segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Anseios poéticos de renovação VI


Oxumaré, serpente encantada
Inflamou o corpo
Da mulher apaixonada
Ansiosa esperava há anos
Esse reencontro...

E como algo mágico
Fez poesias com rimas pobres
Algo muito clichê
Para um ser nada nobre

Maltrapilho, mal amado e confuso
Transformou a moça em musa
E ela achou que ele era muso
Mas só um material pra reuso
Que foi mal aproveitado nesses tempos de amar de novo

Essa coisa de reciclagem
Você joga fora o traste
E ele vem repaginado
Ai você tenta reutilizá-lo
Mas fica tudo meio demodê

Aí vem o Arco-íris, Oxumaré
Pra espairecer
Vem a água cristalina de Oxum
E dá um resplandecer de calmaria

E a poesia de rimas pobres
Quem sabe possa ser um renascer
De sentimentos nobres
E um re-encontrar daquilo que se perdeu
Encontrando a si mesmo

Em silêncio, em grito
Em olhar, bonito
No olhar a si

E pra amar e refletir
Pra se lavar e se nutrir
Basta sonhar e sorrir
Não falo de sonho impossível
Falo e escrevo causos previsíveis
Quem sabe apenas escrever um release
De uma obra artístico-poético
Coletiva

Talvez Oxumaré junto com a mãe da vida
Ajude a achar um uso
Justo e de bom trato
Pro traste recém descartado
Quem sabe o trato mutável
Dos amantes notáveis
Seja estabelecer enlances
De platonismo consciente
E como parentes se tolerem
E renovados pelo encontro de si mesmo
Se amem
Não mais como amantes

Mas como parceiros de muitas prosas




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