quinta-feira, 13 de junho de 2013

Reflexões acerca de quando temos coragem de dizer NÃO

Tenho problematizado a dificuldade de frustrar o outro, de muitas vezes não agradar a todos e a todas, não que eu tenha essa necessidade de ser bem quista por todos, mas num contexto em que a vida se tornou um espetáculo, ser de alguma forma desaprovado pelo outro é muito frustante. A vaidade nos tira o direito de sermos rejeitados e lidar com esse tipo de frustração. Reivindicando o direito de negar muitas vezes, para se proteger, se precaver, se resguardar, que escrevi essas linhas. Posso ser mal compreendida, como uma mulher recalcada, bom, posso ser recalcada, mas ainda sim, muitas vezes é a possibilidade de negar que me protege de mim.



Sou daquelas mulheres que dizem NÃO
Não serei tocada
Não serei penetrada
Como tantas outras

Meu NÃO me protege
Da luxuria de homens e mulheres
Que levam ao extremo seus desejos
E se ferem

Casta, cândida, pura?
Não, apenas senhora do meu destino
Esse que talho a duras penas
Como se talha madeira virgem, verde...

O esforço de se talhar o destino
É viver a vida um dia por vez
Piro, volto recomeço
Mas digo NÃO

Para que ter certezas?
Por que as dúvidas não devem ser cultivadas?
Entre levar a sério a vida
Ou deixa-la me levar
Eu levo ela
Com lágrimas no olhar

Lágrimas que me fazem forte
A cada NÃO pronunciado
A cada transa e desejo negado

Sou frígida?
Não apenas mulher que controla seu gozo
Que goza quando quer
Que possui e é possuída no momento desejado

Sou daquelas mulheres que dizem NÃO
E quando dizem

Sabe ao certo qual é a decisão

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