A medicação que eu não considerava necessária parece que fez efeito. Quando entorpecida pelos comprimidos, consigo até ter sonhos. Meu trabalho agora é aprender a ter uma rotina saudável, para que eu possa voltar de licença de cabeça erguida.
Fico a me perguntar se meu jeito é o problema, se eu sou permissiva, se desorganizada, se faço demais ou de menos. E percebo que o sistema é feito para que as pessoas colapsem, para que haja uma crise de subjetividade. E eu fico questionando o que é saúde e o que é felicidade.
Me sinto bonita, sensual, inteligente, mas fico, ao mesmo tempo, a questionar isso. Ao me vestir, penso sempre que estou com a roupa inadequada para a ocasião. E mesmo fugindo dos ditames da moda e dos padrões, eu quero ser aceita, em algum lugar.
Não sei se os comprimidos são meras ilusões de um sistema que, em colapso, faz com que quem é sensível surte.
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