segunda-feira, 28 de junho de 2021

Ensaios de tempo de solidão

 Essa coisa de pandemia fez eu perceber o quanto talvez eu não de conta do outro. 

O quanto sou arrogante, mesquinha, o quanto sou ansiosa e falante, e como tudo isso no extremo da carência, pode ser insuportável. 

Também há momento de desespero, que o sentimento do tempo passando, das formas corpóreas se alterando  faz com que você se afunde. E sinceramente, me sinto narcisista. 

Tenho casa, contas pagas, e alguns quilos a mais, e isso não deveria me afetar tanto. 

Mas o tempo urge, a vida passa, e por mais que eu não queira dar tanta ênfase para uma relação, me sinto sozinha. Começo a pensar dos meus sonhos de outrora, e fico apavorada de um dia não casar, não ter mais filhos, ou coisas do tipo... e me sinto boba.

Lidar com uma situação de gestão de crise canalha, em um país da impunidade, e ter que dizer adeus pra subjetividade. 

Já são mais de 13 anos nos conflitos de sentir-se amada, sentir-se querida, e ao mesmo tempo também amar e desejar o outro.

Não sou hipócrita, aparecem pretendentes, dos mais variados, mas muitas vezes não me despertam desejo. Não dá pra explicar racionalmente gostar de alguém.


seguimos escrevendo 

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