Há algum tempo não publico no Blog, por uma série de circunstâncias, dentre elas que tenho deixado de escrever...
A escrita para mim é algo ao mesmo tempo que humanizador, traumático... revela muitas vezes o que guardo de mais intimo, e pressupõe que o leitor pode de alguma forma interpretar o que quiser...
Não tenho essa habilidade de ser escritora na discrição, sou escritora do transbordamento...
Toda vez que transborda a borda eu me exponho, abro meu coração para o papel e poetizo...
Sinto que as vezes toco a vida como uma grande tese que merece pitacos e interpretações de todos...
E num contexto de super exposição das pessoas, muitas vezes queria que elas soubessem aquilo que guardo em meu peito
Suspiros e suss-URROS
Então ela toda suspirante aguardava o amante, com o coração na mão.
Ao encontrá-lo, ficou tímida, paralisada e resolveu guardar o presente no bolso.
Esqueceu-se que naquele bolso havia algo ponteagudo, um chaveiro quem sabe, e simplesmente feriu o presente.
Além de paralisada, sentia o corpo dormente, doente com o coração ferido.
Ele todo distraído não se fazia rogado, apenas indiferente.
Acostumou-se com a solidão, e a transformou-a em solitude.
Paixão não é algo que torna a vida pacífica, aliás paixão atraí algo similar a guerra.
Protegeu-se a toda custa de tudo e de todos, que migrar para outro lugar era quase que empurrar uma pedra pesada.
Então ele a percebeu suspirante e meio cabisbaixa, mas a sentiu atraente... talvez as chaves fincadas no coração doente, tinham algo que o atraí.
Talvez ele com o olhar distante, poderia curar o coração fragilizado.
Talvez de amante passasse a amado... talvez quisesse ser cuidado.
Nesses serás da vida, os dois ficaram calados, ela com o coração no bolso, machucado, ele com o silêncio no olhar pidonho.
Ele não a interpretou, ou talvez nem achou muito bonita o olhar solitário dela... queria ensiná-la que ela era mais bonita sozinha, consigo mesma se amando...
E ela não entendendo esse cuidado desajeitado, resolveu voltar-se para trás, cuidar do coração ferido...
Então ela parou de suspirar ou de esperar coisa qualquer vinda daquele pseudo-amante.
E ele ao invés de ficar estático querendo ensinar coisas, resolver ligar pra ela pra ver se ela poderia ensinar algo a ele, talvez cozinhar, fazer algo bobo... talvez suspirar mais de maneira ofegante... ofegar também pode trazer paz...