segunda-feira, 15 de maio de 2017

Anseios poéticos de maldição


Trata-se de uma confusão de sentidos, de escolhas, de esperas, de desejos...
Desejar algo, ou apenas se iludir com algo possivelmente desejável?
Até que ponto caráter e desejos são coisas que podem estar conexas?
Até que ponto nostalgias relembradas podem ser benéficas?
Temo estar querendo revisitar uma menina perdida, num casarão abandonado...
Nas ruas de um bairro arborizado
Habitado por um cara drogado...
Não reconheço essa menina, hoje mulher forte, me envergonho das mentiras
Dos enganos e dos calhordas...
As pessoas crescem... eu penso...

Ando perdida, pelada em um sonho
Acordo a sustada, e temo fazer planos
Compreendida apenas, por gente, que comete enganos
Sozinha, acuada, tranquila, cigana
Ela, que sou eu vivia em ruas de uma cidade grande
Sem muito poder dizer:
-Aqui é meu lar.
Procurava árvores, mas também gostava de praças sujas
Mulher e menina, andava com homens e crianças

Encontro fugido, de medo e querer
Ficou quase dez anos sem nada entender
E agora, de novo quer fugir de você
Cansada de gente, querendo morrer
As pessoas morrem, morrem porque não conseguem lidar
O caos da cidade, o caos da vida, o caos de ser
A desordem transvestida de ordem
A certeza e a prudência, em meio a inconsequência
Ser grande é ser delicado pra não ferir,
A si mesmo...

Ela não fumava cigarros, não bebia, não se entorpecia
E mesmo assim naquelas ruas daquele bairro
Sentia o cheiro do sangue das pessoas na forma de éter
Ela sentia cheiro de champagne
De prazer, de dor de choro, tudo isso ficava nela
Era ela e muita gente junto...

Era ela acuada dentro de um casarão
Com dúvidas, escolhas e muita indecisão
Ela adorava sua solidão





Anseios poéticos de renovação III

Rascunho de terra e ar

Leve e forte
Fértil e intensa
Pensativa e úmida
De maneira densa
O fogo a consome
A chuva cadê?
Precisa de vento
Pra lhe envolver
Vento, água
Rio e mar
Se nutrida, molhada
Fogo incendeia
E a faz secar?
Excesso de vento
Faz brasa apagar?
Ou é combustível certeiro
Pra tudo inflamar?


Anseios poéticos de renovação II

Rascunho de uma noite mal dormida e bem vivida

Suas pernas trêmulas sobre minhas pernas
Seu corpo quente sobre meu corpo
Minha boca pousando em teu pelo
Meu cheiro forte em seu cabelo
E assim vivemos...
E assim fomos...
E crescemos...
Talvez não tenha sido um sobre o outro
Talvez nenhum pousar de mãos sobre meu corpo
Talvez nenhuma noite de sono perdida

Suas pernas trêmulas sobre minhas pernas
Me fizeram perder o sono essa noite
Seu corpo quente sobre meu corpo
Aqueceram meu coração
Minha boca sobre seu pelo
Salivou de desejo
Seu cabelo no meu sexo
Se fez beijo e paixão
E assim vivemos
E assim somos
E assim olhamos
Pra talvez um novo encontro
Pra talvez um pousar de mãos sobre o corpo
Pra talvez várias noites de sono perdidas
Se tornem várias noites dormidas,  juntos

vida namorar ela de um jeito mais sereno

Menos bandido

Sem sair roubando amor e deixando vazio no peito dela 

Anseios poéticos de renovação

Fragmentos de histórias parte I

Escrevi poemas sobre vestes rasgadas no chão
Sobre flores mortas em outra estação
Sobre partidas e chegadas
Mas nunca sobre pernas peladas
Sobre curtas caminhadas
Sobre ficar de calças curtas
Perante a um outono que se aproxima
Quente e frio
Paisagem de flores e folhas secas na beira de um rio
Rio que é correnteza e vai pro mar...
Pra refletir e meditar...

Ele calmo e sereno mirou aqueles olhos de soluço e melancolia
Ela assim sentia, mas ele olhava calmo e sereno observando paz
Aquela menina, mulher representava paz e calmaria
Como fênix se metamorfoseava de forte
Porque de fato era...
Travestia-se de noite pra enfrentar o dia
E de búfalo pra correr pelas savanas
Era chuva, era vento, e era arco-íris
Reflexo de cores na lente do óculos do outro
Que calmo mirava aquele olhar marejado de ressaca da vida
A vida andou dando muitos caldos nessa menina
E ela fica flertando com a vida
Pra vida namorar ela de um jeito mais sereno
Menos bandido

Sem sair roubando amor e deixando vazio no peito dela