domingo, 15 de agosto de 2021

Ensaios poéticos de uma boa mulher - O ADMIRADOR SECRETO I

Meu admirador secreto me escrevia poesias, não era tão secreto assim, eu o conhecia, não muito bem, conhecia a insistência dele em tentar me arrancar sorrisos, e talvez suspiros. 

Outro tempo teve um poeta que eu troquei coisas, mas acho que o estilo dele descomprometido me fez ficar mais instigada. 

O admirador secreto não me instigava, era tão óbvia a proposta de amor eterno dele, que não se sustentava, aliás ele não conseguia se sustentar, sempre estava em empregos precários e situações não muito confortáveis, e eu aos meus mais de 30 anos, com alguns concursos públicos acumulados na minha carreira, buscava alguém que pudesse pagar as próprias contas e me oferecer uma cerveja. 

Também a quem eu queria me enganar, eu também vivia na pindaiba, mas fazia a pose bem sucedida, ou ao menos uma pose de esforçada, essa pose refletia um pouco a verdade da minha vida. 

Ele um dia me contou das decisões que não tomou, das impulsividades que o levaram a não ter nada, e sinceramente, eu senti uma inveja, porque de alguma maneira, eu fui menos impulsiva, e mais certinha,  no entanto não tinha nada, nem a cara de pau de insistir em cortejar alguém que não me quer. 

Ensaios poéticos de uma boa mulher II

Surpreendentemente depois de umas taças de vinho sugeriu que eu ficasse.
Estava frio, e eu já estava lenta, sono e um beijo me convenceram de pernoitar. 
Mais coisas me convenceram: a casa era bem arrumada, cheirava limpeza, e os lençóis eram macios. 
Também havia um aquecedor. 
Sem muita intimidade ele perguntou se eu queria transar, e não me opus a possibilidade da transa.
No entanto não estava funcionando, não sei se falta de química, desejo, ou realmente parecia tudo mecânico, algo pouco ensaiado, as mãos não se encontravam, o corpo também, aliás acredito que talvez o frio trouxe a dificuldade de seu membro enrijecer.
Fiquei um pouco frustrada e ele sugeriu então que eu ficasse de quatro. 
Achei interessante, não teria que olhar pra cara dele e demonstrar minha frustração, e talvez assim, olhando para minhas nádegas pudesse sentir um calor e o membro enrijecer.
Eu gostei quando antes de me comer, ele deu uma boa lambida na minha xana, até me iludi achando que ele ia ficar muito tempo ali me lambendo, mas não, tratou-se apenas de uma amostra grátis. 
Ele me comeu, gozou, e ai resolvemos dormir. 
Apesar de conhecer meu corpo, e meus espasmos, acho que o frio fez com que eu sentisse algo próximo de um projeto de gozo sabor frustração. 
No dia seguinte, café da manhã, manteiga de garrafa, pães integrais... pensei eu, pelo menos o serviço de quarto foi de boa qualidade. 
Talvez eu retorne para tomar novamente um vinho do bom, e ter companhia? 
Talvez a lembrança de  pernoites em colchões cheios de ácaros me fez achar o encontro interessante. 

Ensaios poéticos de uma boa mulher - SAUDADES

Você me apareceu me contando sua história, eu achei excitante poder me dar ao luxo de no meu tempo livre descansar saboreando seus áudios obscenos sobre suas predileções sexuais.

De forma inusitada, hoje  o sentimento de luxúria me fez sentir saudades dos teus dentes cravados na minha bunda, coisa que nunca existiu entre nós dois, mas que eu fiquei na vontade. Senti saudade do fato nunca ocorrido porém, desejado. 

O que aconteceu,  entre nós, foi o contrário de sua boca ou sua mão ser cravada em minhas nádegas e me deixar marcas,  o fato, nossos encontros, tinham algo de eu mirar suas ancas, e te sugerir vestir-se com uma tanguinha, e colocar uma música dessas de rebolar a bunda, e pedir-lhe para que dançasse. 

Foi engraçado, menos excitante que seus áudios, confidências de suas vontades:  alguém lhe posse uns cornos, e te chamasse de brocha, de menina mimada.  

No dia que colocou a tanga, eu peguei o meu celular e filmei sua bunda, ela era seca, com pouca carne, alguns pelos, uma bunda nada feminina, no entanto você me pediu para que eu te batizasse com um nome nosso, um nome de menina. 

Eu ficava tão sem graça, achava aquilo um absurdo sem tamanho, que eu não conseguia lhe chamar de nada, apenas ria, e muitas vezes você percebia como invasão. No entanto me nomeie MADAME. Achei por bem ser assim, mas nunca quis te subjugar, no fundo achava que se te concedesse alguns prazeres, esses seriam retribuídos. 

Eu sentia que essas histórias que você me contava como confidência não eram necessariamente segredos, era uma personagem sua, que você queria expor a alguém, e não se intimidaria se eu contasse para um número secreto de amigas. 

Fazia parte do nosso arranjo "romântico" parecer que eu dizia de ti e de suas excentricidades para minhas confidentes, como um achado, algo desconstruído entre os homens com os quais me deitei.

No entanto passei a ter vergonha, cada encontro - desses que eu imaginava te sentir dentro de mim, a imaginava sua boca me fudendo e suas mãos dedilhando meu corpo - eram frustrados com a cena de eu ter que fazer todo serviço, inclusive te comer. 

Por fim, se assim posso dizer, nunca tive a sensação do seu pau na minha buceta, muito menos se você sabe usar sua língua em meu clitóris... nunca senti meu gosto em sua boca, no entanto você sentiu seu gosto na minha. 

O desconstruído caso do cu narcísico, porque só teu cu fez festa com minhas mãos. 

  

Ensaio de um samba melancólico

A era um sonho bom

Muita idealização

Buscava uma paixão na vida


Um caminhar na praia

Minhas mãos na sua [grudadas 

Uma grande fantasia


Eu trabalhando direto

tô mandando o papo reto

não tenho mais tempo 

pra amar 


Quero chegar em casa cedo

Adormecer sem medo 

Tá foda viver pra não morrer 


Foi simbora toda a esperança

Saudades da  minha ingenuidade 

de criança

O samba é alegria

Mas com a pandemia 

Faço do samba minha melancolia 



Ensaios poéticos de boa mulher I

 Explicação: acredito que as experiências após ter completado meus trinta anos me fizeram rever minhas idealizações em torno de uma relação afetiva e, refletindo sobre isso, repensando processos de escritas desabafo, quase que uma confissão daquilo que tenho guardado no peito, pensei em desenvolver esse escrito: 


Ele me seduzia com suas poesias escritas, para mim? 

De repente vi que as poesias eram uma performance de sua masculinidade [tóxica]

Envaidecer a vítima, e depois descartá-la

[Vítima?]


Eu fui, e sou, e me sinto sobrevivente

Quando fazemos escolhas, é sobre viver

Infelizmente nem sempre vivemos de boas escolhas 

A alma carece de amparo

Quem sabe apenas um abraço no meio do caos

e me vou olhando pra você 

seu corpo moreno, e seus pedidos descabidos

te visto de mulher 

te pego pela cintura, e te beijo

e espero que após realizar O SEU DESEJO

eu seja beijada com a boca 

e consiga sentir meu gosto em você

no entanto, nem todos os homens amam mulheres

talvez, nem os homens desconstruídos amam mulheres

ainda amam o sentimento dominador 

de fazer-me ceder ao SEU DESEJO


Ele me seduziu com os causos de vida

Mais uma história supostamente única

No entanto, mais um conto de rejeição

que os masculinos colocam como ESCOLHA

vários rejeitos de boas relações chegam a mim

e quando me exponho

e digo quem sou

sou acusada narcisa

realmente tá difícil agente se entender 

Antigamente, coisa de uns dez anos 

eu ficava enlouquecida

obscecada

pela possibilidade 

de enfim amar e ser amada

e buscava realizar todos os seus desejos

compreendê-lo

me fazer presente

AGORA, não significa que eu não te abrace apertado

e quero ser um mar de consolo

mas também quero sua boca entre minhas pernas 

e abraçá-lo com meu sexo


Eu tenho escrito poesias, 

Um tanto vazias...

um resto de caco, algo que quero expor 

de como me sinto frente ao mundo

um misto de sentimentos 

que se confundem com desilusões

eu beijei sua boca, 

te coloquei na minha cama

no dia seguinte te pedi pra ir embora

tinha mais o que fazer da vida