terça-feira, 29 de agosto de 2017

Desenhar o cotidiano, a partir do auto-conhecer

As vezes precisamos ficar tristes pra ficarmos fortes. Chorar rios de lágrimas, e entender que está tudo bem porque quando alguém nos ofende nós choramos e sentimos. Mais complexo e problemático é não sentir nada. É não se revoltar com nada.
As vezes mesmo tristonhos, podemos trocar nossa tristeza por pingos de esperança, reconhecer no cuidar de si e no cuidar do outro sua fortaleza, perceber-se altruísta e querer ser esperançoso.
Não falo de ilusão, mas de inspiração? A inspiração vem de onde?
Escrevi esse texto pensando em tantas coisas que me inspiram que podem inspirar o outro a desenhar, dançar, cantar, ou tomar uma atitude de escolher coisas novas pra si e pra vida, sem medo de que elas dêem errado. Sair do lugar do canto escuro da sala, e ir pra um canto onde entra mais luz... afinal precisamos de um pouco de calor, de luz natural... pra não ficarmos mofados. Assim, segue um poema, uma produção, em processo... vejo que decai um tanto o texto, ele tá um pouco óbvio, mas a inspiração vem de onde?

Desenhar o cotidiano

Fecha os olhos e pensa o tempo...
O que tem acontecido com o teu tempo que a cidade comeu
O que tem acontecido com seu dia que se passou
O que tem acontecido com você que se magoou
Envelhecemos com o tempo...
Mesmo quando ele para ao olhar o outro
Mesmo quando ele para com o olhar do louco
Mesmo quando ele some
Nesse mundo louco

Fecha os olhos e pensa nas flores
No  que seu olhar grafa na memória
Nas cores que tem sua história
No seu sorrir e no seu pesar
Pensa a filha que você foi
Pensa na mãe que você é
Pensa no presente instante
Que de forma cativante
Você se vê mulher

Olha pro seu cotidiano
E segure uma xícara de café
Será dura?
Será macia?
Será liquida?
Líquido quente se desfazendo na nossa garganta
Sedenta de estímulo
Estimulante tomar café
Delirante litros de café
Entornados diariamente
Co-ti-di-a-namente

Que imagens te formam ao ler essas linhas?
Que imagens lhe vem ao contornar as ruas?
Quais imagens têm em você quando te sangra a pele?
Quando te sangram sua pele?
Quando você fica indecisa?
Quando você fica calada?
Quando uma ofensa te deixa muda?
Porque violência silencia
Abuso silencia
E de fato ninguém quer ser silenciado
Que imagens vem quando você saca que o silêncio existente
Não é meditativo, e contemplativo
Não vem com ondas de gratidão
Isso é fruto de discriminação?
Que imagens vêm?

O que você desenha quando tem fé?
O que você desenha quando ama?
O que você desenha quando em silêncio você se vê?
Enquanto você canta, pula, chora ri?
Que imagens guarda em si?
Que imagens imagina desenhar?
Que coisa você vai fazer desenho e me inspirar?
Também quero poder te olhar
Por meio da sua arte...


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