São Paulo, 30 de setembro de 2025
Imagine pensar em sua vida, em como ela mudou, se colocando no lugar de uma mulher de quase quarenta anos, carregada de experiências, histórias de alegrias e dores, que moldaram seu caminho e suas escolhas.
Imagine que, frente a tantas experiências, descobriu sua identidade na educação. Foi o que aconteceu comigo. Ser educadora me trouxe sentido, me deu propósito, mas também me exigiu tanto que acabei me perdendo de mim mesma. Deixei de cuidar do meu corpo, da minha alimentação, da minha saúde, e entrei numa rotina automática, quase apática. Sempre tive sorrisos largos e aspas nas bochechas, mas percebi que esse brilho foi se apagando; meu corpo amorteceu... e nada teceu.
E então, veio o inesperado: uma licença médica. Burnout. Algo que nunca pensei viver, principalmente sendo alguém tão ativa e frenética. Agora me encontro diante de uma jornada nova – a da cura. Pausar a vida, suspender a rotina do trabalho na educação, tornou-se inevitável. Procuro descobrir o que me dá prazer, mas não como uma adolescente inconsequente; e sim como uma mulher que entende que a vida é presente, que merece ser nutrida, refletida e escolhida com cuidado.
Sempre tive a impressão de que o espiritual se revela quando consigo contemplar a vida sem pressa: olhar para o nada, sentir a natureza, desfrutar do ócio — mesmo que isso seja desafiador em meio ao concreto e à correria da cidade grande.
É um desafio constante equilibrar o espiritual e o material. A vida pede corpo e mente: boa alimentação, exercícios, uma rotina de bem-estar. Parece simples, parece até um privilégio, mas para mim não é. Minha ansiedade me leva fácil à procrastinação e ao tédio. Nos intervalos, escrevo, converso, busco um norte que possa apaziguar essa ânsia e, quem sabe, trazer algumas respostas.
Uma amiga me disse outro dia que relações exigem trocas. Tenho pensado nisso. Talvez este seja também o tempo de reconstruir vínculos, ressignificar o amor e erguer um castelo de sonhos e utopias possíveis.
Sigo, dia após dia, na jornada de me curar.
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