quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Possíveis Verdades Parte I

Ele entrou na cozinha, viu que ela se matava em arrumar as coisas, limpá-las
para poder lhe fazer um bolo. Ele riu da cara dela, pegou a vassoura da mão dela e
falou:
- Fique tranquila que irei te ajudar!
Ela apenas sorriu, e começou a limpar a pia, separar ingredientes, ligar o forno, e
ferver uma água para um café.
- E como foi o trabalho? – perguntou ela querendo puxar assunto.
- Suave.
Começou um papo tranquilo em que cada um foi contando do seu dia, das coisas
que fizeram, foram se lembrado dos feitos e rindo.
De repente a cozinha estava limpa e arrumada e o café estava acabando e o bolo
estava quentinho...
Depois da conversa leve sobre o dia que tiveram, ao sentarem para comer o bolo,
a conversa tomou outro rumo...
- O que foi? – perguntou ela.
- Saudade, tristeza, misturado com uma vontade... vontade de não pensar em
nada.
Ela deu um sorriso tímido, enfiou um pedaço de bolo na boca, cobrindo a boca
com um guardanapo para mastigar, ele fez o mesmo, mas sem a sutileza do guardanapo.
Já terminado de mastigar:
- Eu te entendendo. O tempo todo fico sentindo-me assim, com saudade, tristeza,
vontade da vida. Uma enorme vontade da vida que eu sinto, e quando acho que devo
parar de pensar sobre minha vontade, sinto que estou com medo da vida.
Ele pensou que somente ela falaria de coisas simples complicando tanto as
coisas com vários dizeres, mas sabia que de fato ela o entendera.
- Eu queria muito estar aqui com você, sabia?
- Eu também, senti saudades de você, gostei que viesse. – falou ela
demonstrando seu carinho e respeito. – Eu estava curiosa com sua viagem, saber como
você estava, gosto de conversar com você, você é um garoto papo bom!
Agora para ele, ela não havia entendido do que ele queria lhe falar. Eles
comeram mais pedaços de bolo, e ela falou:
-Você está muito quieto. E não tem bolo na boca. O que acontece?
- Esse lance de eu querer estar perto de você.
Ela ao ouvir essa frase, engoliu seco o pedaço de bolo que mastigava, mas
manteve sua pose de desentendida, e respondeu:
- Ou baby, me de um abraço, muito gentil de sua parte. Também gosto de querer
estar perto. – deu um abraço nele. –Não vejo problemas em querer estar perto de quem
se gosta... apesar que acho que suas aventuras o fizeram se concentrar em outras coisas
do que ficar próximo dos seus. – falou ela num tom irônico.
- Eu sei, as vezes acho que não valorizo bem os meus, ou quando estou longe
parece que não sinto saudades, só quando estou perto é que percebo a falta.
- Mas não confunda falta com saudade, pra mim elas são distintas.
Ele ficou quieto pensando, e ela foi levando facas, copos, pratos para a pia, ele
levantou e foi ajuda-la. Ele pegou a louça pra lavar e ela guardava, de vez em quando os
olhares se cruzavam, os braços se encostavam.
- Vamos, continue senhora sabe-sabe, e explique a diferença. Acho que posso
até advinhar... Sentir falta é um costume, e não saudade?
- Pode ser algo do tipo, agora você me pegou... não sei explicar.
- Pois bem, de alguns meus eu não senti saudade, de você eu senti. No entanto
quando cheguei aqui vi o quanto essas pessoas me fazem falta, mas também senti como
queria ficar perto de você.
Ela respirou fundo e falou:
- Vamos pra sala?
Ele lembrou que a sala dela também estava um caos, que os únicos cantos
possíveis de se ficar naquela casa eram a cozinha e um dos quartos...
- Ah, mas lá não tem TV...
- Poderíamos assistir um filme no seu notebook.
- Comprei um filme essa semana, eu não assisti inteiro. Mas para ser no
notebook, temos que assistir juntinhos na cama de solteiro.
- Por mim não tem problemas. – falou ele com uma cara de malícia.
Eles se ajeitaram na cama, pernas sobre pernas do outro, ficaram bem pertinho, e
colocaram o filme. Começaram a assistir silenciosos, ele com a mão no cabelo dela, e
ela com a mão na cintura dele.
- Você apronta muito.
- Eu sei que a tristeza tá passando. – falou ela dando um beijo na nuca dela.
- Não faça assim, você pode se arrepender.
Ele olhou nos olhos dela, tirou o notebook do colo, e colocou de canto no chão,
ela ficou olhando ele sem dizer nada, segurou as mãos dela com as dele. 
- De que? Algo que você queira me dizer?
Ela olhou firme nos olhos dele, olhou para a boca dele, as mãos dele puxando as
suas pra perto dele, solto uma das mãos, e colocou elas no cabelo, bagunçando-o, como
se não entendesse o que estava explicitado. Ele ainda insistiu:
- Algo que queira fazer? 
- Sim, algo que eu quero muito fazer. – ela então colocou suas mãos no pescoço
dele, aproximou o rosto, e tocou os seus lábios na boca dele, ele simplesmente segurou
firme na cintura dela e foi se rendendo ao beijo.
As pernas foram se esticando, e o corpo foi se encaixando, as mãos também
foram escorregando, entre pernas, coxas, bundas, costas, peitos. As roupas foram sendo
arrancadas, um pelo outro, e mesmo com o frio, sentiram uma tremenda vontade de
ficarem nus.
- Você é linda!

Nenhum comentário:

Postar um comentário