chuva sirva pra me acalmar
Que minha mãe Oyá me proteja
Pra que novos ventos eu ei te tempestar

Eu sai pulando na chuva
E coube como uma luva a alma que cai do céu
Corpo frio alma quente
E mesmo com o peito doente
Minha mãe Oyá fez de suas águas seu véu
Pra secar o pranto errante
Porque nem sempre é amor ter um amante
Se é pra eu solitária seguir adiante
Sigo pulando na chuva saltitante

Samba de mudança

Mais uma tarde de carnaval
Joguei fantasias fora
Botei o orgulho na porta
Será ele meu escudo guardião
Pra me livrar da alegoria
Não me render a ilusão

Eu sou foliã apaixonada
Que em outro carnaval
Permiti você entrar
Falei a você meu desatino
Mas você como um menino
Com meu destino quis brincar

Você não sabe o que é amar
Sua vida é de frases prontas declamar
E quando em seu caminho essa foliã passar
Você há de me ignorar

Ignora que fui eu quem te amou
Te ensinou a caminhar e para arte te levou
Você diz ter muita gratidão
Mas a mim só gerou sofreguidão

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fossa que não acaba

Novamente me perco
Em minhas bagunças
Eu querendo me encontrar
Desencontro de ideias
Desencontro de esperanças
E me encontro na lembrança

Novamente me perco
Nas suas bagunças
Você me provoca
Me olha nos olhos
Me põe em seu colo
E me ignora

Me sinto uma ignorante amadora
Que sonha em ser doutora
E quem sabe menos sofredora