E ela o fitava
diariamente, com aqueles olhos de malícia, que o incomodavam, o assustava, ela
disfarçava dissimulando o sorriso, mexendo no cabelo, esperando que sequer ele
reparasse seu interesse, mas era bobagem, porque ela sempre tocava com as
pontas dos dedos suas coxas, num gesto de suposta ingenuidade.
De fato ela poderia ser
considerava ingênua, por querer tanto se aproximar de alguém como ele, porque
bem, na vida em que as relações são de trocas simbólicas, ele pouco poderia
oferecer-lhe a não ser as utopias e os sonhos de alguém que quer mudar sua
condição de vida;
Blablás acadêmicos,
para ela os dele não eram enfadonhos, não eram mesquinhos, eram talvez
presunçosos, e talvez ele fosse presunçoso em sempre estabelecer limites entre o
corpo dela e o dele.
Mas naquela noite ele
sequer se deu ao empenho de repulsa-la, ela com ar de pidona fez com que as
mãos e braços dele enlaçassem seu corpo, ele pediu que ela deitasse por cima de
seu corpo e lhe oferecesse os beijos que guardara com tanto carinho.
Ele deslocou a boca
para os biquinhos do peito ouriçados, e ficava a vasculhar com as mãos os pelos
de sua genitália... ela também com as mãos procurava no sexo dele, e ele aos
poucos pulsava nas mãos dela, geladas...
E ela o fitava
diariamente, e ele fugindo do olhar de lembrança daquele corpo nu em seus
braços... ele queria trazer o corpo dela de novo ao corpo dele, mas tinha medo
que a ansiedade acabasse com a esperança...
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