Eu tenho pensado muito sobre relações abusivas, e percebendo que nunca trata-se de uma escolha consciente vivenciar uma.
O amor, o famigerado amor romântico, justifica o falar alto, o minorizar o outro, o se auto-afirmar.
E isso não desaparece em meio a pessoas que tem um discurso mais democrático e inclusivo, pelo contrário, as pessoas muitas vezes usam de um discurso ideal, para escamotear um comportamento punitivo, narcisista, indiferente.
Palavras doces também se referem a controle, insegurança, egoismo, excesso de vaidades.
Palavras doces também se referem a controle, insegurança, egoismo, excesso de vaidades.
E violências estão sendo cometidas a todo momento, contra os negros, indígenas, crianças, idosos, pessoas com deficiência, e contra a mulher...
Mas contra a mulher os dados são alarmantes, são pessoas que odeiam mulheres, é uma sociedade que odeia a mulher, e que se aproveita de toda essa circunstância, para esquentar o mercado, colocar polêmicas, mas muitas estão pouco preocupadas em combater a violência, seja ela física, psicológica, patrimonial, moral e sexual... mulheres morrem todos os dias por serem mulheres...
Não tem volta
Não tem volta a
palavra estranha dita mesmo que ao pé do ouvido pra magoar
Não adianta
ficar se desculpando
E a todo tempo
errando sem se vigiar
Quem se pretende
evoluído ser
Tem ao menos, humildade ter
Pra poder
caminhar
Num caminho
reto, direto e certo de saber amar
Não tem volta o
tapa na cara
A cara de marra
de quem gosta mais de bater do que de levar
Que não aceita
crítica
Que não escuta o
outro
Ou interpela a
fala, de quem não consegue gritar
Vai minando o
caminho
Deixando o outro
sozinho
Se sentindo
fraco sem nada poder
Será que o
opressor não percebe
Que está aos
pouquinhos manipulando outro ser?
Não tem volta a
marca de bituca de cigarro apagada no braço
O corte que o
obstetra fez na vagina sem necessidade
A lembrança do
arder da brasa queimando a pele
A lembrança do
andar desengonçada quando tem que dar de mamar
Não tem volta,
não tem E SE?
E o aqui agora dói
Não dá pra pedir
pra o individuo esquecer seu trauma
Quando um falar
grosso aciona os gatilhos da violência
Não tem volta se
libertar de uma relação abusiva
Se olhar no espelho e recuperar a auto-estima
E deixar que outra relação
Faça a mesma violação
Se olhar no espelho e recuperar a auto-estima
E deixar que outra relação
Faça a mesma violação
Você se defende
com tudo pra não entrar em outra
E se entra, você
deixa a culpa de lado
E enfia o
foda-se na cara do camarada
Chora, come,
grita, se rasga
Mas quando você
se liberta
Fica mais difícil
aceitar ser violentada
E daí que eu
falei o que você não queria ouvir?
E porque eu
tenho que com você dormir?
E de repente se
eu não to mais nem ai?
Não use como
desculpa o seu amor
O seu amor é teu
E o meu amor
próprio é meu
Bem maior do que
qualquer promessa que você me faça
Eu posso até
achar graça, achar fofo
Mas eu prometi
pra mim mesmo que não ia ter volta
Não ia ter volta
Não ia viver
mais um tapa
Não ia mais
viver mais um desaforo
E se eu te
aceitar de volta
É pra você dizer
que errou
E que tá
aprendendo a não fazer mais
Que não
justifica o seu sentir ciúmes
Não justifica
qualquer sentimento nobre
Você me xingar e
me chamar de vaca
Ou você abusar
de mim enquanto eu queria descansar
Não tem volta o
tapa na cara que você me deu
Porque se eu
silenciei naquele momento e você achou que eu estava concordando
Quando por
dentro eu estava sem ação
Ninguém espera
ser agredida do nada
A não ser quando
provoca
E mesmo quando a raiva é excitada
E mesmo quando a raiva é excitada
Não justifica seu tapa
Seu puxão de
cabelo
As coisas
horríveis que você fez pra mim
Não vão
voltar...
Esse texto teve um rascunho escrito em setembro desse ano, após passar por uma situação de discussão sobre violência doméstica, medo de sofrer violência com uma pessoa que eu me relacionava. Após essa discussão, em que foi um gatilho para eu me desestabilizar emocionalmente, houve uma nova discussão, em que o sujeito propôs romper a relação porque não conseguia manter um relacionamento com uma mulher que se dizia feminista.
Uma pena...
Uma pena que nessa data, mesmo sabendo da situação em que eu estava inserida não consegui terminar a relação.
Esse sujeito acredita que as mulheres passam por violência porque não conseguem resistir. Certamente ele está correto, se não há apoio, de alguma forma, fica difícil perceber situações de abuso e violência, mesmo que muito sutis. Entendemos tudo como assuntos de casal, e que uma hora eles se acertam... que bom que hoje temos avançado, se acertar diz muito mais respeito a se separar, romper a relação, do que insistir em algo que não está dando certo.
E foi assim o desfecho. Um final feliz!!!
A relação terminou, e entendo que muitas relações devem terminar com mulheres podendo escrever textos e publicar coisas sobre elas. Inclusive sem o penar de se sentirem culpadas pelo término da relação, ou ainda, impotentes de poder seguir em frente.
Sim a culpa é minha de estar sozinha. Eu que quis assim e estou muito bem!!!
Esse texto teve um rascunho escrito em setembro desse ano, após passar por uma situação de discussão sobre violência doméstica, medo de sofrer violência com uma pessoa que eu me relacionava. Após essa discussão, em que foi um gatilho para eu me desestabilizar emocionalmente, houve uma nova discussão, em que o sujeito propôs romper a relação porque não conseguia manter um relacionamento com uma mulher que se dizia feminista.
Uma pena...
Uma pena que nessa data, mesmo sabendo da situação em que eu estava inserida não consegui terminar a relação.
Esse sujeito acredita que as mulheres passam por violência porque não conseguem resistir. Certamente ele está correto, se não há apoio, de alguma forma, fica difícil perceber situações de abuso e violência, mesmo que muito sutis. Entendemos tudo como assuntos de casal, e que uma hora eles se acertam... que bom que hoje temos avançado, se acertar diz muito mais respeito a se separar, romper a relação, do que insistir em algo que não está dando certo.
E foi assim o desfecho. Um final feliz!!!
A relação terminou, e entendo que muitas relações devem terminar com mulheres podendo escrever textos e publicar coisas sobre elas. Inclusive sem o penar de se sentirem culpadas pelo término da relação, ou ainda, impotentes de poder seguir em frente.
Sim a culpa é minha de estar sozinha. Eu que quis assim e estou muito bem!!!
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