Eu sinceramente queria tudo perfeitamente bem, no possível, no oportuno, no permitido, no protocolar. Queria conseguir passar todo o dia o rodo com a água sanitária pela casa, e sentir aquele cheirinho delicioso do espaço totalmente higienizado.
No entanto, recebi uma visita, sim, recebi uma hóspede, e essa hóspede fez com que meus dias de cheiro de água sanitária se liquidar... poeira, pó, alergia, será?
Olha só chego a preferir ter um câncer do que o Covid, chego a ficar maluca de sentir que não sou a mulher limpa que mantém a casa limpa...
Da hóspede, eu não quero falar, não quero te explicar leitor porque ela está aqui, apenas lhe dizer que a limpeza que eu buscava aqui não está... e isso me causa dores nos nervos.
quarta-feira, 22 de julho de 2020
sábado, 13 de junho de 2020
desabafos desencontrados
A voz
ressoou pesado:
-
Talvez você não queira se relacionar.
Veio
como um soco essa constatação do outro, porque era o outro, querendo acolher
meu suposto desinteresse, de ser interessante? Para quem? Para o outro.
Passei
o dia revirando entre banho, cozinha, espelho, cama, livros, lives, pensando
sobre o que significava essa frase. Algo do tipo que colocava culpa em mim por não
estar dentro de uma relação.
Eu
realmente não quero perder o sono, não quero minha casa desorganizada, não quero
ter que partilhar meu alimento e no dia seguinte ficar sem o que comer.
Talvez
não tenha paciência para ouvir os devaneios do outro, quem sabe eu não queira
realizar fantasia sexual de ninguém.
Não quero
correr riscos, do tipo de uma gestação indesejada, ou de uma doença sexualmente
transmissível.
Não quero
meu corpo sendo cansado pelo corpo de outro que vê meu corpo e alma como
objeto.
Soa-me
traumático, constatar, que sozinha minha bagunça e organizada, que sozinha eu
posso ser o que quiser, e que junto de alguém, parece que frustro qualquer
expectativa de estar com alguém, parece uma dança descompassada, que ao invés do
prazer do encontro, há a necessidade das coisas desencontradas se estranharem,
e se punirem.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Rascunho de outono em tempos de Pandemia
Texto que escrevi rascunhado no papel
Edição de documento word
dia 20.04.2020
Retratar a dor
Retratar o trânsito
é possível retratar a morte?
A cara da morte
A cara da morte asfixia
E impede
que a igualdade vibre
Ressoa um silêncio
Que ficou no #elenão
E agora retrato o genocida
o julgamento
o controle
a fiscalização
E a tal da EAD
Na educação básica
A cesta também básica
não custa somente 50 reais
50 reais é a música do Motel
E essas lives
Retratos que clicam
De contratos fakes
De laços Fakes
De Namoros Fakes
Meu deleite é ouvir
sons do coração
das poesias
de conexões
retrato o louco
da realidade insana
pequeno registro pós leitura do rascunho
precisa tratar o presidente
para isso ele precisa tirar uma boa licença do seu cargo
seu caso é sério
e pode trazer grandes consequências
Edição de documento word
dia 20.04.2020
Retratar a dor
Retratar o trânsito
é possível retratar a morte?
A cara da morte
A cara da morte asfixia
E impede
que a igualdade vibre
Ressoa um silêncio
Que ficou no #elenão
E agora retrato o genocida
o julgamento
o controle
a fiscalização
E a tal da EAD
Na educação básica
A cesta também básica
não custa somente 50 reais
50 reais é a música do Motel
E essas lives
Retratos que clicam
De contratos fakes
De laços Fakes
De Namoros Fakes
Meu deleite é ouvir
sons do coração
das poesias
de conexões
retrato o louco
da realidade insana
pequeno registro pós leitura do rascunho
precisa tratar o presidente
para isso ele precisa tirar uma boa licença do seu cargo
seu caso é sério
e pode trazer grandes consequências
sábado, 11 de abril de 2020
anotações ano 20
Maria foi deitar, e na brisa do sono começou a rememorar tudo o que viveu... forjou em pensamento um encontro com Téo, e ele aceitando encontrá-la, mesmo em quarentena, ouvia atentamente sua narrativa.
Maria disse a ele de como haviam se conhecido, e cada coisa que foi sentindo, desde a tensão sexual, e o desejo de na cama ser sua puta, até as histórias que orbitavam sua vida. Sua mudança de volta a capital, amores do passado ainda precisando ser encerrados, o frenezi de tê-lo conhecido, e o misto de ausência de paixão e excesso de desejo.
Ela foi se envolvendo com ele, a um passo, que depois de uns seis meses de relação intensa, ela se percebeu apaixonada, querendo morar na carne dele... para ela tudo estranho, porque ela nunca sentiu algum afeto da parte dele, nada além e cama e desejo, além de um bem estar em ficar junto, não sabia se poderia chamar amor, e por isso estabanada se viu toda atrapalhada, entre cobrar algo a mais e estragar a relação que para ela era perfeita.
Perfeitamente infeliz, ficou mais ainda sem ele, mas um pouco de amor próprio era preciso...
Em sua alucinação falava de tudo, e ele se quer respondia algo, então ela nessa alucinação, brisa, sonho, desejo de vê-lo e contar tudo, porque de fato ela sentia culpa em não tê-lo.
Ao ver que jamais obteria resposta porque não tinha o porque abrir seu coração a esse homem e contar sua loucura, mas se queria uma resposta, talvez algo de paixão, ou uma indiferença de vez...
Foi se acalmando, respirando fundo, e ai forjou uma outra narrativa. Ela apenas o queria como amigo, lembrou de quantas vezes mentiu pra si assim e de fato teria sido sincera: disse a ele que não o queria comigo. Mas agora talvez uma mentira sincera, uma aproximação sem o karma da cama.
Tudo tão confuso, um amor nunca quisto, um namorado imperfeito... enfim desfeitos um para o outro... sua insônia tinha nome de Téo, nem no relaxamento da marijuana ele se fazia ausente.
Maria disse a ele de como haviam se conhecido, e cada coisa que foi sentindo, desde a tensão sexual, e o desejo de na cama ser sua puta, até as histórias que orbitavam sua vida. Sua mudança de volta a capital, amores do passado ainda precisando ser encerrados, o frenezi de tê-lo conhecido, e o misto de ausência de paixão e excesso de desejo.
Ela foi se envolvendo com ele, a um passo, que depois de uns seis meses de relação intensa, ela se percebeu apaixonada, querendo morar na carne dele... para ela tudo estranho, porque ela nunca sentiu algum afeto da parte dele, nada além e cama e desejo, além de um bem estar em ficar junto, não sabia se poderia chamar amor, e por isso estabanada se viu toda atrapalhada, entre cobrar algo a mais e estragar a relação que para ela era perfeita.
Perfeitamente infeliz, ficou mais ainda sem ele, mas um pouco de amor próprio era preciso...
Em sua alucinação falava de tudo, e ele se quer respondia algo, então ela nessa alucinação, brisa, sonho, desejo de vê-lo e contar tudo, porque de fato ela sentia culpa em não tê-lo.
Ao ver que jamais obteria resposta porque não tinha o porque abrir seu coração a esse homem e contar sua loucura, mas se queria uma resposta, talvez algo de paixão, ou uma indiferença de vez...
Foi se acalmando, respirando fundo, e ai forjou uma outra narrativa. Ela apenas o queria como amigo, lembrou de quantas vezes mentiu pra si assim e de fato teria sido sincera: disse a ele que não o queria comigo. Mas agora talvez uma mentira sincera, uma aproximação sem o karma da cama.
Tudo tão confuso, um amor nunca quisto, um namorado imperfeito... enfim desfeitos um para o outro... sua insônia tinha nome de Téo, nem no relaxamento da marijuana ele se fazia ausente.
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Notas de isolamento
A tensão era muita, o corpo estava todo roliço, o seios com os bico protuberantes, e a vulva, inchada... escorria algo adocicado, ela colocava os dedos lentamente, e preferia tocar a carne que se formava na junção dos grandes lábios. A ereção vinha, e de repente, um alívio na forma de gozo... mesmo assim se manteve tensa...
Na manhã seguinte, viu o sangue jorrar de sua vagina... fazia a limpeza com o chuveirinho, e observava aquele vermelho colorindo o vaso, e ela ficava vibrante como ele.
Sentia um certo rancor e de contar mentiras, ao menos a si mesma. A sua menstruação era prova de liberdade, sua paixão era uma grande ironia. Como se apaixonar pelo vento, sendo que ele entrava tímido pela janela? Nem trazia aquele frescor gostoso, e nem bagunçava seus cabelos.
Como amar a rua, sendo que agora era limitado sua ocupação. A rua era apenas uma memória. Uma memória colorida cheia de encantos. Nem precisava mais viajar pra lugares de natureza. A rua era seu destino, a rua era sua namorada. A rua era seu grande amor, que ela não podia ocupar e dançar nela.
E como ela queria essa rua... o vento paixão antiga, e a rua amor de sempre e pra vida inteira, e colocava agora distante como nunca fora. Lembrou-se de como era feliz sentada na rua cantarolando.
E seu corpo tenso, porque certamente, quando puder voltar a tocar a rua, não será como antes.
Talvez inventar mentiras e fantasias de algo que não acontecia...
quinta-feira, 26 de março de 2020
trechos de um livro em pensAção
A sereia que não sabia nadar ( corte transversal de ideias de conteúdo)
De repente havia um oceano de possibilidades, seus gatilhos de vítima deram passagem a um olhar marinheiro fazendo de seu ventre porto:
- Não precisa preocupar-se em voltar só.
- Já não vou até determinado lugar porque sei de onde e como posso voltar sozinha!
- Vem e vai comigo!
Ela olho emismecida, mas com coragem pra permitir sair de si por um momento. Deu a mão ao viajante que parecia passageiro querer fazer morada em suas águas, não cristalinas, de choro e de tormenta.
Pausa para elucidar:
As noites e luares não foram de sonho e tranquilidade, de repente, mesmo na calmaria de conseguir nadar em alto mar, agora alto mar da periferia cheia de contradições, em que ela se via útil, remando contra a maré de preconceitos, esse novo marinheiro que se colocava parceiro na navegação, a perturbava. Queria confiar num amor doado de graça, mas sentia perturbação, sonhos persecutórios, uma sensação de falsidade naquilo que vivia. Querer ser sereia sem nadar, parecia farsa, mas farsa maior era agora o abandono do sereio, dar lugar a um marinheiro que mal sabia conduzir o próprio remo...
Ela calma tentou paciente conduzir esse marinheiro a algum lugar de sensatez... talvez fazê-lo entender que amor é mais do que dizer Eu te amo, é se fazer presente num oceano de complexidades que demanda ao menos cuidado.
quarta-feira, 25 de março de 2020
Falsidade
Amor... dizer de amar é algo tão simples
Uma oração resumida em três palavras
Me parece amarração pra ocupar solidão
Ou quem sabe opressão
De machista inseguro que não sabe o que quer
Dizer namorado
Cercar aquela mulher
Esperar na porta da escola pra definir pra onde ela vai
Mas quando não tá com ela ele trai
Mas quando não tá com ela sua insegurança o domina
Ele querendo sair do esteriótipo machista
Do cara que sai jogando beijo pra todo olhar
Diz a ela : não vou te magoar
Diz a ela: agora tem companhia pro seu caminhar
Mas não tem responsabilidade
Apenas o seu amor é sinônimo de vaidade
Caminhar com a moça
Inteligente, sensata, liberta, emancipada
Que não quer jaula
quer camaradagem
Finge entender feminismo
Pra não perder a sacanagem
Que faz com ela, faz com a outra
Faz com todas que te dão moral
E quando é pego
Se faz de bom moço
E some colocando ponto final
Se faz de bom moço
Oferece o desgosto
Da moça ter tido uma relação banal
Uma oração resumida em três palavras
Me parece amarração pra ocupar solidão
Ou quem sabe opressão
De machista inseguro que não sabe o que quer
Dizer namorado
Cercar aquela mulher
Esperar na porta da escola pra definir pra onde ela vai
Mas quando não tá com ela ele trai
Mas quando não tá com ela sua insegurança o domina
Ele querendo sair do esteriótipo machista
Do cara que sai jogando beijo pra todo olhar
Diz a ela : não vou te magoar
Diz a ela: agora tem companhia pro seu caminhar
Mas não tem responsabilidade
Apenas o seu amor é sinônimo de vaidade
Caminhar com a moça
Inteligente, sensata, liberta, emancipada
Que não quer jaula
quer camaradagem
Finge entender feminismo
Pra não perder a sacanagem
Que faz com ela, faz com a outra
Faz com todas que te dão moral
E quando é pego
Se faz de bom moço
E some colocando ponto final
Se faz de bom moço
Oferece o desgosto
Da moça ter tido uma relação banal
Presente em forma de concha
Era algo sorrindo faceiro,
De repente olhou nos olhos e disse querer ficar
Mas presente do mar
No corpo de gente
Retorna pro mar na forma de peixe
Delírio, suspiro, incerteza, impulso
Nos braços da terra
Encostado na alma de carvalho
Sorriu sorriso de melancolia
E percebeu que toda rigidez e segurança
Frente a demandas maiores
Do tempo, acaso, destino
[talvez farsa]
Pudesse quem sabe quebrar
Rendeu-se a sinceridade
Sensatez de querer se fazer de passagem
E apenas lhe doou
Não como migalha
Mas como presente na forma de concha
Um longo silêncio.
De repente olhou nos olhos e disse querer ficar
Mas presente do mar
No corpo de gente
Retorna pro mar na forma de peixe
Delírio, suspiro, incerteza, impulso
Nos braços da terra
Encostado na alma de carvalho
Sorriu sorriso de melancolia
E percebeu que toda rigidez e segurança
Frente a demandas maiores
Do tempo, acaso, destino
[talvez farsa]
Pudesse quem sabe quebrar
Rendeu-se a sinceridade
Sensatez de querer se fazer de passagem
E apenas lhe doou
Não como migalha
Mas como presente na forma de concha
Um longo silêncio.
segunda-feira, 23 de março de 2020
Da série anseios poéticos em tempos de isolamento
Paragrafia poética
Literatura da madrugada
A bailarina em seu arabesco
fascinava o soldadinho perneta. Para ele pareciam iguais. Sendo assim a paixão
correspondida era uma certeza. De fato a jornada de ambos pelo amor
correspondido dizia muito mais de conhecer a si próprios. O final, seus restos
brinquedais juntos numa lareira me refazem a percepção do que está por vir quem
sabe, sonhos de uma humanidade purificados no fogo.
Da série anseios poéticos de isolamento
Paragrafia poética em tempos de
coronavirus
Desfocado, opaco, translúcido,
neurose e necrose coletiva, a falta de irradiação solar me rendeu uma espécie
de brotoeja ou algo que poderia chamar de urticária. O prurido na pele me
lembrou a ausência do penumbre noturno, do tiquetatear dos passos apressados e
ritmados dos sequestros para os leitos. Os leitos de presença e ausência, de
paixão, luxúria e um pouco de hesitação. A ausência da adrenalina dos encontros
furtivos me incidiu essa translucidez dos pensares e sentires. Não há
desespero, apenas uma espera sem prognóstico do que estar por vir. O alumiar do
arco-íris me traz esperança, mas à ausência de tempestade me traz medo. Alguém
vê relâmpagos no céu? O barulho do trovão me acalmaria. As roupas todas
arrumadas aguardam saídas... as famílias desconsoladas aguardam saídas...
faltam abrigos e a opacidade mergulha o imaginário coletivo. Avisto cores pela
janela.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Anseios poéticos da Madalena ( manhã de férias)
(sem título)
Das conversas de vida e morte
Do envelhecer e perceber
Que ela leva...
Leva o sonho do matrimônio desfeito
Na morte matada do acaso
Acidente na margem da rodovia
Leva a amizade longa
Morrida no leito
Do hospital escola
Estudantado que testa
A cura no corpo do trabalhador
Que o Sus procura
Leva a lembrança
Do ente querido que de morte morrida
Se despede
E o amor meu bem?
Questiono se morre de morte matada
Como na explosão do carro de combustível
Que por fatalidade
Queima até carbonizar o corpo de quem dirige
Ou se morre de morte morrida
Porque o tempo faz-o envelhecer
E contrair tudo de mazela crônica
Várias ites que matam o amor
Pelo cansaço de amar
Será necessário uma morte matada acidente?
Um novo amor que rouba de assalto o amante?
E mata consigo a esperança?
Ou por invasão, ou de forma invasiva ?
O amor perdido, sem te fato ter morrido
Pede, ou lembra
Que é imortal, posto que é chama
E que se dura em um dos corações,
Independente da morte matada ou morrida
É verdadeiro
E se modifica o instante
Faz do momento memória
E memória só apagada com esquecimento
Sendo assim amor não morre
Só não se lembra
Das conversas de vida e morte
Do envelhecer e perceber
Que ela leva...
Leva o sonho do matrimônio desfeito
Na morte matada do acaso
Acidente na margem da rodovia
Leva a amizade longa
Morrida no leito
Do hospital escola
Estudantado que testa
A cura no corpo do trabalhador
Que o Sus procura
Leva a lembrança
Do ente querido que de morte morrida
Se despede
E o amor meu bem?
Questiono se morre de morte matada
Como na explosão do carro de combustível
Que por fatalidade
Queima até carbonizar o corpo de quem dirige
Ou se morre de morte morrida
Porque o tempo faz-o envelhecer
E contrair tudo de mazela crônica
Várias ites que matam o amor
Pelo cansaço de amar
Será necessário uma morte matada acidente?
Um novo amor que rouba de assalto o amante?
E mata consigo a esperança?
Ou por invasão, ou de forma invasiva ?
O amor perdido, sem te fato ter morrido
Pede, ou lembra
Que é imortal, posto que é chama
E que se dura em um dos corações,
Independente da morte matada ou morrida
É verdadeiro
E se modifica o instante
Faz do momento memória
E memória só apagada com esquecimento
Sendo assim amor não morre
Só não se lembra
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