olho no
espelho:
a descrição
do meu reflexo
aquele que
você fez
aquele
refletido no seu olhar
[...] não
era exatamente
esse texto
sem nexo
e muito
desconexo
que EU vejo
olho no
espelho
e percebo
que esse texto
essa
iconografia
expressa no
vidro (re-flexo)
precisa ser
contextualizada
perceber
cada marca
como uma
marca discursiva
(fa-la-da)
olho no
espelho
e tento me
ler (EU LER)
percebendo o
implícito e o explícito
que se
percebe na pele
no olhar
na cor do
cabelo
naquelas
marcas espalhadas
marcas de
nascença
marcas de
infância
marcas de
doença
marcas de
idade
(SOMENTE
MARCAS...)
olho no
espelho,
e percebo
que descrever alguém
não é tão
simples
é muito mais
sutil e delicado [...]
perceber em
cada marca do mirado
o que há de
histórias de passado
o que se tem
feito no presente
o que se
espera de futuro
olho no
espelho
e percebo
seu
julgamento duro
sua destreza
ao meu ler
percebo que
também sou cruel
na minha
leitura de mim
que a
cultura
aquela em
que eu fui criada
acaba
fazendo
que o
saborear minha imagem
tenha gosto
de fel
olho no
espelho
tentando
decifrar cada marca
discursiva
e arrancar
com o olhar
as estacas
(MARCAS?)
que me
tornam depressiva
que vão
deixando doente
o que está
implícito na imagem
olho no
espelho
e tento
traduzir para mim
uma nova
descrição
um novo
ponto de vista
uma nova
forma de ação
superar
(esquecer?)
de alguma
forma
o reflexo
talvez
preconceituoso
que vi de
mim
no seu olhar
Texto escrito publicado em 02/03/2014 e revisado em
27/01/2016, texto original:
olho no espelho
a descrição do meu reflexo
aquele que você fez
aquele refletido no seu olhar
não era exatamente
esse texto sem nexo
e muito desconexo
que vejo
olho no espelho
e percebo que esse texto
essa iconografia
expressa no vidro
precisa ser contextualizada
perceber cada marca
como uma marca discursiva
olho no espelho
e tento me ler
percebendo o implícito e o explícito
que se percebe na pele
no olhar
na cor do cabelo
naquelas marcas espalhadas
marcas de nascença
marcas de infância
marcas de doença
marcas de idade
olho no espelho,
e percebo que descrever alguém
não é tão simples
é muito mais sutil e delicado
perceber em cada marca do mirado
o que há de histórias de passado
o que se tem feito no presente
o que se espera de futuro
olho no espelho
e percebo
seu julgamento duro
sua destreza ao meu ler
percebo que também sou cruel
na minha leitura de mim
que a cultura
aquela em que eu fui criada
acaba fazendo
que o saborear minha imagem
tenha gosto de fel
olho no espelho
tentando decifrar cada marca
discursiva
e arrancar com o olhar
as estacas
que me tornam depressiva
que vão deixando doente
o que está implícito na imagem
olho no espelho
e tento traduzir para mim
uma nova descrição
um novo ponto de vista
uma nova forma de ação
superar
de alguma forma
o reflexo
talvez preconceituoso
que vi de mim
no seu olhar
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