domingo, 17 de março de 2019

Sobre o amor e outras histórias

Na insistência de entender porque aquela lembrança martelava minha cabeça, cheguei a conclusão que ao invés de falar sobre a lembrança, era falar com a lembrança.
Dei um jeito malicioso de conseguir acessar a lembrança, vaidoso que era, foi preciso mobilizar essa esfera do elogio e da curiosidade.
A interação cotidiana com aquilo que se lembra, poderia transformar, do esquema confuso e nostálgico do ato de lembrar, em algo concreto e movimentador, que poderia dar sentido ao sentir.
As frustrações foram várias... ser humano, sentimento humano é dotado de inúmeras falhas... como se houvesse algo universal no bem querer, [ pensava eu que deveria bem querer alguém sem nada querer com essa pessoa].
Muito confuso quando a lembrança não é uma holografia, e sim alguém de carne e osso... a carne pulsa, o cheiro transmite mensagens, olhar também...
Mas a fala também é uma forma de comunicação, e pode atrapalhar muito, as vezes o tom da fala, o jeito, os entremeios, as provocações não são um jogo de sentir-agir, são um jogo de sentir-ferir, sentir-proteger, sentir-repelir.
Pois bem, na insistência de entender o porque daquela lembrança a reverberar na minha cabeça, precisei escutar, e assumo que muito bom escutar do outro algo que pode parecer óbvio. Esse exercício lembra e clareia os pensares.
Chamo exercicio, porque é bem similar as crianças que repetem várias vezes a mesma ação para elaborar com maior habilidade aquele esquema.
Escutei que fantasmas vem e vão, e são nostalgias adolescentes, [reciprocidade]  menos confusa olhei para mim e para o que sinto, e na minha confusão ainda de amar infinito, sinto que preciso, me dar o direito de compartilhar sorrisos... não se trata de superação mas, entender que os  fantasmas que buscamos nos outros tem que parar de nos assombrar...
As sombras são complemento de uma luz que nos guia, algo necessário para visualizar o todo, para dar movimento àquilo que se mira.
As sombras são verdades daquilo que temos por imaginação e que podemos imaginar de outra forma...
Ainda lidando com novas e verdadeiras frustrações... na minha romantização cheguei a conclusão que busco um elfo com pensamentos cientistas experienciais, com a humildade de manter-se anonimo sem doutrinar ou impor nada a ninguém...
O elfo não faz parte da lembrança... o lado sombrio da lembrança tem muito orgulho, sexo, sacanagem, cobiça, desejo e vontade de aproveitar... com o discurso de que se alguém se machucar a responsabilidade é unicamente do outro... ou com uma ingenuidade cretina de que não era minha intenção... não me importa mais a intenção, a ação e o observar a se me importa muito mais quando nos relacionamos...
Não julgo mais, não... eu como responsável de mim mesma olho pra mim e penso:
"Não direi que quem manda no meu sentimento sou eu." Sinceramente eu posso até mandar nos meus sentimentos e decisões, mas se alguém me olhar com o olhar de ver, e me dizer coisas que quero ouvir, a malícia no viver, vira um tanto de bem querer, e de ousadia, que tudo mistura, vira samba, dança, alegria... e quem sabe um vazio na cama.
Não mando nos meus sentires, mas sei o que me movimenta e motiva... acredito que frustrações vão fazer parte da rima ativa, e que essa coisa de reverberar sentires é algo que terei que lidar como doença crônica de quem amou.
Sobre procurar fantasmas nos outros??
Me organizo autonomamente conversando comigo mesma sobre aquilo que perturba-pensar ou pensa perturbar, respiro e vejo se é pertinente compartilhar, e jogo para o texto o que eu tento organizar.
As taças estão todas em seu lugar, não transbordam, e por não transbordar acredito estarem em equilíbrio.
O que coloco é que :  não quero controlar sentimentos, sendo assim, independente de julgamentos e frustrações, se for pra viver uma noite e nada mais... não olho com olhar de vítima, mas com olhar de quem insiste agora em viver mais do que lembrar do que não foi. 

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