sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Melancolia lugar comum de existência

Não acredito que só pensar que tudo dará certo
Que simplesmente assim será
Tento pensar nos passarinhos
Nas árvores
Nos ninhos
Em espaços bonitos
Na natureza e no ser humano em harmonia
Mas quando olho a periferia
Num extremo concreto
E cultura
Distâncias a percorrer
O trem lotado
O chão asfaltado
O pai cansado
Em outro extremo
O cara noiado
E o filho negligenciado
O periférico, por mais belo e singelo
Guarda em si melancolia
Não é tão poético
Seres entorpecidos pelo álcool
Fazendo sua caminhada matutina
Mãe solteira se prostituindo na esquina
Não é charmoso ser criminoso
Bandido
Ou ainda assassinado
Sem ser culpado

Eu quero meditar e emanar toda a luz que guardo no peito
Como educadora ensinar seu direito
Mas sua família votou na perda dele
Não consigo fazer poesia de superação
Não consigo buscar auto-afirmação
Na ilusão de que dias melhores virão

Meu filho pergunta: mãe o que você mais quer??
Pode parecer suicida
Mas quero sair dessa ilusão
Essa ideia de que tudo pode ser bom
Me causa azia
E a impotência de lutar pela minha existência
Causa agonia

Existem cristãos umbandistas
Existem mulçumanas feministas
Existem engenheiros artistas
Existem crentes progressistas
E meu coração altruísta
Guarda profunda melancolia
Eu choro e me sinto infante
Boba
Tendo que aceitar o momento da tecnologia
Onde a empatia
Não passa de ideologia

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