sábado, 30 de setembro de 2017

Discussões cotidianas I


Acho que nos acostumamos a reclamar da vida, e isso vira um hábito. 
Acho que aprendemos a desistir das coisas, não porque elas são difíceis, mas porque são complexas...






E há tempos eles discutiam

Como se fossem um casal de velhos rabugentos 
E há tempos evitavam olhar no fundo dos olhos
Evitavam comer macarrão aos domingos
Ou cozinhar para os amigos 
Eram totais desconhecidos?
Ou de conhecidos passaram a amantes momentâneos?
Essas efemeridades da vida
Essas ousadias no olhar
Essa preguiça que tem a pretensão de desistir
Da discussão?
Do mau humor, fardo do dia a dia?
Fardo da fadiga corpórea
Disfarçada de preguiça de olhar no olhar do outro?
Ou olhar no olhar do olhar do outro
Tornou-se tão banal
Que ao invés de olhar nos olhos
Arrancamos as vestes
E olhamos apenas pras partes?
Ou olhar no outro é algo tão desnecessário
Que olhamos pro nosso umbigo
E decidimos por escolha
Que olhar pra si
E ao menos generoso,
Consequente
E dá menos preguiça?

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