sábado, 6 de abril de 2019

Imergindo no nada



Nada é um lugar de não acontecimento
De dizer não para algo que está vindo
E decidir em cinco minutos
Se realmente é desse nada que precisamos
De repente paramos estupefatos
Admirados com o olhar do outro
E nada fazemos
Não há toque
Mensagens
Fica a prece do não se apresse
Para que se algo
Além de nada acontecer
Fiquemos preenchidos de cheios
De anseios
E não vazios


Cenas fortes de tesão

Ela queria praticidade... o andar solitário na cidade causa ansiedade.
É bom caminhar em parceria... mas também da medo quando se matam mulheres, simplesmente pelo fato delas serem mulheres.
Após um flerte no bar, alguns goles de cachaça, estava ela lá aos beijos e sem roupa com um desconhecido.
Não era a primeira vez que isso acontecia, mas era a primeira vez desde a eleição.
Ela sentia-se potente por ter tido a coragem de ceder ao tesão e deixar rolar, mas se deparava com angustia e o medo do que poderia acontecer nos momentos sequentes.
Ele a mordia, apertava, e de repente veio um tapa na cara... a feição dela mudou, ela só lembrou das imagens da internet.

Ela por cima dele numa cavalgada de prazer conseguiu descer os braços dele e imobilizá-lo. Era ela na horizontal e por cima, exercendo seu poder e se defendendo. Na horizontal, como deveriam ser as relações humanas, sem hierarquias de força e gênero.

Quando ele percebeu que ela se incomodara com o tapa, ele foi acolhendo ela, olhando bem em seus olhos e pedindo com carinho desculpas...
No momento ela ficou embasbacada, não sabia o que falar, agir ou pensar, se tinha sido desproporcional a força que usou pra parar as batidinhas de leve, mas sentiu que estamos num momento que podemos exercer num ato, a força pra romper com construções históricas que são violentas e não só simbólicas...