Não acredito que só pensar que tudo dará certo
Que simplesmente assim será
Tento pensar nos passarinhos
Nas árvores
Nos ninhos
Em espaços bonitos
Na natureza e no ser humano em harmonia
Mas quando olho a periferia
Num extremo concreto
E cultura
Distâncias a percorrer
O trem lotado
O chão asfaltado
O pai cansado
Em outro extremo
O cara noiado
E o filho negligenciado
O periférico, por mais belo e singelo
Guarda em si melancolia
Não é tão poético
Seres entorpecidos pelo álcool
Fazendo sua caminhada matutina
Mãe solteira se prostituindo na esquina
Não é charmoso ser criminoso
Bandido
Ou ainda assassinado
Sem ser culpado
Eu quero meditar e emanar toda a luz que guardo no peito
Como educadora ensinar seu direito
Mas sua família votou na perda dele
Não consigo fazer poesia de superação
Não consigo buscar auto-afirmação
Na ilusão de que dias melhores virão
Meu filho pergunta: mãe o que você mais quer??
Pode parecer suicida
Mas quero sair dessa ilusão
Essa ideia de que tudo pode ser bom
Me causa azia
E a impotência de lutar pela minha existência
Causa agonia
Existem cristãos umbandistas
Existem mulçumanas feministas
Existem engenheiros artistas
Existem crentes progressistas
E meu coração altruísta
Guarda profunda melancolia
Eu choro e me sinto infante
Boba
Tendo que aceitar o momento da tecnologia
Onde a empatia
Não passa de ideologia
Nenhum comentário:
Postar um comentário