Meu admirador secreto me escrevia poesias, não era tão secreto assim, eu o conhecia, não muito bem, conhecia a insistência dele em tentar me arrancar sorrisos, e talvez suspiros.
Outro tempo teve um poeta que eu troquei coisas, mas acho que o estilo dele descomprometido me fez ficar mais instigada.
O admirador secreto não me instigava, era tão óbvia a proposta de amor eterno dele, que não se sustentava, aliás ele não conseguia se sustentar, sempre estava em empregos precários e situações não muito confortáveis, e eu aos meus mais de 30 anos, com alguns concursos públicos acumulados na minha carreira, buscava alguém que pudesse pagar as próprias contas e me oferecer uma cerveja.
Também a quem eu queria me enganar, eu também vivia na pindaiba, mas fazia a pose bem sucedida, ou ao menos uma pose de esforçada, essa pose refletia um pouco a verdade da minha vida.
Ele um dia me contou das decisões que não tomou, das impulsividades que o levaram a não ter nada, e sinceramente, eu senti uma inveja, porque de alguma maneira, eu fui menos impulsiva, e mais certinha, no entanto não tinha nada, nem a cara de pau de insistir em cortejar alguém que não me quer.
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