quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Prosa poética de conto de medo

Meu grande sonho era alguém como ele, sorriso largo, olhar honesto, trabalhador, com história de vida similar a minha. Perfeito para meu plano macabro de casar e ter filhos. Eu queria muito ser mãe, realizar o sonho de casar numa cerimônia, todas essas coisas que ficaram antiquadas, mas que ainda movimentam o mercado. 
Especialista em planos furados, tentei ser tranquila e sem meus impulsos mais vorazes... para eu casar, ou ter esse desejo momentâneo, mesmo que seja apenas uma história fictícia da minha cabeça, precisa beijar com vontade, amar com vontade, nada essa coisa egoista de querer apenas sentir prazer sem oferecer. Nos últimos tempos, talvez me sentindo rejeitada assumo que encontrei pares péssimos, entre egoismo e falocentrismo, até o descuido de sexo sem preservativo. E me senti como muitas mulheres sentem: como um pedaço de carne. Não é fácil exigir o toque respeitoso do outro quando você não se sente digna de recebê-lo. 
A autoestima é a chave do autoamor, quando ela está em frangalhos, sabe-se lá porque, abrimos a porta do inferno para o desamor, de si e do outro...
Neste sentido, anterior a esse sorriso largo e olhar honesto se fazer brilho para meu olhar, eu vinha em um tédio amoroso sem fim. Ficava uma gangorra entre auto-cobrança de ser sensual, sentir-se sensual e ter uma vida sexual, e ao mesmo tempo querer ficar na cama em posição fetal toda vez que eu voltava do trabalho. Eu estava exausta, e aumentava gradativamente minha exaustão em pensar a possibilidade de conhecer alguém. No fundo o medo da rejeição, por diversos dilemas, não somente motivos. Acredito que o fato de ser mulher já me permita pensar na rejeição, mas últimamente tenho me sentido um rejeito... vem um looping de quantas vezes cobrança e negligência familiar me trouxeram esse medo tão latente. 

Sugiro que o sorriso largo me trouxe ideias infantis, daqueles que se você um dia conseguir se entregar para esse homem, será amada a vida inteira. Eu tinha essa máxima adolescente, achava que o corpo, por meio do sexo era um prêmio ao meu objeto de desejo, e que ao me entregar seria digna de amor eterno, já que ainda na minha adolescência a virgindade era um valor em transição, e eu romântica que só, vendo mocinhas na globo serem aquelas que se guardam para o grande amor, pensava, que se um dia eu me entregasse a alguém, era para ficar junto para sempre. 

Claro que um homem de mais de 30 anos jamais iria imaginar que na minha cabeça surgiria ideia tão antiquada, mas eu não resisto aos clichês, e tenho pensado como fanfics lovers são decadentes e ultrapassadas, realmente essa narrativa parece um filme de terror, a protagonista vulgo eu, tem a ideia obscessiva de casar, não porque não é feliz, mas porque tem isso como uma meta escondida. E claro, um sorriso largo, com covinhas seria um par ideal, pelo menos para o projeto ilusório.

Continua...

domingo, 14 de agosto de 2022

Sobre os dia dos pais

 A palavra pai sempre foi algo muito sagrado para mim...

Hoje quando penso em pai, sempre me ligo a uma força masculina, algo da esperteza, agressividade, vitalidade, a força que tenho para lutar pelos meus direitos, para buscar realizar meu desejo. É sempre algo que vibra na energia do fogo, do metal, do ar, das armas, das artimanhas da vida, tudo que se vincula a conquistas materiais, a realizações me ligam a essa energia masculina, de um pai maior. 

Também me sinto ligada, a uma energia masculina do mar, algo da prosperidade, de um velho pescador que volta com sua rede carregada, e que prove a sua família a fartura. Ou um aventureiro, um desbravador, que vem do outro lado do oceano com suas histórias, suas expectativas, seus devaneios. E ainda alguém aprisionado, que obrigado a estar nessa terra, reconta e revê sua história, recomeça. 

Dessa forma o pai é o espaço, é o vulcão, é o trovão, é o novo, é o medo, é a fé...

Meu pai, pai de sangue, esse que me deu parte da minha ancestralidade me ensinou a rezar. Me ensinou a agradecer a um anjo da guarda, e a um pai santissima trindade, pai, filho e espírito santo. 

Esse pai me ensinou a ensinar a alguém a ser pai, me ensinou a dizer ao pai do meu filho a dar banho e me ajudar com as tarefas domésticas, a cuidar do meu filho. 

Esse pai também me ensinou a ter sonhos, a sonhar a ler e escrever para um dia ensiná-lo, a ter gana e vontade de mudar minha realidade, de ser inteligente, sábia, esperta, curiosa. 

Meu pai tinha uma ideia de infância bem bonita, gostava de deixar-nos livres, e também de permitir que mexessemos em coisas de adultos, como cozinhar no fogão. Meu pai não sabia ler, então também me deu o poder saber mais que ele e dizer o que estava escrito, e algumas vezes repreendê-lo, por não compreender as coisas. 

Mas esse pai também deixou marcas profundas, que hoje consigo nomear abandono... seguir em frente sem olhar pra trás, e ainda assim nos amando, me construiu uma ideia muito cruel de amor que não fica, que não luta pra ficar junto, que se despede, sem dizer tchau, e que reaparece sem ter noção ou responsabilidade do mal que fez. 

Por ignorância, machismo, ou qualquer outro nome que posso dar, ele deixou de nos procurar, de prover alimentos, de lutar para que eu e minha irmã tivessemos comida. No que escutei dele, tinha medo de nos procurar e parecer que procurava a mulher que abriu mão do casamento com ele, dessa forma, meu pai por orgulho, abriu mão de me acompanhar... talvez quando eu mais precisei de pai, o único pai que tive foi o pai maior, o pai coragem, o pai fé, o pai amor...

O pai amor próprio demorou para se apresentar, e ainda reluto em ter uma boa relação com ele. Essa marca de ter apenas 11 anos e não conviver mais com a minha figura paterna, fez eu ansiar por algo próximo a um pai... talvez um padrastro, um tio, um amigo, um padrinho, alguém que pudesse ser guia, caminho, colo...

Eu acreditava que se um dia reencontrasse meu pai, ia saber mais de mim e poder amar verdadeiramente alguém, que meu problema com os homens, meu jeito livre, questionador, querendo ser romântica mas ao mesmo tempo viver minha sexualidade, eu acreditava primeiro que isso era problema, segundo que deveria ser concertado, que talvez se eu tivesse tido um pai censor, eu seria mais adequada, e dessa forma teria o direito de ser amada. 

Não ter um pai, ou perceber que meu pai, é marginal, nordestino, alcoolatra, analfabeto, me fez também sentir que era um homem assim que eu merecia, alguém que estivesse a margem da sociedade, e que precisasse de uma mulher forte, que suportasse todos os pesares para concertá-lo.

Esse texto continua, porque por meio da escrita visitar essas camadas e falar delas está sendo dolorido, mas preciso escrever sobre, talvez eu revisite em outra hora, e possa dar sequência ao que é pai pra mim ou a vivência que eu tenho de pai 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Minha depressão

Me sinto inadequada até quando eu tento fazer as coisas certas, como de repente ter um emprego seguro, juntar dinheiro e ter uma casa... parece que é tudo que se espera de uma mãe solo que o filho mora com o pai... tomar juízo e aproveitar o tempo livre para recomeçar a vida.


Que vida??

Eu tenho trabalhado 8 horas por dia, distante da minha casa, nesse fluxo, fico cerca de 12 horas na rua, e as demais horas, bem, fora o tempo que fico ansiosa com meu trabalho, dormir, comer e tomar banho ocupam parte dessas horas...


Não tenho conseguido organizar rotinas, muito menos organizar hobbies... e sinceramente me sinto apagada, apática e sem prazer... 


A casa onde estou não tem meu cheiro, muito menos a cor da parede fui eu quem escolheu... 

Minhas coisas de decoração estão colocadas de qualquer forma, não gosto e nem me sinto a vontade para mexer na casa, por que talvez deveria começar pela cor. 


Não tenho conhecido ninguém, e me sinto chata e inadequada, e sinceramente acredito que na minha tiroide cresce um câncer enorme.