terça-feira, 5 de março de 2019

Confissão professoral II

Se o rosto pode dizer de algo

Morei sempre bem?
Acessando cultura, arte e saúde
Morei sempre zen
Meditação, moda, paz
Mas a cidade é muito além
Se esbarra porque não tem espaço
No trem se encontra cansaço
No Angela há muito vale
E você pergunta quanto custa?
A cidade é rica
E o povo é pobre
Não miserável
Um cômodo lá é o mesmo preço 
De um quarto na Oeste

Lá na Sul tem tudo, 
Mercado, hospital, terminal
Tem entulho no meio da Avenida
Feijão brotando no terreno baldio
É o pouco espaço vazio
De cheios que encontro
Trem cheio
Cheios de cara de cansaço
A educação substitui a briga por espaço
E como meus educandos 
As pessoas se empurram
Universidade saia de seus muros
E vá conhecer os rincões do mundo

Cansada ensaio esses riscos 
De desabafos
Porque não quero que meu cansaço 
Vire tédio
E nem que minha reivindicação
De um olhar 
Para esse transitar
De pessoas 
Vire birra

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