domingo, 2 de março de 2014

Da série sentimentos re-sentidos 2

olho no espelho:
a descrição do meu reflexo
aquele que você fez
aquele refletido no seu olhar
[...] não era exatamente
esse texto sem nexo
e muito desconexo
que  EU vejo

olho no espelho
e percebo que esse texto
essa iconografia
expressa no vidro (re-flexo)
precisa ser contextualizada
perceber cada marca
como uma marca discursiva
(fa-la-da)

olho no espelho
e tento me ler (EU LER)
percebendo o implícito e o explícito
que se percebe na pele
no olhar
na cor do cabelo
naquelas marcas espalhadas
marcas de nascença
marcas de infância
marcas de doença
marcas de idade
(SOMENTE MARCAS...)

olho no espelho,
e percebo que descrever alguém
não é tão simples
é muito mais sutil e delicado [...]
perceber em cada marca do mirado
o que há de histórias de passado
o que se tem feito no presente
o que se espera de futuro

olho no espelho
e percebo
seu julgamento duro
sua destreza ao meu ler
percebo que também sou cruel
na minha leitura de mim
que a cultura
aquela em que eu fui criada
acaba fazendo
que o saborear minha imagem
tenha gosto de fel

olho no espelho
tentando decifrar cada marca
discursiva
e arrancar com o olhar
as estacas (MARCAS?)
que me tornam depressiva
que vão deixando doente
o que está implícito na imagem

olho no espelho
e tento traduzir para mim
uma nova descrição
um novo ponto de vista
uma nova forma de ação
superar (esquecer?)
de alguma forma
o reflexo
talvez preconceituoso
que vi de mim
no seu olhar

Texto escrito publicado em 02/03/2014 e revisado em 27/01/2016, texto original:

olho no espelho
a descrição do meu reflexo
aquele que você fez
aquele refletido no seu olhar
não era exatamente
esse texto sem nexo
e muito desconexo
que vejo

olho no espelho
e percebo que esse texto
essa iconografia
expressa no vidro
precisa ser contextualizada
perceber cada marca
como uma marca discursiva

olho no espelho
e tento me ler
percebendo o implícito e o explícito
que se percebe na pele
no olhar
na cor do cabelo
naquelas marcas espalhadas
marcas de nascença
marcas de infância
marcas de doença
marcas de idade

olho no espelho,
e percebo que descrever alguém
não é tão simples
é muito mais sutil e delicado
perceber em cada marca do mirado
o que há de histórias de passado
o que se tem feito no presente
o que se espera de futuro

olho no espelho
e percebo
seu julgamento duro
sua destreza ao meu ler
percebo que também sou cruel
na minha leitura de mim
que a cultura
aquela em que eu fui criada
acaba fazendo
que o saborear minha imagem
tenha gosto de fel

olho no espelho
tentando decifrar cada marca
discursiva
e arrancar com o olhar
as estacas
que me tornam depressiva
que vão deixando doente
o que está implícito na imagem

olho no espelho
e tento traduzir para mim
uma nova descrição
um novo ponto de vista
uma nova forma de ação
superar
de alguma forma
o reflexo
talvez preconceituoso
que vi de mim
no seu olhar




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